Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 68 de 102

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Estou Bem

“Você é Deus?”

Nieves tinha este costume. Gostava de dormir com uma arma debaixo do colchão.

Durante a madrugada, pensou na arma. Deveria usá-la? No entanto se conteve.

Na realidade, não foi necessário…

A primeira vez que Nieves Cruz me relatou aquela desconcertante e dura experiência foi em agosto de

1986. Assim consta no caderno de campo correspondente.

– Naquele tempo – contou Nieves –, maio de 1969, estávamos em Antígua, no Caribe. Meu marido

tinha sido transferido para a estação de rastreamento da Nasa na referida ilha.

“Nessa noite já estávamos deitados… Deveria ser meia-noite ou 1h da manhã… Tudo parecia

tranquilo, com exceção do cachorro…”

– O que estava acontecendo?

– Naquele momento nós não sabíamos… Ele latia com fúria… Estava fora da casa e corria de um lado

para outro… Estava muito inquieto… Depois entendemos…

E Nieves prosseguiu o seu relato:

– Alexis, nosso filho, tinha então dezoito meses. Dormia num quarto ao lado do nosso. Tínhamos como

costume deixar a luz do corredor acesa, porque se ele chorasse… Lembro-me de que a babá do bebê

estava de descanso aquela noite… Então senti que alguém tocava o meu pé direito…

Nieves corrigiu:

– Melhor dizendo, não me tocou: sacudiu-me… Despertei, assustada… A primeira coisa que pensei foi

que havia entrado um ladrão… E lembrei-me da arma…

 

Nieves Cruz. (Foto: Blanca.)

“Era alguém alto… Encontrava-se aos pés da cama… Contudo, o véu do mosquiteiro não permitia vê-

lo claramente…

“Levantei-me e perguntei em inglês: ‘O que você quer? O que quer?’.”

– E seu marido?

– Continuava dormindo, como um anjo… O vulto, então, respondeu em espanhol: “Não se assuste”.

– Em espanhol?

– Sim, e eu perguntei aterrorizada: “Você é Deus?” E o vulto replicou: “Não, sou seu padrinho…”

A mulher fez uma avaliação:

 

Blanca, em frente à casa onde se apresentou o padrinho de Nieves. (Foto: J. J. Benítez.)

 

– Então eu reconheci a voz de Juan Martín, meu tio e padrinho… Era uma voz especial.

Inconfundível… Era uma voz rouca e quebradiça… Eu a distinguiria entre dez mil outras…

“E perguntei novamente: ‘O que você quer?’…

“‘Que mande rezar uma missa para mim’, respondeu…”

Nieves deu outro esclarecimento:

– Eu era cética… Para dizer a verdade, eu não acreditava em nada…

– E o que houve depois?

– A sombra ou o vulto desapareceu… Eu fiquei petrificada…

– Onde vivia o seu padrinho?

– Na Ilha Cristina, em Huelva, Espanha.

– Que notícias você tinha dele?

– Nenhuma. Fazia anos que eu não o via.

– Você sabia que ele estava morto?

– Não.

– E o que você fez?

– Naquela manhã, fui à uma igreja católica e mandei rezar uma missa…

– Mas, se você não acreditava em nada…

Igreja católica de St. Joseph, na ilha de Antígua. (Foto: Blanca.)

 

 

Nieves sorriu, marotamente, e esclareceu:

– Pelo sim, pelo não… Mas não tive sorte. Todas as horas estavam ocupadas… Insisti… Pagaria o que

fosse necessário… E então se fez o milagre… Pude encomendar uma missa para essa mesma tarde e

outra para o mês seguinte, dia 27 de junho…

E voltei tranquila para casa.

Naquela noite eu me deitei e, mais ou menos na mesma hora, alguém tocou meu ombro…

– O cachorro continuava alterado?

– Sim, muito agitado. Queria entrar em casa…

– Sacudiram você novamente?

– Sim, como da primeira vez, mas no ombro direito… Levantei-me e vi aquela sombra ou vulto…

Naquela ocasião se encontrava à direita da cama, bem perto de mim…

– Você observou algum detalhe?

Aparições de Juan Martín à sua afilhada, Nieves Cruz, na casa na ilha de Antígua, no Caribe. Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

– Nenhum. O véu do mosquiteiro não me permitia ver com clareza… Era um vulto alto… Tinha 1,80

metro de estatura, mais ou menos…

– Qual era a altura do seu tio?

– Era mais baixo.

– E o que houve depois?

– “O que você quer?”, voltei a perguntar. “Não se assuste”, respondeu. “Sou eu… Obrigado…” E

desapareceu novamente.

 

Mais de 6 mil quilômetros separam Antígua, no Caribe, da Ilha Cristina, em Huelva, Espanha.

 

Após quinze dias, Nieves recebeu uma carta procedente da Ilha Cristina. Nela vinha a comunicação do

falecimento de seu padrinho. A morte aconteceu, justamente, quando se registrou a primeira presença.

Sabe-se que Juan Martín, primo-irmão da mãe de Nieves, tinha sido um homem muito religioso. Fora

irmão maior da confraria da Virgen del Carmen e tinha sido enterrado com o hábito de Jesús del Gran

Poder. Em Huelva, dedicaram-lhe numerosas missas.