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F. Paul Wilson · Capítulo 17 de 36

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* A Semana de Primeiro de Outubro

 

* 17

 

A AUDIÊNCIA

 

— Relaxe, Gina — disse o senador Marsden, enquanto juntava os papéis sobre a mesa. — Parece até que você vai saltar da própria pele.

A mesa de Marsden estava cheia de documentos yâx, tabelas, gráficos e análises detalhadas de estatísticas médicas. Joe Blair chegara mais cedo para repassar com o senador as estratégias de último minuto.

Estava sendo frio e profissional com Gina, decididamente distante. E Alicia estava a toda, entrando e saindo do escritório como um beijaflor com excesso de peso. Ela designara alguns dos auxiliares legislativos para atender aos telefones, que tocavam sem parar. Esse era o grande dia, e ela parecia gostar da pressão.

Os últimos quatro dias tinham sido um turbilhão de atividade. Gina tinha a impressão de que se mudara para esse escritório. Tinha conhecido Charlie e Zach, os outros dois auxiliares legislativos designados para a Comissão de Diretrizes, e ficara impressionada com a quantidade de dados que haviam coletado. Tinham cópias das diretrizes e códigos de éticas de cada estado do país. O volume de material a ser analisado e resumido era desanimador. Ela e o restante da equipe estavam se matando de trabalhar.

— Logo estarei bem—disse Gina ao senador.

E estaria, com toda certeza. Não se sentia nervosa apenas porque esse seria seu primeiro dia como participante de uma audiência do Congresso, mas porque o presidente da comissão dependeria de seu conhecimento em medicina para interpretar os testemunhos, que seriam prestados diante de câmeras para toda a nação.

Por causa disso, suas mãos estavam frias, as palmas suavam e o estômago parecia ter encolhido até o tamanho de uma noz.

Mas estava preparada: tinha um bloco, um suprimento de canetas e sua foto nova no crachá de identidade pendurado a uma corrente em volta do pescoço.

— Sei disso. Lembre—se: seu trabalho é ouvir e fazer anotações.

Alerte—me imediatamente... passe um bilhete ou cutuque meu ombro e sussurre... sempre que achar que alguém está tentando me ludibriar com jargão médico. E não esqueça: imediatamente. Não quero descobrir dias depois que alguém me enrolou. Sua função é manter a honestidade dos testemunhos médicos.

Ela levantou o bloco de estenografia e canetas. Não sabia estenografia, mas o bloco apropriado tinha um tamanho conveniente.

— Estou pronta!—Torceu para que sua voz estivesse denotando confiança.

Começava a sentir o peso da responsabilidade que assumira. E teria de carregá—la em público.

Assistira a audiências do Congresso na TV e vira auxiliares passando bilhetes ou sussurrando nos ouvidos dos membros da comissão; era difícil acreditar que estaria fazendo o mesmo hoje. O pai dela não iria à loja essa manhã para ficar em casa assistindo à C—SPAN.

O senador Marsden piscou para ela.

— E talvez quando isso acabar você possa escrever outro artigo mais justo para o Times— Picayune.

Gina sentiu um arrepio.

— Você sabe daquilo?

— Claro. Joe me mostrou logo depois da entrevista. O trabalho dele é descobrir tudo a respeito de todos que se candidatam ao meu gabinete.

— Eu temia que o senhor me rejeitasse por causa disso. Ele levantou e enfiou sob o braço uma pasta de arquivo estufada de papéis.

— Estou há quarenta anos no ramo. Sei que a pior coisa que você pode fazer é cercar—se de autômatos. É por causa disso que gosto de ter um advogado do diabo por perto.

Gina sentiu uma admiração repentina por este homem. Alicia o classificara como "um dos mocinhos", e agora Gina acreditava nela.

— Farei isso.

— Então vamos embora.

