Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 38 de 102

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Estou Bem

“Caramba!… Que bofetada!”

A experiência vivida por Lola Heredia com seu tio falecido em Nova York, em 1980, poderia

justificar os não menos estranhos acontecimentos ocorridos meses depois, em 1981, também na

Catalunha, Espanha.

Ela me contou com detalhes:

 

A primeira experiência – se é que pode ser chamada assim – teve lugar no verão de 1981…

Meu tio, como disse, morreu no dia 24 de setembro de 1980, e eu me casei no dia 26 de dezembro

desse mesmo ano…

Morávamos na Carrera del Clot, 81, Barcelona…

Era um apartamento antigo, de teto alto…

As instalações também eram velhas, mas pareciam bem conservadas…

Tinha uma banheira grande e bonita. Acostumei-me a banhar-me nela em vez de no chuveiro…

Nesse dia eu tomei banho e, sem me enxugar, peguei o secador com a intenção de secar o cabelo…

Eu o liguei e, quando tinha passado 1 minuto, mais ou menos, recebi uma tremenda bofetada na cara,

do lado esquerdo…

Caramba!… Que bofetada!

Ao olhar-me no espelho, vi as marcas de uma mão na cara…

Assustei-me. Não havia ninguém em casa…

Deixei cair o secador…

Estava desconcertada…

E saí do banheiro, para ver quem estava no apartamento…

Foi uma volta inútil. Não havia ninguém em casa, e eu sabia disso. Simplesmente estava sozinha…

Voltei ao banheiro…

Olhei-me novamente no espelho, perplexa…

As marcas eram nítidas…

A bofetada tinha sido forte…

Descobri uma poça de água (onde eu estava secando o cabelo)…

A tomada, que estava instalada perto do chão, à esquerda, soltava faíscas…

O secador tinha deixado de funcionar…

Compreendi…

Tendo em conta a poça de água mais a tomada soltando faíscas, sabe-se lá o que poderia ter

acontecido se eu continuasse lá…

E lembrei-me das palavras do meu tio Manolo: “Esteja onde estiver e com quem estiver, sempre

estarei com você”.

Mensagem recebida.[1]

 

O segundo evento registrou-se meses depois, também em 1981.

Naquela manhã saí do mercado, bem perto da Cerrera del Clot…

Se é que me lembro bem, eu tinha comprado três quilos de laranjas. Caminhei até a rua onde morava e

fiquei na calçada da esquerda.

Como era de costume, conforme caminhava eu pensava no meu querido tio Manolo…

Ao chegar à altura da antiga delegacia de polícia, quis atravessar a rua para chegar à calçada da

frente…

Suponho que fosse para comprar pão. Ali em frente à delegacia de polícia abrira uma doceria…

Eu seguia, absorta em meus pensamentos sobre o meu tio Manolo e aquela assombrosa presença…

 

Lola “voou” 6 metros. Teria sido seu tio, falecido há um ano, quem a empurrara? Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

Fui atravessar e, de repente, senti duas mãos nas minhas costas…

Empurraram-me, e o fizeram com tanta violência que voei – literalmente – até o outro lado da

calçada…

Caí de joelhos e mãos abertas…

Não me machuquei…

Quando me levantei, vi um caminhão de carga, que tinha freado na metade da rua…

As laranjas rolavam, sem rumo, pela calçada…

E vi um policial que se aproximava. Estava pálido…

Pensei que havia sido ele quem tinha me empurrado e tratei de agradecer-lhe…

A verdade é que não vi o caminhão…

A surpresa chegou quando o policial comentou: “Garota, veja só, não sei o que aconteceu aqui…

Apenas vi o caminhão e você atravessando a rua… E de repente eu a vi voar pelos ares… Agradeça, mas

não a mim… Não fui eu quem a empurrou…”.

Então… quem foi?

E lembrei-me de novo das palavras do meu tio: “Sempre estarei com você…”.

 

Ao fazer as devidas medições, comprovei que Lola havia “voado” 6 metros (distância entre as

calçadas).