Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 91 de 102

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Estou Bem

María Cid

María Cid Domínguez nasceu em 1896.

Foi uma [1] barbateña como poucas.

Sua força moral era inesgotável.

Sua voz era potente e clara.

Era a mais velha de cinco irmãos.

Soube dar rumo à família e a fez seguir em frente.

Tornou-se armadora de barcos.

Viajava de trem até Barcelona, Alicante e outras cidades em busca de provedores de redes, cortiças e

demais instrumentos ou coisas necessárias para a pesca.

Nada a detinha.

E sabia dividir o trabalho com a leitura. Toda tarde sentava-se à porta de casa e lia em voz alta. Ali ao

seu lado se reuniam amigos e parentes e quem desejasse escutar suas histórias.

Casou-se muito jovem e foi a cabeça pensante do seu lar.

Mas um dia sua felicidade acabou…

Entrou em trabalho de parto. Era seu sexto filho. O menino morreu, e María Cid faleceu poucos dias

depois. Tinha 43 anos de idade. Isso aconteceu no dia 20 de novembro de 1939.

Seu espírito, no entanto, ficou presente na família. Cada vez que era preciso tomar uma decisão, os

homens e as mulheres pensavam nela. María continuava sendo a alma da casa.

E o tempo passou…

 

María Cid. (Cortesia da família.)

 

Entretanto, onze anos depois, em setembro de 1950, a tripulação de um pesqueiro com base em

Barbate e que batizaram como María Cid, em memória da grande lutadora, viveu uma experiência grave e insólita.

Deveria ser por volta das 6h da manhã…

O [2] María Cid esteve pescando nos pesqueiros marroquinos, como era de costume…

Saiu de Tânger, no Marrocos, rumo a Barbate, e se viu surpreendido por um forte temporal vindo do

sudeste…

O barco tinha boa navegabilidade e conhecia bem os vendavais…

O capitão – Diego Varo – era um dos filhos da lendária María Cid…

E, então, o motor falhou…

O pesqueiro ficou à deriva e à mercê do temporal…

A tripulação ficou nervosa…

E, nisso, alguém deu um aviso: um navio mercante se aproximava do María Cid direto para uma

colisão…

O pânico foi geral…

O navio mercante poderia afundá-los…

O motor não respondia…

E os marinheiros, desesperados, lançaram-se à água…

Foi então que Diego Varo conteve seus homens…

– Minha mãe está na ponte de comando! – gritou ele, ao mesmo tempo que mostrava a cabine do

timoneiro. – Acalmem-se!

Isso mesmo. María Cid estava no timão. Vestia uma capa de chuva verde…

O barco então recuperou o motor e se esquivou do cargueiro…

Quando a tripulação reagiu, a “timoneira” tinha desaparecido…

Horas depois o pesqueiro entrava em Barbate, com todos sãos e salvos…

A notícia correu como pólvora: a Virgen del Carmen e María Cid tinham feito um milagre…

 

O María Cid, saindo do porto de Barbate. (Foto: Lemos.)

Diego Varo Cid, capitão do María Cid e filho de María Cid. (Cortesia da família.)

 

Em 2 de novembro, Dia de Finados, o padre López Benítez, pároco da Igreja de San Paulino, celebrou

uma missa em agradecimento pelas graças alcançadas.[3]

O que o povo não soube é que nessa madrugada, na mesma hora em que o María Cid se encontrava em

apuros, a dita localidade de Barbate registrou outros acontecimentos, não menos misteriosos…

O primeiro foi vivido por Antonia Varo, também filha de María Cid.

Ocorreu na Rua Vázquez Mella, perto da praia…

De repente, por volta das 6h da manhã, ela foi despertada por uma mulher. Encontrava-se ao pé da

cama…

O marido de Antonia se encontrava na padaria, trabalhando…

A mulher fez sinais para que ela levantasse…

Antonia, alarmada, obedeceu…

E a mulher saiu da casa…

Antonia a viu descer à costa…

Estava vestida de negro, com o cabelo preso. Pensou que fosse a senhora da limpeza…

E a mulher de negro entrou na casa de sua irmã Ana, na mesma Rua Vázquez Mella…

E Antonia se dirigiu para lá…

Ao entrar na residência, descobriu que Ana estava acordada.

– Uma senhora – disse ela – acaba de me despertar.

Horas depois, quando Pepita apareceu, a verdadeira mulher da limpeza, as três ficaram confusas.

Pepita jurou por tudo o que é mais sagrado que não havia despertado ninguém e que acabara de sair de

sua casa…

Quem era então a mulher de negro e cabelo preso que acordou Antonia e Ana?

María Cid se vestia assim.

Da esquerda para a direita: Antonia Varo Cid, Juan Márquez (marido de Antonia), Ana e Pepa, irmãs de Antonia. (Cortesia da família.)

 

Nessa mesma madrugada, na hora do possível acidente com o pesqueiro, e da misteriosa presença da

mulher de negro, uma terceira irmã de Varo, Pepa, que morava na cidade de Sevilha, acordou

sobressaltada…

E pensou: “Alguma coisa aconteceu com a minha família”…

Não se equivocou.

Barbate se encontra a 180 quilômetros de Sevilha…

Nessa manhã, como disse, o María Cid chegou ao porto.

Os feitos me foram relatados por Pepa Varo, María José Reyes e Cándida Márquez, filha e netas de

María Cid, respectivamente.