Magnífica, a sala de audiências era apainelada do chão ao teto com mogno lustroso. O teto esculpido não destoaria no Palácio de Versalhes — tinha quase seis metros de altura e era branco com desenhos azuis delicados, pintados à mão. Um tapete vermelho e felpudo estendia—se de parede a parede. Três janelas altas, que corriam quase até o teto, estavam decoradas com crepe preto em honra ao recém— falecido membro da comissão, o deputado Lane. Entre as janelas e o teto, por toda a extensão da sala, havia uma fileira de castiçais de parede, desenhados como tochas dignas do senado romano. Cada castiçal projetava um foco de luz no revestimento de mogno acima. Toda a mobília—o tablado curvo no qual os membros da comissão sentavam—se como cavaleiros a uma mesa semicircular, a mesa das testemunhas e as cadeiras dos visitantes — era em mogno, combinando com o revestimento das paredes. O couro vermelho dos assentos e dos encostos das cadeiras — dispostas em fileiras para visitantes e testemunhas e encostadas contra a parede no fundo do tablado para os auxiliares dos membros da comissão — era do mesmo tom do tapete e dos marchetes de couro nos tampos das mesas de imprensa que ladeavam a sala.

Reinava o caos. Fotógrafos acotovelavam—se para conseguir a melhor posição no espaço que a eles era destinado, repórteres atravessavam a multidão de congressistas, testemunhas e visitantes, buscando comentários e ouvindo rumores, enquanto os técnicos da C—SPAN faziam os últimos ajustes em suas câmeras, uma próxima ao tablado e a outra no fundo da sala, bem ao centro.

— Gina seguiu o senador Marsden até o tablado — por que passar pela placa "Restrito a Membros e Assessores" fazia—a sentir—se tão especial?—e sentou—se na cadeira atrás de Marsden, bem no ápice do semicírculo. Jack estaria com ela. Charlie ficara no escritório.

Enquanto Marsden começou a arrumar os papéis, Gina olhou para a multidão e ficou chocada ao reconhecer um rosto. Duncan.

— Senador, tenho tempo de ir falar com uma pessoa?

— Claro—respondeu Marsden, apontando com a cabeça para a desordem à sua frente.— Levarei quinze minutos para pôr ordem nisto.

Enquanto descia do tablado, Gina sentiu alguém cutucar—lhe o ombro.

Outro rosto familiar — um que ficou muito satisfeita em ver.

— Gerry! O que faz aqui?

— Só passei para dizer olá.

— Mas como conseguiu entrar? Ele exibiu a identificação do FBI.

— Jamais subestime o poder do Departamento de Justiça. Eu sabia que esse era o seu grande dia e só queria desejar boa sorte. Teria mandado flores, mas...

— Oh, estou feliz por não ter mandado. Nunca sei o que fazer com elas.

Ele se inclinou e beijou—a na face.

— Acabe com eles, Gina. Ela abraçou—o.

— Obrigada. Isso é muito importante para mim.

E era mesmo. Ninguém mais lhe desejara sorte, ou mesmo imaginara que ela poderia estar ali. Observou—o sair, e então localizou Duncan no fundo da sala. Estava falando com um dos membros da comissão: o senador Vincent. Ambos pareciam ter a mesma idade e usavam ternos de corte semelhante, mas a figura esguia e o porte aristocrático de Duncan de algum modo deixava o senador parecendo um parente pobre. E o que o senador fizera no cabelo? Um permanente?

Ela cutucou o ombro de Duncan.

— Perdão, senhor — disse num tom de voz formal. — Tem um passe?

Duncan a saudou com um sorriso caloroso e pôs um braço em torno de seus ombros.

— Estava imaginando quando você apareceria. Senador Vincent, quero que conheça a mais nova assistente do senador Marsden, a Dra. Gina Panzella. Ela também é minha assistente cirúrgica. Assistiu— me na sua operação.

O senador Marsden olhou em volta, enquanto apertava a mão de Gina.

— Eu gostaria que você não...

— Não se preocupe, senador — disse Duncan. — Gina é a alma da discrição, como todos os outros membros de minha equipe. O senhor sabe disso.

