Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 87 de 102

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Estou Bem

A Capitã

Angelina Portilla, cujo apelido era “a Capitã”, não saiu de Porto Rico nos últimos oito anos de sua

vida. Não tinha telefone celular, e, no entanto, naquele 19 de março de 2000…

Mas é melhor que eu comece pelo princípio esta não menos assombrosa história.

 

Angelina Portilla, a Capitã. (Cortesia da família.)

 

Luis e Magaly. (Foto: Blanca.)

 

A história me foi relatada por Luis Carrazona, filho da Capitã, e por Magaly, esposa de Luis. O casal

vivia em Miami.

– Minha mãe – esclareceu Luis – tinha 94 anos, mas sua cabeça era um luxo…

“Ela vivia em San Juan, em Porto Rico…

“Eu falava com ela todos os domingos…

“Não tinha celular. Usava sempre o telefone fixo…

“Porém, no dia 17 de março de 2000, após falar com ela, minha mãe faleceu…”

– Fomos para Porto Rico – interveio Magaly – e assistimos ao funeral e ao enterro…

“Ela foi enterrada no Cemitério de Portacoeli, em Bayamón, perto de San Juan…

“E regressamos para o hotel…

“Era dia 19 de março. Calculo que deveriam ser por volta das 19h…

“Subi para o quarto. Estava cansada…

“Estava sozinha…

“E, de repente, o celular tocou…

 

O telefonema de Miami para o celular de Magaly não consta.

 

“Pensei que fosse minha filha que vive em Miami. Que não pôde viajar para Porto Rico porque tinha

que cuidar do seu bebê…

“Estava fazendo outras coisas e demorei um minuto para chegar até o telefone…

“Já tinham desligado…

“Olhei para o número e, de fato, era o da minha filha…

“Acionei a tecla para escutar e fiquei dura como pedra…

“Tinha uma mensagem. Dizia assim: ‘Magaly… É Angelina… Eu sei que vocês estão preocupados

porque não podem se comunicar comigo, mas quero que saibam que estou bem’.

“Meu Deus! Era Angelina, minha sogra!…

“E a gravação, não sei como, nem por quê, perdeu-se…

“Um mês depois, felizmente, consegui recuperá-la…

“E o meu marido pôde escutar a voz de sua mãe…

“Depois, desapareceu definitivamente…”

– Vamos ver se eu entendi – comentei. – Sua mãe faleceu no dia 17 de março de 2000.

Luis e Magaly assentiram.

– Dois dias depois, dia 19, no começo da noite, Magaly recebe uma chamada no seu telefone celular…

– Correto – respondeu Magaly. – Mas não era o número da Capitã. O que apareceu no celular era o

número do telefone fixo da minha filha, a de Miami.

– A Capitã não tinha telefone celular…

– Não, sempre usava o telefone fixo da sua casa. Eu fiz algumas comprovações – acrescentou Luis –, e pude verificar que o telefone da minha mãe não estava com defeito.

Naturalmente, a filha de Magaly, a que vive em Miami, nunca telefonou para o celular de sua mãe…