Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 35 de 102

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Estou Bem

“Eu conheço esse senhor”

Virgilio Sánchez-Ocejo é um amigo muito querido. Vive nos Estados Unidos. É cubano.

Compartilhamos de uma mesma paixão: o estudo e a investigação do fenômeno dos óvnis.

Virgilio sempre me ensinou muito e sempre com carinho e uma paciência comovedora.

No dia 23 de setembro de 2012, quando regressávamos de uma das averiguações, em Fort Pierce,

Flórida, meu amigo fez uma confissão. E me autorizou a torná-la pública, se fosse necessário.

O acontecimento ocorreu em Miami, no ano de 1997.

– Meu neto Rigo estava com cinco anos de idade – explicou Virgilio. – Era fim de semana. Eu estava

na cama. María Elena, minha esposa, estava no térreo, preparando o café da manhã…

“Nesse dia, não me lembro por quê, Rigo se encontrava em casa…

“E subiu até o quarto principal…

“Entrou no dormitório, ficou olhando uma fotografia que tínhamos sobre a mesinha de cabeceira e

comentou: ‘Eu conheço esse senhor…’

“A foto em questão é muito antiga. Nela se veem meu pai e o escritor Ernest Hemingway num

restaurante cubano muito famoso, chamado La Floridita. Meu pai conheceu Hemingway na Havana Velha.

Viam-se com frequência no dito restaurante. Ali jogavam dados. Meu pai apresentou a ele um irmão seu,

Gerardo, grande pescador de peixe-espada…

“Eu olhei para meu neto com estranheza. Era a primeira vez que Rigo via essa fotografia. Tínhamos

acabado de nos mudar para essa casa…”

 

Rigo. (Cortesia da família.)

 

“Então perguntei: ‘Qual deles?’

“Rigo, sem hesitar, se adiantou e colocou o dedo sobre a imagem do meu pai…

“Fiquei assombrado.

“Meu pai faleceu em 30 de janeiro de 1990, e Rigo nasceu no dia 23 de outubro de 1992…

“Não era possível.

“Insisti, e meu neto assinalou de novo o meu pai.

“E esclareceu: ‘Ele vem todos os dias para brincar comigo… Ele é meu amigo’.

“Como já disse antes, Rigo vivia em outro lugar da cidade. Nunca tinha visto aquela foto…”

– E ele explicou algo mais?

 

Fotografia em que Rigo identificou o seu “amigo”, o pai de Virgilio Sánchez-Ocejo (à esquerda). Ao seu lado, Hemingway (1957 ou 1958), no

restaurante cubano La Floridita. (Cortesia da família.)

 

– Não. Simplesmente disse que o “homem da fotografia brincava com ele diariamente”. Nem sequer

sabia que esse senhor era meu pai…

Nos dias de hoje – quinze anos depois da referida experiência –, Rigo não se recorda mais do seu

“amigo” de infância.

 

Virgilio Sánchez-Ocejo, entrevistado por J. J. Benítez. (Foto: Blanca.)