— O senhor está com ótima aparência, senador—disse Gina, com absoluta sinceridade. Exceto pelo cabelo. Mas no que dizia respeito à cirurgia, o aprimoramento era notável. Era surpreendente como toda aquela carne redundante sob seu queixo o envelhecia. O senador parecia pelo menos quinze anos mais jovem.

Mas o cabelo... Argh!

— Então estou bem? Não há sinal que fiz... que alguma coisa foi feita?

— Nem um pouco—disse Duncan.—Prevejo que o senhor será a próxima estrela brilhante no firmamento da C—SPAN. O senador Vincent riu, nervoso.

— Estou falando sério — disse Duncan. — Depois do seu desempenho aqui hoje, o senhor aparecerá em todos os canais. Anote minhas palavras.

Naquele instante um bip soou. Duncan levou a mão ao bolso do casaco.

Gina o observou pegar o pager gigantesco, o mesmo que ela o vira usar naquele dia na entrada oeste do Capitólio... ... no dia que o deputado Allard caiu na escadaria.

— Ora, quem pode ser? — resmungou Duncan.

Ele olhou para a tela de mensagens e pressionou um botão. Naquele momento os alto— falantes da sala de audiências emitiram um uivo de feedback, e Gina notou o senador Vincent estremecer. Em seguida, começou a massagear a parte externa da coxa direita.

— Alguma coisa errada?—perguntou Gina.

— Não sei. Por um segundo senti como se tivesse levado uma picada de abelha. Mas estou melhor agora. — Olhou para o relógio pendurado na parede. —Vamos começar daqui a pouco. Com sua licença...

Gina se virou para Duncan, enquanto o senador Vincent se afastava.

— Algo importante? Duncan já guardara opager.

— Um dos meus companheiros de golfe. Provavelmente para confirmar a hora da nossa partida. E agora é minha vez de perguntar: quem era aquele homem com quem você estava realizando uma manifestação pública de afeição?

— Gerry Canney. Um velho amigo do segundo grau. Agora é agente do FBI.

— E você abraça todos os seus velhos amigos de escola quando os encontra?

Gina enrubesceu.

— Ele é um pouco mais que um amigo.

— Entendo—disse Duncan, soerguendo as sobrancelhas. — Bem, fico feliz por você.

Gina olhou atentamente para Duncan. Havia algo diferente nele essa manhã. Parecia agitado. Como o dono de um puro—sangue antes de uma grande corrida.

— Adivinhe quem era a última pessoa que eu esperava ver esta manhã?

As sobrancelhas de Duncan se levantaram novamente.

— Eu? Não perderia este espetáculo por nada no mundo!

— É a entrada mais cobiçada da cidade. Como conseguiu?

— Considere por um momento os nomes no meu arquivo de pacientes, Gina, e me diga quem neste Circus Maximus tem melhores conexões do que este que lhe fala. — Apontou com a cabeça para o senador Vincent. — Foi o próprio senador quem conseguiu um passe para mim.

— Você provavelmente veria melhor assistindo à TV pela CSPAN.

— Nada se compara a estar realmente aqui. — Ele cheirou o ar. — Sente isso, Gina? O eflúvio do poder puro esperando para ser libertado? Droga da boa.

Gina riu.

— Tem razão.—Ela olhou para o tablado e viu os membros da comissão sentar—se.—Tenho de correr. Divirta—se, Duncan.

Seu sorriso pareceu forçado.

— Estou torcendo por isso.

Gina estava com as palmas úmidas quando subiu o tablado. Esperava não estar aparentando um décimo do nervosismo que sentia.

Como é, pessoal? Vamos parar com a embromação e botar esta joça pra funcionar!

Sabia que se sentiria melhor durante a audiência. Era a espera que a estava matando.

Checou o tablado. Todos os membros da comissão estavam em seus lugares, com exceção do senador Vincent. Onde estava ele?

