Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 72 de 102

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Estou Bem

O Cadillac

Eu me predispus a não fazer comentários sobre os casos aqui expostos, pelo menos até o final, mas em

certos momentos, como no sonho de Verónica, acaba sendo difícil.

Resistirei…

Verónica González vive nos Estados Unidos. Tinha 26 anos quando isto aconteceu.

Eis o que ela me contou:

– Sonhei que era sábado à noite… Toda a família estava reunida na casa dos meus pais… Não me

lembro do mês, mas acho que era verão… Fazia calor… Meus filhos – Alexander e Brianna – brincavam

no quarto com seus primos Nicholas, Christopher e Kevin… Na minha frente estavam sentados a minha

irmã, Normita, e meu cunhado, Ángel… Do meu lado esquerdo se encontrava Francisco, meu pai… Do

lado direito, meu esposo, Óscar… Norma, minha mãe, estava atarefada, andando de lá para cá na

cozinha… Acho que estava fazendo café… Todos nós estávamos muito felizes…

“Assim que terminamos a sobremesa, bateram à porta… Mamãe foi abrir… Surpresa! Ali estava a

minha avó, Floralia Alonso… “Como é possível?”, disse para mim mesma no sonho… Minha avó tinha

morrido há dois anos… Com ela, à sua esquerda, se apresentava um sacerdote ou monge…

“Eu não o conhecia.

“Minha mãe, chorando, a abraçou e a levou até a sala de jantar… Ninguém podia acreditar que

estivesse ali… E a vovó abraçou e cumprimentou a todos…

 

Verónica. (Cortesia da família.)

 

“Quando terminou, sentou-se ao meu lado… Estava feliz… Eu olhava para ela e chorava… Abracei-

a… Tentava inclusive sentir o seu perfume… Toquei seu rosto para confirmar que era ela…

“Era ela!… Tinha um corpo físico!… A vovó sorria e me abraçava…” “– Macorina (era dessa forma

que ela me chamava) – disse minha avó –, como está se sentindo?…

“Eu tinha sofrido recentemente uma intervenção cirúrgica e respondi:

“– Vovó, fiquei muito nervosa e preocupada durante a cirurgia… “Ela sorriu novamente e replicou:

“– Sei disso, mas tudo saiu bem… Eu estava ali desde que anestesiaram você… Senti sua

preocupação…

“E comecei a dizer-lhe que eu a amava muito… Não queria que ela partisse…”

– E o monge? – eu perguntei, sem conseguir me conter.

 

Flora, avó de Verónica. (Cortesia da família.)

 

– Continuava ali, em silêncio.

– Mas, quem era ele?

– Eu não sabia e então perguntei a minha avó… Ela respondeu:

“– Você não o conhece?

“Eu lhe disse que não…

“– É o padre Pío…”

– Você sabia quem era?

– Não tinha a menor ideia… E a minha avó acrescentou:

“– Ele estava comigo quando operaram você… Ele faz milagres…

“E, depois de algum tempo, Floralia anunciou:

“– Bem, tenho que ir…

Eu os amo muito e nos veremos em breve…”

“Eu não queria que ela partisse… Tinha tantas coisas para lhe perguntar… Eu os acompanhei até a

parte de fora da casa… Ali encontrei um carro, um velho Cadillac amarelo-claro… Estava estacionado

na rua…”

– Você já tinha visto esse carro?

– Não.

– E o que você fez no sonho?

– Corri em direção ao carro… Não queria que ela fosse embora… Olhei por uma das janelas… Estava

aberta… No assento da parte de trás se encontravam minha avó Flora, meu bisavô Felipe Fiallo e uns

tios de Miami que eu não conhecia… A pessoa que dirigia era meu avô Rubén Alonso… Ao lado do motorista ia o tio Filiberto…

– Mortos?

– Todos…

E Verónica prosseguiu, tão perplexa como eu:

 

Desenho de Verónica com a distribuição dos “passageiros” no Cadillac.

 

– Não podia acreditar no que via… Todos eram jovens… Minha avó aparentava ter 25 anos… Todos

estavam felizes e alegres. Pareciam cheios de vida… Então, minha avó disse:

“– Temos que ir… Vamos dançar.”

“Despediram-se, o carro arrancou e se foram…”

O sonho terminou aí.

Algum tempo depois, em setembro de 2006, Norma, a mãe de Verónica, mostrou uma fotografia do

padre Pío para sua filha.

– Senti um arrepio… Era o sacerdote que eu tinha visto no sonho…[1]

Padre Pío.

(Foto: © Sergio Gaudenti / Corbis Kipa.)