Estou Bem
A visão de um ilustre republicano
Em 1982, Manuel Osuna, destacado investigador do tema óvni, me colocava na pista de um
acontecimento protagonizado por Claudio Sánchez-Albornoz y Menduiña, eminente historiador
espanhol[1].
No dia 3 de abril desse ano (1982), Sánchez-Albornoz escreveu o que se segue no desaparecido
Diario 16:
… Temo escandalizar meus leitores, entretanto não estou inventando nada nem desfiguro nada. Limito-
me a narrar um evento pelo menos para mim inexplicável, do qual dou fé…
Eu estava na cama com as luzes do lustre central acesas. Encontrava-me distraído, sem pensar em
nada. Hoje ignoro, depois de três meses, se estava enfermo ou cansado. De repente, levantei o olhar em
direção à lâmpada que iluminava os quatro braços do lustre e, portanto, o quarto, e vi, sim, vi claramente
à direita do lustre o rosto de um homem nem jovem nem velho, barbeado, que emergia de uma
indumentária nada moderna; a cara de um homem que me olhava de forma fixa e penetrante. Quando seus
olhos tropeçaram nos meus, o misterioso visitante desapareceu lentamente, começan-do pelo peito
varonil. Eu estava perfeitamente lúcido e recordo muito bem como foi se nublando lentamente a visão de
seu conjunto, de baixo para cima.
Sánchez-Albornoz. (Foto: EFE.)
Podem os meus leitores imaginar minha surpresa e a enxurrada de ideias que veio à minha mente.
Desconhecia o rosto do meu estranho visitante: não era nenhum parente por mim conhecido ou cujo
retrato tivesse por vezes contemplado. Havia eu pedido ao Arquivo Militar de Segóvia notícias de um distante antepassado, general do Exército Espanhol nas primeiras décadas do século XIX. Tinha
lembranças dele por sua neta, minha bisavó, e eu havia possuído um retrato a óleo de sua mulher, que me
roubaram. Seria o rosto que apareceu ao lado do lustre do meu quarto o desse distantíssimo ancestral
que, conhecedor das minhas gestões em busca de sua folha de serviços, vinha para conhecer o longínquo
e curioso neto?
Como estava e estou perfeitamente são de minhas faculdades, e não sou frequentador de casas de
espíritos nem crente de suas andanças terrenas, não se pode atribuir a estranha visão a hábitos ou
pensamentos constantes em minha mente. No entanto, por minha absoluta lucidez no momento da estranha
aparição, tampouco posso atribuí-la a uma breve tensão psíquica. Tenho procurado atrair a uma nova
entrevista a estranha visão, a qual eu poderia pintar, caso tivesse domínio da arte de usar os pincéis.
Minhas invocações têm sido em vão.
Talvez o distantíssimo avô tenha satisfeito seu desejo de conhecer o curioso descendente que indagava
notícias suas, e não sentiu nova tentação de visitar-me…
O ilustre republicano morreu no dia 8 de julho de 1984, em Ávila, Espanha. Não consegui interrogá-lo
sobre o misterioso ocorrido.