Olhou para a parte baixa da sala de audiências e localizou o senador Vincent. Voltara para o lado de Duncan. Ela viu Duncan dizer alguma coisa ao homem e se afastar. Gina não conseguiu ver o rosto de Duncan, mas o senador Vincent parecia perplexo.

Gina teve uma sensação de déjà vu... Duncan... seupager... um comentário ao pé do ouvido...

Mordeu o lábio, enquanto o senador subiu o tablado e dirigiu—se até sua cadeira. Ela sabia que era tudo coincidência, mas queria saber o que Duncan dissera ao senador.

Porém, agora não era o momento adequado. Mas logo depois da audiência Gina encontraria uma forma de perguntar.

Duncan estava literalmente sentado na ponta da cadeira, os dedos entrelaçados entre os joelhos. Lutava para parecer calmo, para esconder a adrenalina que corria dentro dele.

Nada de fiascos hoje. Dessa vez tudo tinha de sair de acordo com os planos. As condições eram absolutamente perfeitas.

Esperara para ver onde o senador Vincent se sentaria antes de escolher seu próprio lugar. Quando viu Vincent se sentando a três cadeiras à direita de Marsden, Duncan escolheu um lugar no fundo da sala de onde teria uma visão perfeita do senador. Olhou o relógio. Faltapouco.

Enquanto Marsden punha a sala em ordem, Duncan observou Gina sentada atrás dele numa cadeira encostada na parede. Parecia tensa e rígida. Em seu discurso de abertura, o senador fez breves comentários a respeito dos membros ausentes, oferecendo condolências à família de Lane e desejando uma recuperação rápida ao deputado Allard. Em sinal de respeito, disse ele, as placas com seus nomes permaneceriam diante de seus lugares até que os substitutos fossem escolhidos.

Duncan sabia que estava desafiando a sorte ao tentar fazer isso com Gina ali, mas tinha poucas escolhas. Mais uma das reviravoltas perversas que vinham lhe afligindo ultimamente. Ainda assim, não havia como Gina poder ligá—lo ao que estava prestes a acontecer com o senador Vincent.

Ah, Gina, meu lindo cisne, olhe só para você. Está crente que pode influenciar o que será resolvido aqui, mas tudo será decidido de forma antecipada. Não será nesta sala que serão tomadas as decisões que determinarão se a medicina americana será exercida através de livros de culinária do governo e se os clínicos viverão soterrados sob montanhas de regulamentos, passando mais tempo preocupados em se esquivar de armadilhas burocráticas e penalidades do que cuidando da saúde de seus pacientes. Não, essas decisões serão tomadas em salas fechadas e corredores, onde um voto para a lei das Diretrizes será trocado por uma ponte ou um desvio de rodovia.

A primeira testemunha foi chamada: Samuel Fox, médico. — Típico, pensou Duncan. O médico de estimação favorito do Congresso, o médico que odeia médicos.

Fox se fazia passar por um defensor do consumidor, mas não passava de um fanfarrão. A audiência estava correndo exatamente conforme o esperado.

Enquanto o prolixo Fox iniciava a leitura de um discurso, Duncan manteve os olhos fixos em Vincent, atento aos primeiros sinais.

Seus pensamentos retornaram ao dia que o deputado Hugo Lane aparecera em seu consultório. Isso acontecera no começo do ano, logo depois que o presidente instigara a anabiose da comissão. Alcoólatra notório, Lane procurara Duncan para remover as manchas em forma de aranha que se espalhavam pelo seu rosto e pela parte superior do tronco. Supostamente sol demais. Duncan logo reconheceu as manchas como angiomas arteriais, conhecidos no ramo como "flores de bêbado". Significavam um fígado gordo e cirrótico. Sol demais? JohnnyWalker demais, isso sim.

Precisara de toda sua capacidade de controle para não surrar o homem ali mesmo na mesa de exame. O maldito ébrio! Lane fora membro da comissão McCready original, um participante na devastação da carreira e da vida de Duncan, e nem mesmo lembrava dele.

