Estou Bem

J. J. Benítez · Capítulo 82 de 102

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Estou Bem

Suspensórios de cor vinho

Pode ser que eu esteja equivocado. Não sei…

No tema dos “ressuscitados”, os testemunhos dos médicos sempre me pareceram especialmente

atrativos. Vejamos um que me impactou:

José Aldrich é um reconhecido reumatologista.

Vive nos Estados Unidos.

Mantive várias conversas com ele.

Eis aqui uma síntese de sua vivência, que foi muito especial:

– Meu pai – relatou José – chamava-se José Joaquín Aldrich Fábregas. Era médico também…

“Faleceu no dia 6 de setembro de 1998, às 5h30…

“Eu estava com ele…

“A causa da morte foi uma arritmia cardíaca…

“Nesse dia, mais ou menos por volta do meio-dia, quando acompanhávamos minha mãe até sua casa,

meu pai se apresentou…

“Minha mãe se sentiu cansada e decidiu sentar-se em um banco…

“Nós nos encontrávamos em um corredor envidraçado…

“Então, na rua, eu vi uma grande luminosidade…

“Era uma espécie de meia laranja de cor branca, muito intensa…

“Estava no chão…

“Deveria medir 4 ou 5 metros de diâmetro e 3 de altura…

 

Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

“Aquilo estava muito perto do corredor…

“E ali descobri meu pai, entre a semiesfera e os vidros do corredor…

“Estava me olhando…

“Fiquei perplexo. Fazia sete horas que tinha morrido…

“Ele parecia feliz…

“Levantou o braço esquerdo e me lançou um beijo…

“Esfreguei os olhos, pensando que estava tendo visões. Mas não. Aquilo era real…

“Depois ele ergueu o braço direito, despedindo-se…

“Deu meia-volta e se dirigiu para a cúpula luminosa…

“E aí desapareceu…”

– Vamos por partes – interrompi. – Como era a meia laranja?

– Luminosa, de um branco forte, mas se podia olhar sem ferir os olhos.

Pedi novamente as dimensões e Aldrich repetiu o que havia dito: 4 ou 5 metros de diâmetro e outros 3

de altura, aproximadamente. O pai encontrava-se a 5 metros de José.

Eu lhe pedi que desenhasse o corredor e a posição dessa “meia-lua”, assim como a localização do pai.

Como eu já disse, compreendo somente o que posso desenhar…

– Era uma cúpula (?) muito singular – acrescentou Aldrich. – Era opaca, não se via através dela. Por

trás havia carros estacionados na rua, mas não era possível distingui-los.

O médico procurou algo similar para continuar a explicação.

– Parecia água sólida. Você se lembra do filme Stargate?

– Sim.

– Então, por isso perguntei… Era como um sólido aquoso.

– Qual foi a impressão que você teve?

– Não interpretei isso como um veículo. Para mim, mais parecia um “portal”… Uma forma de passar

de um lado para o outro.

 

Dr. Aldrich (à esquerda) com seu pai. (Cortesia da família.)

 

– Você está pensando em outra dimensão?

– Sim.

– Vamos começar de novo. Seu pai havia falecido e você se encontrava na casa de sua mãe…

– Isso mesmo. Minha mãe sofria de um severo Alzheimer. Meus irmãos e eu estávamos acompanhando-

a. E por volta do meio-dia ou meio-dia e meia, quando atravessamos o referido corredor envidraçado,

minha mãe se sentiu cansada e optou por sentar-se em um banco.

– Chovia?

– Não, mas havia nuvens altas no céu, de tempestade. Foi nesse momento, ao sentar-se, que eu vi a

meia laranja. Estava muito perto de casa. E ali, entre a cúpula luminosa e o corredor, meu pai se

apresentou…

– Ele morreu às 5h30…

– Isso mesmo. Eu estava com ele. E eu o acompanhei até às 8h da manhã.

– E você me disse que seu pai estava feliz…

 

Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

Caderno de campo de J. J. Benítez.

 

– Mostrava um enorme sorriso, como se fosse o dia mais feliz de sua vida.

Aldrich pensou no que ia dizer e se expressou com total segurança:

– Se há algo que me deu tranquilidade foi essa sua expressão facial de felicidade. Tinha tudo: beleza,

amor, paz… Sinto muito: não sei descrever.

– Em que momento você o viu pela primeira vez?

