Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 75 de 102

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Estou Bem

O homem da mala

Adela Naranjo é equatoriana. Atualmente trabalha na Espanha.

Na madrugada do dia 14 de julho de 2007, despertou de repente. Deveria ser por volta das 3h ou 4h da

manhã.

Não soube por quê, mas decidiu levantar-se. Seu marido dormia ao seu lado.

Adela caminhou em direção à porta do dormitório e, de repente, o viu…

 

Julio Marín. (Cortesia da família.)

 

1. Adela subitamente desperta e vai em direção à porta do quarto. Então ela vê o jovem da mala. Ela o segue, e entram no quarto de

Concepción, a senhora de quem ela cuida. 2. Adela coloca-se aos pés da cama e observa o que o jovem faz. 3. O homem da mala sai do

quarto e desaparece. Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

Era uma pessoa jovem…

Eu não o conhecia…

Fui atrás dele e lhe chamei a atenção, perguntando quem era…

Perguntei várias vezes, mas o jovem não respondeu…

Nem sequer se voltou…

Aparentava ter uns vinte anos…

Tinha a pele branca e o cabelo loiro…

Era um homem…

Vestia uma camisa [1] guayabera branca e calça comprida, também branca…

Na mão direita carregava uma mala preta…

Dirigiu-se ao dormitório da senhora…

Quem era? Como entrou em casa? O que fazia ali?…

Entrou no dormitório da senhora, que se encontrava dormindo, e deixou a mala no chão…

 

Adela, com seu esposo. (Cortesia da família.)

 

Inclinou-se sobre ela e segurou seu rosto com as mãos…

Depois lhe deu um beijo na testa…

A senhora não despertou…

Em seguida, ele pegou de novo a mala e saiu do quarto…

Ao passar por trás de mim, senti um frio congelante. Era como um vento gélido…

Eu o segui com o olhar e o homem desapareceu…

Nesse momento, despertei. Eu me encontrava no quarto da senhora de quem cuido, de pé e agarrada à

grade da cama…

Não sei o que tinha acontecido…

Fui até o corredor, mas não encontrei ninguém…

Entrei no meu quarto e acordei o meu marido, para lhe contar o que havia ocorrido…

Ele pensou que tudo tinha sido um sonho e me disse para eu me deitar. E foi o que eu fiz…

Não conseguia entender…

Para mim, foi tudo muito vívido…

Não sou sonâmbula e, curiosamente, não tive medo…

 

O presente caso foi relatado a mim por Evaristo Alcaraz, um bom amigo que conheço há anos. Ele

ampliou os detalhes:

– Adela cuida da minha mãe, que sofre de Alzheimer há tempos. Dorme no quarto ao lado. Ao escutar

o relato, fiquei surpreso e tive uma intuição: a visão era de meu sobrinho Julio. Nessa época, ele se

debatia entre a vida e a morte, em consequência de uma enfermidade. A intuição não falhou. Julio faleceu

36 horas depois do “sonho” (?) de Adela. Tinha 28 anos de idade.

E Evaristo prosseguiu:

– Tudo isso teria sido nada e sem nenhum significado para mim se não tivesse acontecido o evento do

livro do meu cunhado…

E continuou explicando-se:

 

Adela, aos pés da cama da senhora. O homem da mala se posicionou à esquerda. (Cortesia da família.)

 

Concepción García, mãe de Evaristo. (Cortesia da família.)

 

– Quatro anos e sete meses depois do “sonho”, ou seja, no dia 13 de janeiro de 2012, meu cunhado me mostrou um livro cujo título era Casi al desnudo (Quase nu, em tradução livre), no qual narra as

peripécias de sua vida. É um livro editado por ele mesmo, cheio de fotografias de amigos e familiares.

“Pois bem, um dia depois da noite de autógrafos, levei um livro para a casa de minha mãe. Era o dia

livre de Adela e eu a substituí, aproveitando para ler o livro.

“Quando ela regressou, eu lhe deixei o livro e voltei dois dias depois.

“Então, ela comentou que havia reconhecido nas fotos a pessoa de seu sonho, ou visão.”

“– Tem certeza? – perguntei.

“E ela foi apontando, uma por uma, as fotos em que meu sobrinho Julio aparecia.”

Fiquei assombrado…

– Ela o viu em vida?

– Nunca. Desde que Adela se responsabilizou por tomar conta da minha mãe, em 2005, meu sobrinho

jamais pisou na casa dela; tampouco há fotografias dele ali. Melhor dito, há duas: uma em que ele tem

alguns meses de idade e outra com dois ou três anos. Era impossível que ela pudesse reconhecê-lo.

– E o que você tem a me dizer sobre a mala?

– Eu perguntei, mas ninguém soube me explicar. Meu sobrinho não usava mala.

Evaristo recordou outro detalhe importante:

– Uns dias antes do acontecimento, minha mãe estava com um resfriado muito forte. A tosse provocou

catarro, mas ela não conseguia expeli-lo. Não tinha forças. Tinha que estar muito atento a ela… Pois bem,

na manhã seguinte ao dito “acontecimento”, minha mãe se encontrava em perfeito estado. O muco

desapareceu. Quem a curou? Foi Julio?