Como dizia a velha canção: É tão fácil esquecerem de mim? Ele fizera parte do processo que matara Lisa e nunca nem mesmo ouvira seu nome.

Duncan lembrou de tê—lo fitado embasbacado. Temos um passado em comum, o tempo mais traumático da minha vida inteira, e você não tem a menor lembrança.

Se não estivesse furioso por terem revitalizado a comissão, e se Lane não tivesse sido indicado novamente para ela, Duncan poderia simplesmente ter explicado quem era, o que o deputado e seus comparsas tinham feito com sua vida e expulsado o bastardo a pontapés.

Mas, dadas as circunstâncias, Duncan respondeu: Sim, deputado. Sem problemas. Podemos cuidar de todas essas áreas afetadas pelo sol.

Cauterizaremos aveia central de cada uma delas com um laser ultrafino.

Fácil como cortar uma torta. Barbara marcará com. o senhor o dia e o horário da operação. Enquanto isso, arranjo uma coisinha extra para você. E assim o deputado Lane fora o primeiro. Duncan planejara fazê—lo de idiota perante seus colegas na embaixada francesa. Duncan estivera lá, observara e esperara, mas Hugo Lane se comportara como sempre: bebera demais, comera demais e falara muito alto. Talvez o culpado tenha sido todo aquele álcool em seu organismo, talvez seu fígado gordo não tenha filtrado a droga. Qualquer que fosse o motivo, Lane permanecera normal até a hora em que dirigia de volta para casa. De acordo com as testemunhas, seu carro ziguezagueara pela estrada antes de bater contra uma barreira e descer por um barranco em Rock Creek Park.

Duncan ficou chocado e desanimado. Não queria que Lane morresse — ele devia apenas perder a razão numa sala cheia de colegas. E que talvez permanecesse insano por alguns anos.

Não havia por que temer que o pegassem. O nível de álcool no sangue de Lane era uma explicação plausível para o acidente. Mas mesmo se o médico legista tivesse procurado por outras causas, não encontraria nada. Os exames toxicológicos podem encontrar apenas aquilo que estão procurando, e ninguém procuraria pelo que Duncan pusera em Lane. Apenas algumas pessoas estavam cientes de sua existência.

Schulz fora o seguinte. Também esse deputado não tinha nenhuma lembrança do médico que sua comissão flagelara anos antes, nem conhecimento da adolescente que morrera em conseqüência disso. Duncan percebeu então por que eles não lembravam: aquilo jamais fora importante para eles.

Duncan Lathram era um nome num pedaço de papel entregue a eles por seus auxiliares cinco anos antes. Eles o insultavam, enquanto os microfones estavam ligados, mas nem pensavam nele entre as audiências e algumas semanas depois nem mais lembravam de seu nome.

Schulz... um mulherengo vaidoso e arrogante cuja tentativa de manter—se continuamente bronzeado acabara transformando seu rosto numa massa de rugas. Ele procurara Duncan por recomendação do bom amigo, o deputado Lane. Ele tentara alguns remédios, sem resultados. As rugas pareciam determinadas a ficar onde estavam. Será que Duncan poderia ajudar?

Claro, senador. Duncan alisou—lhe o couro enrugado e deulhe uma coisinha a mais.

Duncan não decidira ainda qual seria o lugar e o momento mais adequados para sua experiência com Schulz quando soube da morte do senador.

Duncan ficara intrigado até saber que a última coisa que o bom senador fizera antes de mergulhar para a morte fora submeter—se a fisioterapia.

Essa provavelmente era a explicação.

Ou talvez Schulz simplesmente tivesse a consciência pesada.

O que não era provável.

Mais uma vez, nenhuma perda para o mundo. Mas novamente ele fora privado da catarse pela qual ansiava.

Allard tinha sido o que chegara mais perto das intenções de Duncan, mas ele também se mostrara um fracasso.

Hoje seria diferente. Duncan podia sentir isso nos ossos. E quando notou o canto da boca do senador começando a tremer, teve certeza absoluta.

