Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 18 de 102

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Estou Bem

Brahms, Handel e tantos outros

Luana é jornalista, editora, especialista em marketing e em administração de empresas. Trata-se de

uma alta executiva brasileira.

Eu a conheci em Barcelona, por razões de trabalho.

Nos tornamos amigos, e depois de um tempo ela me contou sua experiência.

Depois, voltei a vê-la em São Paulo, onde a entrevistei de novo.

Em síntese, este foi o seu relato:

 

Aconteceu no Rio de Janeiro. Não me lembro da data. Acho que foi em 2003…

Tive um sonho…

Não sei como, mas cheguei a uma casa muito grande, quase um castelo…

Ao entrar, encontrei um homem. Parecia ser o porteiro do lugar…

Havia gente. Todos se vestiam igualmente, com túnicas brancas…

Eu disse para mim mesma: “O que estou fazendo aqui? É uma festa? Mas não vejo comida nem

bebida…”

As pessoas “falavam” telepaticamente…

Então, o porteiro (?) veio em minha direção e me transmitiu com a mente: “Pode entrar… Você está

convidada. Aqui só entram os que são convidados…”

Perguntei: “O que eu faço aqui?”

Ele me olhava com serenidade, como se estivesse dizendo: “Entre e saberá…”. Comecei a caminhar e

senti uma intensa emoção. Naquele momento, não sabia por quê…

A casa era de mármore branco. Encontrei-me em frente a uma escadaria…

Muitas pessoas subiam ao meu lado. Outras desciam…

Vi grandes janelas, mas sem vidro. E nas paredes havia finas linhas de ouro…

Aproximei-me de uma das janelonas e contemplei o jardim, repleto de flores. Era lindo…

O porteiro permanecia ao meu lado. Ia me explicando…

Disse que eu me encontrava em um lugar de estudos…

Continuei caminhando e vi Lourdes, uma tia minha que ainda vivia, naquela época. Ao seu lado se

encontrava Nilda, minha avó, falecida em Salvador, Bahia, Brasil.

Eu me aproximei e minha avó me olhou com uma expressão de muita tranquilidade. A tia me viu…

Então, Nilda me disse que estava muito bem e que não podia ficar comigo naquele espaço…

A vovó apresentava um aspecto muito saudável. Tinha morrido com 86 anos, mas parecia uma

jovenzinha…

Sorria com os olhos…

“Estou bem”, repetiu…

Eu lhe disse o quanto gostava dela, o quanto a amava. Os olhos de Nilda eram pura luz…

Ela estava com pressa e foi embora…

Continuei caminhando e me aproximei de outra grande janela. Na parte de baixo havia barro avermelhado. Distingui três pessoas desfrutando de um banho de barro. Só via as cabeças…

Perguntei ao homem que me acompanhava e ele respondeu algo que eu já sabia: “É um tratamento para

a pele…”

E pensei: “Para a pele? Mas eles estão mortos…”

Segui caminhando pela casa e vi portas. As pessoas entravam nas salas, mas cada uma entrava na sala

que lhe correspondia. Ao me aproximar da porta, ela se abria antes de eu chegar a ela. Se a pessoa não

estava no lugar adequado, a porta não se abria…

“Local de estudo”, repetiu meu acompanhante…

Chamou-me a atenção outro detalhe: só vi pessoas adultas. Nenhuma criança…

Então chegamos a um grande salão (?), muito bonito, com fios de ouro nas pilastras e nos alicerces de

madeira…

Ali vi um homem mais velho. Eu diria que era um ancião. Tinha o cabelo branco na altura dos ombros

e sua barba era igualmente longa e branca. Os olhos, azuis, eram espetaculares. Media quase 2 metros de

altura. As mãos eram longas e finas e a pele, clara, quase transparente. Vestia uma túnica bege…

Seus movimentos eram lentos…

Não falava, mas todo mundo o entendia…

Tudo, ao meu redor, era perfeito; muito bem organizado…

Aproximei-me e permaneci atrás de um grupo de pessoas, observando. Meu acompanhante explicou

que “aquele ancião estava ali para enviar mensagens para os humanos”…

A princípio não compreendi…

Os humanos se aproximavam do ancião, um por um, e o homem dizia algo, mas somente o interessado

ouvia…

Foi então que eu me fixei em um deles que estava na fila: era um cantor muito famoso no Brasil!…

Como podia ser? Ele não estava morto…

O porteiro esclareceu que aquele grupo era formado por pessoas vivas…

O cantor vestia um elegante smoking branco…

Ao chegar diante do ancião, este sussurrou algo, e o cantor assentiu, agradecendo-lhe…

E o porteiro insistiu: “São mensagens de amor para o povo da Terra”…

Eu estava fascinada…

O cantor não me viu. Continuei visitando a casa e me fiz uma pergunta: “Será que eu receberia, algum

dia, uma dessas mensagens?”

O sonho terminou aí…

Um tempo depois falei com este mesmo cantor, no mundo real. Ele compõe músicas e canta belíssimas

canções de amor…

Eu lhe contei o sonho, e ele chorou…

Ereconheceu que recebia, diariamente, uma maravilhosa inspiração…

 

Um dia, em outro “sonho”, Luana voltou à presença do mesmo misterioso ancião. E o homem dos olhos

azuis lhe mostrou um pergaminho. Uma cópia do dito pergaminho se encontra em meus arquivos, pendente

de publicação…

A experiência de Luana me trouxe à memória as declarações de Johannes Brahms, célebre compositor

e pianista alemão do Romantismo [1]. No final do outono de 1896, em Viena, Brahms assegurou “que ele

não era o autor de suas sinfonias…” Segundo declarou, os acordes e as melodias – todos – eram

recebidos de uma Fonte Superior. E acrescentou: “… quando sinto essas vibrações cósmicas superiores,

sei que estou em contato com o mesmo poder que inspirou grandes poetas como Milton, Goethe e

Tennyson, assim como músicos do porte de Mozart, Beethoven ou Bach, entre outros… As ideias que

estava buscando conscientemente fluem sobre mim com tal força e tal rapidez que só sou capaz de captar umas poucas; nunca consigo anotá-las. Chegam em rajadas e se desvanecem com a mesma rapidez… tudo

o que eu escrevi chegou a mim desse mesmo modo”.

 

Brahms, a quem Robert Schumann denominou “o escolhido”, com razão. (Foto: IGDA.)

 

Algo parecido aconteceu com Handel, autor de 41 óperas e do célebre oratório O Messias. Após

sofrer um infarto, quando contava com 53 anos de idade, George F. Handel se trancou em seu quarto e,

durante 24 dias, “recebeu a inspiração divina”. Assim nasceu O Messias, uma das peças musicais mais

grandiosas da história da humanidade. Quando estreou, em Londres, o público, ao escutar o “Aleluia”,

ficou de pé…

“Derramei lágrimas”, manifestou Handel, “quando escrevi esta obra. Sentia-me eletrizado… Vi o céu e

até mesmo Deus!”

Em outros sonhos, algumas pessoas falam também de “bibliotecas celestes”, com livros ainda não

publicados na Terra. Dizem ter folheado e lido esses livros. E dizem mais ainda: essas obras são

“transferidas” aos escritores humanos mediante o que se costuma chamar de “inspiração”. E o mesmo

acontece com o resto das artes e com as ideias. Nenhuma é nossa, nem as boas nem as aparentemente

ruins. [2]

Handel, autor de O Messias, outra obra “transmitida” do céu. (Foto: IGDA.)