Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 34 de 102

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Estou Bem

Outra vez a magia dos sonhos

Conheci Juanjo Infante e Luisa, sua esposa, em 15 de fevereiro… Não podia ser de outra forma.[1]

Conversamos muito.

Contaram-me algumas experiências que não têm explicação à luz da razão. Contudo, como eu disse,

que importância tem a lógica se a experiência é real…

Começarei por um dos sonhos de meu homônimo.

– Aconteceu numa noite, entre janeiro e março de 2002…

A conversa foi dolorosa, mas Infante e Luisa resistiram.

– Nesses momentos – prosseguiu Juanjo –, quando ocorreu o sonho, nossa filha Alba tinha quatro

anos… O caso é que ela já vinha há um bom tempo pedindo um irmãozinho… Porém, Luisa só ficou

grávida em maio de 2002.

As datas eram importantes, e Juanjo pediu que eu prestasse atenção nelas. E foi isso que fiz…

– O sonho aconteceu entre janeiro e março de 2002 – repeti –, e Luisa só ficou grávida em maio desse

mesmo ano…

O casal assentiu.

– Pois bem – continuou Juanjo. – Vamos para o sonho propriamente dito. Eu me encontrava sentado em

um banco metálico de cor verde… Sei que era uma estação ou, para ser mais preciso, uma estação de

trem…

 

Juanjo Infante (Foto: Blanca.)

 

– Em que lugar?

– Não sei. O banco era parecido com os que eu havia visto no bairro onde cresci… Era de dia. O sol brilhava. Deveria ser perto do meio-dia. Lembro-me de que me envolvia um sentimento muito intenso,

uma mistura de nostalgia, dor e resignação…

– Por quê?

– No sonho, eu sabia que nossa filha Alba estava morta…

– Mas nesse tempo a menina vivia…

– Sim.

Deixei que ele continuasse.

– Eu tinha um bebê em meus braços. Encontrava-se vestido com um casaquinho de tricô branco. Era o

mesmo que havia agasalhado Alba quando era bebê. Reconheci a roupa…

 

Alba, com Alejandro. (Cortesia da família.)

 

“Não sei como explicar… No sonho eu sentia que amava muito aquele bebê. Era meu. Melhor dizendo,

nosso. Esqueci-me de dizer que Luisa, minha mulher, também estava no sonho.”

Juanjo Infante voltou aos detalhes:

– A estação de trem não era muito grande. Deveria medir 30 ou 40 metros de comprimento por 5 ou 6

metros de largura. Dispunha de um pequeno terraço que proporcionava sombra, justamente sobre nossa

cabeça. A construção se erguia às minhas costas. Era uma estação típica das aldeias da serra de Sevilha,

muito rústica, com os batentes das portas ainda por terminar…

Infante – como se pode notar – trabalha em construção.

– Eu via somente a borda da plataforma, sem chegar a avistar os trilhos do trem. Tampouco vi algum

trem. Em frente, se erguia um grupo de árvores, altas, e que se moviam por causa do vento…

Infante fez uma pausa e comentou, quase para si:

– Não entendo por que recordo os detalhes e, no entanto, o rosto do bebê está em branco… Não

consigo recordar os traços dele…

– Nada?

– Absolutamente nada… Então eu disse algo absurdo: “Tem que ver se o bebê se parece com sua irmã!

Está vendo?”

“O sonho terminou aí.”

– Deixe-me ver se eu entendi. No sonho, Alba já estava morta…

– Isso mesmo, mas a menina faleceu realmente meses depois, no dia 15 de fevereiro de 2003, e de

maneira repentina e inesperada.

– E quanto ao bebê que você sustentava nos braços…

– No momento do sonho, nem sequer havia sido concebido. Luisa, como eu lhe disse, ficou grávida em

maio de 2002.

– E quando o bebê nasceu?

– Alejandro veio ao mundo no dia 13 de dezembro desse ano. Alba havia pedido o irmão e nós

tentamos durante três anos.

– Nesse tempo [entre janeiro e março de 2002], você tinha alguma suspeita sobre a enfermidade de

Alba?

– Nenhuma. A sépsis estreptocócica que a levou se manifestou no início de fevereiro de 2003. Minha

filha ainda viveu dez dias. Em resumo: nas horas que antecederam a noite do sonho, não houve nenhum

fato, circunstância, filme ou notícia que pudesse ter afetado meu subconsciente, no sentido de anunciar

algo no sonho que iríamos perdê-la. O elemento principal do sonho foi o bebê que eu sustentava nos

braços.

– Qual é a sua opinião sobre o sonho?

– Foi uma dupla premonição…

 

É o que eu disse: existem sonhos mágicos.