Gina se inclinou e colocou outro bilhete na frente do senador Marsden.

Ela encontrara diversas brechas na exibição de estatísticas dúbias do Dr. Fox, mas estava passando para Marsden apenas os erros mais grotescos. O senador não teria tempo de considerar todos.

Enquanto recuava, notou um pequeno caroço na aurícula da orelha esquerda do senador. Lisa como uma pérola. Numa área exposta ao sol, aquilo era uma célula basal de carcinoma, até que fosse provado o contrário. Não era sua médica, e às vezes era delicado apontar um problema de saúde a alguém que não pedira isso, mas decidiu mencionar o assunto com Marsden depois.

Ouviu um lápis cair. Não, era uma caneta. Caíra perto do senador Vincent. Talvez ele a tivesse deixado cair, mas ele não pareceu notar.

Ela estava forçando sua atenção de volta para o Dr. Fox quando notou o senador Vincent pular na cadeira. Observou—o fazer isso de novo. Um movimento espasmódico, como se alguém o houvesse espetado com um alfinete, ou como se ele tivesse sentido subitamente um calafrio. A sala estava fria, mas Vincent parecia suar. Ele correu uma mão trêmula pelo cabelo cacheado.

Ele está bem?, perguntou—se Gina.

Observou—o mais um pouco, e ele pareceu acalmar—se. Nada mais de pulos ou estremecimentos. Mas continuava suando, e agarrando a ponta da mesa como se ela estivesse ameaçando flutuar até o teto.

Concentre—se no testemunho, disse Gina a si mesma. Esse é o seu trabalho aqui. Não a ressaca do senador Vincent ou o que quer que o estivesse incomodando.

Concentrou—se nas palavras de Fox e foi no meio de outra anotação quando...

— Um minuto, por favor. Desculpem—me.

Gina levou um susto. O senador Vincent interrompera de repente o Dr. Fox falando perto demais do microfone. Sua voz saíra estridente nas caixas.

— Sim, senador? — disse o senador Marsden em tom calmo.—Será que podemos permitir que o doutor termine sua declaração antes de questioná— lo?

— Não! — gritou Vincent, golpeando a mesa com o punho. Seus olhos estavam arregalados quando fitou o senador Marsden. —Não podemos fazer isso! Não enquanto esse filho da puta estiver denegrindo minha esposa!

Gina ficou intrigada. Fox estivera falando sobre superutilização de serviços. Viu todos na sala virarem a cabeça na direção de Vincent.

Ambas as câmeras da C—SPAN giraram para focalizar Vincent, e os fotógrafos estavam ajustando os focos de suas máquinas para fotografá—lo. Os repórteres, até ali sonolentos, tinham voltado à vida e estavam rabiscando nos blocos ou digitando enlouquecidamente em seus laptops.

E no tablado ela viu os outros membros trocarem olhares intrigados.

Marsden parecia o mais preocupado de todos.

Ele limpou a garganta.

— Senador Vincent, não creio que o Dr. Fox tenha mencionado a esposa de alguém. Ele estava falando sobre...

— Não me diga o que ele disse ou não disse, seu moleque! — gritou Vincent—Eu já ouvia testemunhos quando você ainda mijava nas calças! E

não fique do lado dele contra mim!

— Senador—disse Dr. Fox da cadeira de testemunhas. Sua expressão denotava assombro e confusão. —Asseguro—lhe que em momento algum eu quis...

Vincent ficou de pé. Afastara—se do microfone agora, mas sua voz estridente atravessou a sala de audiências quando ele apontou um dedo trêmulo para Fox.

— Não minta para mim, seu merdinha! Claro que você quis! —Ele fez um gesto largo.— Todos ouviram você. Ouviram cada palavra. Ele fitou os visitantes, que estavam com os olhos arregalados e os queixos caídos. — Não ouviram? Não ouviram?

Silêncio... exceto pelos ruídos das câmeras e do sibilar de filme avançando.

