Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 57 de 102

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Estou Bem

Sombras, nada más

A grande paixão de Armando Vivas foram as rancheiras[1] [2] , estilo Javier Solís. E não hesitava em

demonstrar…

A experiência com Armando quem me contou foi Milagro de Luz Arriaga, já mencionada em páginas

anteriores.

 

Em janeiro de 2012 – explicou Milagro – meu tio Armando passou alguns dias conosco, nos Estados

Unidos…

Foram cinco dias inesquecíveis. Passava o dia cantando músicas do estilo de Solís. Sombras, nada

más era uma de suas favoritas…

Tinha uma voz espetacular…

Cantava 25 horas por dia…

A questão é que o tio Armando regressou para a Venezuela e faleceu logo depois, em fevereiro desse

mesmo ano…

Morreu de infarto…

Passaram-se algumas semanas e, um belo dia, encontramos o carteiro da região na rua…

– Vocês são do apartamento 109? – perguntou ele…

Nós lhe dissemos que sim…

Então, o carteiro comentou:

 

Tio Armando. (Cortesia da família.)

 

– Como o senhor do apartamento 109 canta bem! Eu o escutei há alguns dias… Cantava rancheiras.

– É o meu tio Armando – respondemos. – Pena que ele se foi…

– Ele foi embora? – perguntou o carteiro…

– Sim, para sempre…

– Que pena! Não voltará mais?…

Nós nos olhamos, atônitas…

– Não – esclarecemos. – O tio Armando morreu…

– Quando ele morreu?…

 

Javier Solís. Até os mortos o imitam.

 

– Em fevereiro…

O carteiro empalideceu e disse:

– Isso é impossível… Eu o ouvi cantar na semana passada.

Desta vez, quem empalideceu fomos nós…