– Quando ajudava minha mãe a se sentar. Como eu disse, esfreguei os olhos. Ali estava ele, do outro

lado do vidro, olhando-me. Tinha os braços caídos e a mão esquerda sobre a direita. O sorriso era

maroto, como de alguém que sabe que irá me fazer uma surpresa…

– Fale-me de sua aparência.

– Aparentava uns 45 anos. Meu pai tinha 82 quando faleceu. Eu o vi em plena forma. Cabelo preto,

com alguns fios brancos, bigode ligeiramente branco e os dentes, perfeitos, como os seus…

– Não entendo.

– Ao morrer, meu pai usava dentadura postiça. Não havia separação entre os dentes. Quando eu o vi,

depois de morto, sim, essas separações existiam. Os dentes, portanto, eram os seus.

– Como estava vestido?

– Usava uma camiseta polo branca, de manga curta, com gola e botões. Sua calça comprida era bege,

com suspensórios. Eram seus suspensórios habituais, muito chamativos: avermelhados (cor de vinho), de

4 ou 5 centímetros de largura, e faixas exteriores também cor bege.

– Ele usava suspensório aos 45 anos?

– Não. Isso foi algo que me pareceu estranho. Começou a utilizá-los aos setenta, quando começou a

perder peso.

– E os sapatos?

– Pretos, do tipo mocassim, com meias brancas.

– Houve algo em sua vestimenta que lhe chamou a atenção?

– Fora os suspensórios, a camiseta polo. Ele não usava roupas que não tivessem bolsos. Ele gostava

de carregar uma caneta-tinteiro… E outro detalhe: a roupa parecia estar muito bem passada. Isso não era

habitual nele. Era muito descuidado.

– Você poderia dizer que, fisicamente, ele estava melhor?

– Sem nenhuma dúvida. E também mentalmente.

– Usava alguma joia?

– Não vi a corrente que costumava levar pendurada no pescoço. Tinha um pingente de uma imagem da

Virgen del Carmen. Sim, notei o relógio de pulso no punho esquerdo, como sempre.

– Aliança?

– Acho que não estava com ela.

– Como era a textura da pele?

– A que corresponde à de uma pessoa com a idade de 45 anos. Aldrich lembrou-se de outro dado, algo

que considerou importante:

– Não havia sombras…

– Como?

– Não havia sombras. Nem dele nem da cúpula.

– E o que houve depois?

– Enquanto eu esfregava os olhos, ele girou ligeiramente para a sua direita, levantou a mão esquerda e

me lançou um beijo.

Caderno de campo de J. J. Benítez

 

 

– Ele tinha o hábito de fazer isso?

– Não. Fez isso apenas uma vez: quando eu estava partindo para Cuba. Depois, como eu lhe disse,

levantou o braço direito e se despediu. Deu meia-volta e caminhou em direção à meia laranja luminosa. E

desapareceu.

– Seu pai entrou na cúpula luminosa?

O doutor hesitou.

– Não tenho certeza. Ao entrar (?) ele desapareceu, e a meia-lua se tornou menor ou foi atrás do meu

pai. Não sei exatamente.

– Seus irmãos estavam ali. E sua mãe também. Alguém viu algo?

– Que eu saiba, não. Ninguém disse nada, nem eu. Meu irmão lembra, sim, algo que lhe chamou a

atenção: a maneira como eu esfregava os olhos.

– Quanto tempo pode ter durado a visão?

– Cerca de vinte segundos.

– Você diria que seu pai continua vivo?

– Com absoluta certeza.

Duas semanas após a morte do seu pai, o Dr. Aldrich regressou à sua clínica, e aconteceu algo não

menos surpreendente:

– Recebi uma paciente – resumiu o doutor. – Eu a atendi, e notei que ela, ao partir, chorava…

“Isso me deixou preocupado…

“Na mesma tarde telefonei para ela e perguntei-lhe o que estava acontecendo…

“A mulher explicou que, durante a consulta, tinha visto um homem ao meu lado…

“Durante a consulta eu estava só. Ninguém me acompanhava…

“Porém, ela insistiu…

“Eu pedi que ela o descrevesse…

“Descreveu meu pai, tal como eu o havia visto na casa da minha mãe…

“Falou inclusive dos suspensórios cor de vinho…

“O telefone quase caiu da minha mão…”