Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 73 de 102

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Estou Bem

A freira da curva

Conheci Jessica em dezembro de 2012, em uma das minhas viagens aos Estados Unidos.

Quando tinha dezoito anos, a jovem viveu uma experiência que não esquecerá enquanto estiver viva. E

nem depois…

Eis aqui uma síntese dos fatos:

 

– Eu vivia em 1996 na cidade de Pereira, Colômbia… Um dia me assaltaram na rua… Tentaram me

roubar, mas eu resisti… Então, uma garota me apunhalou pelas costas… Enfiaram-me numa ambulância e

perdi a consciência… Então me vi no teto da ambulância… Minha melhor amiga e o paramédico

falavam… Senti um intenso cheiro de flores… Finalmente me operaram e segui em frente… Fiquei uma

semana no Hospital San Jorge… No dia seguinte ao da operação comecei a vê-la…

Jessica me olhou, um pouco atordoada. Eu a tranquilizei. Eu já estava há quarenta anos escutando

experiências similares.

– O caso é que todos os dias – prosseguiu –, e na mesma hora, por volta das 2h da tarde, aparecia no

meu quarto uma freira… Caminhava até a janela… Depois voltava-se e dirigia-se aos pés da minha

cama… Ali permanecia uma hora… Rezava o terço e me olhava… Depois fazia o caminho inverso e saía

da sala…

– Você conhecia a freira?

– Não. Pensei que podia tratar-se de uma freira do hospital… Mas tinha algo esquisito naquelas

“visitas”.

– Por quê?

 

Jessica, com a imagem da freira que a visitou em 1996. (Foto: Blanca.)

– Em várias ocasiões, a freira encontrou-se com a minha família, mas ninguém lhe prestava atenção…

Somente o meu pai a viu.

– Ela lhe disse algo?

– Não. Levava um terço nas mãos e se limitava a rezar e olhar-me… Baixava os olhos para o terço,

rezava e depois levantava os olhos, observando-me… Assim permanecia pelo espaço de uma hora… Às

3h da manhã, a freira partia…

Pedi-lhe que fizesse uma descrição da freira.

– Não era muito alta…

Jessica olhou para Blanca e comentou:

– Um pouco mais alta do que ela…

Blanca mede 1,65 metro.

 

Estampa entregue a Jessica em 2005.

 

– Estava pálida, com olheiras, como se estivesse com anemia… Seu rosto era ovalado… Seus olhos

eram cor de café… O olhar era muito delicado, suave… Era magra… Usava um hábito marrom e uma

touca negra, para trás… O hábito vinha até o pescoço…

– Como era o terço?

– Branco, com uma cruz metálica. Parecia nácar…

– Ela mexia nas contas?

– Sim. Na hora em que ela ficava aos pés da cama, dava a volta completa no terço…

– Você a viu mover os lábios?

Retrato de Teresa de Lisieux, Marie-Françoise-Thérèse, conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus.

 

 

– Sim.

– Uma hora é muito tempo. Fez algum gesto?

– De vez em quando, a freira passava o peso do corpo de um pé para outro. Isso era tudo.

– Ela se despedia quando saía?

– Também não. Caminhava em direção à janela, girava e se dirigia à porta.

Pedi para Jessica desenhar um esquema do quarto e traçar o caminho percorrido pela freira. Tinha

entendido perfeitamente. A freira, tanto ao entrar no aposento como ao sair, fazia uma curva absurda e

desnecessária. Contudo, fiquei em silêncio.

– Como ela caminhava?

– Com passos curtos e bem devagar.

– Na sala, havia outros enfermos. Você a viu falar com alguém?

– Com ninguém.

– Era jovem ou era mais velha?

– Uns 35 anos.

– Algum outro detalhe chamou a sua atenção?

– Sim, cada vez que aparecia, o ambiente ficava com cheiro de flores. Era o mesmo cheiro que percebi

na ambulância…

1. A freira caminhava em direção à janela. Traçava uma curva desnecessária e se dirigia aos pés da cama de Jessica. 2. O lógico é que

caminhasse diretamente para a sua cama. Tratava-se de um holograma ou de uma projeção? Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

– Você se lembra se ela se posicionou em outro lugar que não fosse aos pés da cama?

– Ela sempre fazia o mesmo caminho e terminava no mesmo ponto. Nunca mudava de lugar.

– Alguma vez ela baixou as mãos?

– Nunca. Sempre as mantinha na altura do peito, com o terço entre os dedos.

– Pestanejava?

– Sim.

 

Anos depois, em 2005, quando Jessica residia nos Estados Unidos, aconteceu algo que a deixou

perplexa.

 

– Fui assistir a uma palestra. Alguém falava sobre anjos… Então uma senhora se aproximou e

perguntou se eu acreditava em santos… Apontou as minhas costas e comentou: “Você tem uma freira do

seu lado. É sua protetora”. Pegou um santinho e mostrou-me… Fiquei petrificada… Era a freira que eu

tinha visto no hospital, na Colômbia!…

Jessica me mostrou a pequena figura. Era a imagem de Teresa de Lisieux, Marie-Françoise-Thérèse,

conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus.[1]

– Tem certeza de que é a freira que visitava você?

– Cem por cento…