Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 29 de 102

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Estou Bem

Saiu pela janela

Medina é outro guarda-civil que conheço há muitos anos.

Ele vivia em Marbella, na província de Málaga, Espanha, quando teve a primeira experiência.

No dia 31 de agosto de 1998, ele a contou para mim.

Eis aqui uma síntese da gravação:

 

– Eu tinha onze anos. Meu avô, Manuel Vaquero, era quem cuidava de mim. Ele me levava para a

escola… Estava o dia inteiro com ele. Numa certa ocasião viajou para Sevilha, para ver alguns

familiares, e ficou doente. Morreu no dia 15 de setembro de 1981. Quando ele faleceu, eu não cheguei a

vê-lo. Pois bem, na semana seguinte, no dia 22 de setembro, tarde da noite, eu me encontrava dormindo

no quarto que havia sido dele, em Marbella.

– Você estava sozinho?

– Sim, na cama dele. Eu me estiquei e resvalei em um corpo.

Medina recordava o acontecimento com clareza.

– Levei um susto que quase morri. E pensei rapidamente: “Meus pais estão no outro quarto…”. Abri os

olhos e me encontrei a dois palmos do meu avô… Vi seu rosto… Estava recostado na cama, no canto

direito, olhando-me.

Estava coberto com a manta e o lençol… Só se via a sua cabeça.

– Em que lugar da cama?

– Olhando pelos pés da cama, do lado direito. Estava com seus óculos, que usava diariamente. Isso me

causou estranheza. Ele nunca os colocava quando estava na cama…

 

Manuel Medina e seu avô. (Cortesia da família.)

– E o que aconteceu?

– Ele estava com os olhos bem abertos… Olhava-me com carinho. Não consegui resistir e gritei…

Então ele desapareceu… Meus pais chegaram, e ali não havia mais nada.

– Mas… e a cama? Dava para notar que alguém tinha deitado nela?

– Não, estava tudo normal.

– Seu avô apoiava a cabeça no travesseiro?

– Sim.

Manuel Vaquero morreu aos 81 anos, em consequência de um câncer no esôfago. Foi enterrado em Dos

Hermanas, Sevilha.

– Qual era a sua aparência?

– A de sempre, como eu o conhecia.

– Quanto durou a experiência?

– Eu o contemplei por vários segundos, mas não sei lhe dizer há quanto tempo estava na cama deitado.

E só despertei porque, ao me esticar, eu o toquei.

A traumática experiência repetiu-se duas semanas depois.

Foi em outubro do referido ano de 1981.

– Eu me encontrava na cama, no mesmo quarto. Era por volta da meia-noite ou da 1h… Estava

dormindo profundamente… E, de repente, despertei… Então eu vi meu avô de novo… Ele entrou pela

porta e se deteve perto da cama… Apresentava uma luz branca ao seu redor…

Pedi detalhes, e foi isto que Medina explicou:

 

Manuel Vaquero, avô de Medina. (Cortesia da família.)

 

– Era uma luz branca… Ele se encontrava no interior dessa luminosidade… Não era muito intensa…

Podia-se contemplá-la sem que ferisse os olhos… A luz sobressaía a uns 20 centímetros do corpo…

– Incluindo a cabeça?

– Sim. Estava vestido totalmente de branco… Calça, camisa, bem como os sapatos, tudo muito

branco… Chamou-me a atenção porque ele nunca se vestia assim… Normalmente ele usava roupas

escuras… E mais: ele nunca teve em vida calça e sapatos brancos…

– E o que aconteceu depois?

– Ele sorria… Eu o vi mover os lábios… Sei que falou comigo, mas não me lembro sobre o quê…

Estava com os óculos, os da primeira vez… Não se moveu… Manteve-se na mesma posição… Os braços apareciam esticados ao longo das pernas… Eu fiquei contemplando-o durante 1 minuto… A princípio

pensei que fosse meu pai… Talvez ele tivesse acendido a luz… Depois compreendi: era o meu avô…

Mas ele estava morto!… E acabei gritando como na vez anterior… Então o meu avô e a luminosidade se

transformaram em uma bola de luz, que se dirigiu à janela, desaparecendo…

– Estava aberta?

– Não. A janela estava fechada e a persiana tinha sido baixada. O tempo estava feio… Chovia… Meus

pais foram até meu quarto e vimos a janela aberta e a persiana subida até a metade… Como era possível?

– Tinha cortina?

– Sim, e estava puxada.

– Em que momento ele se transformou em uma bola de luz?

– Quando gritei. Foi instantâneo.

– Algum outro detalhe chamou a sua atenção?

– Só a roupa e o fato de que ele flutuava no ar…

– Não entendo.

– Meu avô não era muito alto. Deveria medir mais ou menos 1,65 metro. No entanto, ele quase tocava

o teto do dormitório. A cabeça estava na altura do batente da porta, isso quer dizer a 1,80 metro do

chão…

Fizemos os cálculos e chegamos à conclusão de que a imagem do seu avô se encontrava a 20 ou 25

centímetros do chão, flutuando.

 

Primeira e segunda aparição para Manuel Medina, quando era criança. Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

Insisti para que Manuel detalhasse a vestimenta, e ele puxou pela memória:

– A camisa era de botões e colarinho. Parece que todos os botões estavam abotoados… Estava com

cinto, também branco… Meu avô não tinha em vida nenhum cinto branco… Manga longa…

O deslocamento da “luz” foi vertiginoso, na horizontal e em direção à janela… Naturalmente, o

guarda-civil não tem explicação para nenhuma dessas aparições. Quem abriu a janela? Quem levantou a

persiana? Quem puxou a cortina?

O jovem Medina sofreu outro ataque de nervos, com razão.