Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 74 de 102

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Estou Bem

A roupa de viagem

Conheci Mariluz Barasorda em Algorta, Vizcaya, aparentemente por casualidade. Hoje sei que aquele

encontro estava minuciosamente programado…

O marido de Mariluz faleceu no dia 12 de setembro de 1986, aos 78 anos de idade. Era advogado.

Chamava-se Francisco José Eguillor. Todo mundo o conhecia por Patxo. Está enterrado em Derio, bem

perto de Bilbao, Espanha.

Pois bem, em maio de 1987, quando o marido estava morto havia oito meses, Mariluz viveu uma

experiência que a fez supor que Patxo estava no céu.

Isso foi o que ela me contou no dia 15 de novembro de 1990, ratificado em outras conversas e em

sucessivas cartas:

 

Eu me encontrava em Madri…

Naquele dia, fui dormir tarde. Deveria ser por volta das 4h da madrugada. Isso é um dos meus

costumes. Durmo pouco…

Olhei para o relógio. Dormi por uma hora…

Às 5h eu despertei…

Comecei a me sentir intranquila…

Não sou uma pessoa medrosa, mas me senti estranha. Como se alguém me observasse…

Senti frio. Muito frio. Cobri-me até o nariz…

Depois pensei… Estávamos no mês de maio. Aquele frio – congelante – não era normal…

Voltei a dormir…

 

Francisco José Eguillor. (Cortesia da família.)

E despertei às 6h…

O frio se infiltrava até os meus ossos…

Dormi de novo e fui despertar um pouco antes das 7h40.

Tenho o costume de fechar bem as janelas; no entanto, naquela noite, não me preocupei com isso.

Entrava luz…

“Um novo dia sem ele”, pensei…

Então eu o vi…

Era Patxo!…

Estava de pé, à minha esquerda, ao lado da cama, perto dos meus joelhos…

Posso lhe jurar que não senti medo…

Eu achei que ele estava muito lindo…

Aparentava ter uns trinta anos…

Vestia um terno marrom listado, com uma camisa branca e uma gravata…

Reconheci a roupa no mesmo instante. Era o que ele usava em suas viagens… (!)

Ele vestia essa roupa toda vez que ia para a Guiné. Foi lá que ele comprou esse terno…

Estava com o cabelo curto…

Então falou:

– Chiquitxu – “Pequenina”…

Era dessa forma que ele me chamava em vida…

Levantou a mão esquerda e acrescentou:

– Não se preocupe…

O gesto me chamou a atenção. Não era habitual nele…

Então, ficou calado e baixou a mão…

Assim se passaram alguns minutos…

Apenas nos olhávamos, nada mais…

Depois de algum tempo, ele disse:

– Bem, Chiquitxu, tenho que ir…

E eu repliquei:

– Tão rápido?… Você ficou tão pouco tempo!

E ele respondeu:

– Sim, mas…

E olhou para cima, como se perguntasse a alguém se poderia continuar ali…

Era como se alguém estivesse falando com ele…

Eu estava desconcertada…

Patxo sempre fazia o que tinha vontade de fazer. Não admitia receber conselhos de ninguém…

Então, baixou o olhar e disse-me:

– Bem, tenho que partir…

– Você voltará? – perguntei…

– Não sei – respondeu…

Era como se ele não dominasse a situação…

Voltou a olhar para cima e repetiu:

– Bem, tenho que partir… Cuide-se…

Mariluz e Patxo. (Cortesia da família.)

 

E desapareceu no meio de uma névoa branca…

Eu o vi ascender…

 

Mariluz contou que seu marido era religioso, mas não acreditava nesse tipo de presenças ou aparições.

Em certa ocasião, uma avó de Mariluz prometeu que regressaria depois de morta e que a avisaria sobre a

existência no além.

Patxo brincava comigo – comentou Mariluz. – Que venha a vovó! – divertia-se…

Então, eu lhe perguntei por que considerava que Patxo se encontrava no céu. Mariluz respondeu:

 

Na escola nos ensinaram que os que morrem sem pecado vivem eternamente e com a idade de Cristo:

33 anos…

Era essa a idade que meu marido aparentava. Por isso eu sei que ele está na glória…

 

Não me dispus a explicar-lhe que o Mestre não morreu com 33 anos e sim com 35. E tampouco falei

sobre o absurdo assunto relacionado com os pecados. Ninguém pode ofender ao bom Deus, mesmo que

queira…

Mariluz era feliz com essas crenças, e eu, naturalmente, a respeitei.

O importante era o que havia visto e o que havia sentido.