Vincent começou a balançar a cabeça.

— Ah, então é isso. Vocês todos estão nisso juntos! Bem, não há problema. Eu irei apenas... — Súbito, voltou—se para o senador Marsden.

— O que disse?

Gina viu o senador Marsden recuar de susto. Não podia culpálo. A fúria nos olhos de Vincent era assustadora.

— Eu... eu não disse nada, Harold. Talvez devamos pedir um recesso até...

— Não! Nada de recesso!—Ele estava começando a cuspir saliva enquanto gritava.— Ninguém sai daqui! Nós vamos...

De repente ele enrijeceu. Os braços ficaram paralisados, enquanto a cabeça foi jogada violentamente para trás. Gina viu seus olhos voltarem—se para cima e percebeu que ele estava prestes a ter convulsões. Gina já levantara da cadeira e aproximava—se de Vincent quando ele caiu ao chão e começou a tremer.

Gina se agachou ao lado dele e segurou—lhe a mão trêmula. Os olhos estavam abertos, mas ele não via nada. Ela ouviu o sibilar do ar entrando e saindo por entre os dentes cerrados. Bom. Pelo menos ele não engolira a língua.

— Alguém chame a equipe de emergência! — gritou Gina. Ela afrouxou a gravata de Vincent, dobrou —a e colocou—a entre os dentes. O senador logo precisaria de uma dose de diazepam.

Ela olhou para cima e viu Samuel Fox em meio aos rostos e lentes de câmeras que começavam a formar um círculo em torno deles.

— Dr. Fox! Que tal me dar uma mão aqui? Fox não se mexeu. Ele balançou a cabeça.

— Não posso... eu nunca... nunca cliniquei.

— Fantástico — murmurou Gina.

De repente o senador Marsden estava ao lado dela.

— Os paramédicos estão a caminho. O que quer que eu faça? Gina abriu um sorriso rápido e agradecido.

— Segure os braços dele. Não tente impedi—lo de se mexer, apenas evite que faça movimentos muito bruscos para não fraturar um osso.

— Farei isso.

Levou um minuto — pareceu muito mais tempo — até que as convulsões parassem e os membros do senador Vincent relaxassem. O corpo ficou flácido. Os olhos se fecharam. Ele começou a arfar.

— Ele tem um histórico de ataques? — perguntou Gina ao senador Marsden, enquanto ele largava Vincent.

— Não que eu saiba. Se bem que isso não é algo que você diga a todo mundo quando tem uma vida pública.

Certo. Os eleitores talvez pensassem duas vezes antes devotar num epiletico. Mas e quanto a um comportamento paranóico estranho logo depois do ataque?

Os paramédicos finalmente chegaram. Enquanto colocavam o senador Vincent numa maca e o punham no soro, Gina lhes disse que ele sofrera um ataque e sugeriu que chamassem um neurologista imediatamente.

— Fiquem com dez miligramas de diazepam preparados para colocar no tubo intravenoso se ele se agitar novamente — disse—lhes enquanto estavam saindo.

Voltou—se para o senador Marsden.

— Obrigada pela ajuda.

Ele assentiu distraído, e em seguida olhou em volta.

— Nada como começar com um estardalhaço — disse com um suspiro.

— O senhor pedirá um recesso? Ele assentiu.

— Um recesso indefinido.

— Como assim?

Sua expressão estava sombria.

— Inaugurei as audiências com dois membros a menos. Agora temos três membros a menos. Estou com metade da comissão. Mesmo que o senador Vincent se recupere logo, não acho que deva aparecer diante das câmeras durante algum tempo. Concorda?

— Sim. Acho que sim.

— Portanto terei de esperar até que pelo menos um daqueles assentos vazios seja preenchido.

— Quanto tempo isso levará?—perguntou Gina, o coração afundando. Ela começara esse trabalho uma semana antes, e agora ele estava evaporando diante de seus olhos.

— Pode levar algum tempo.

A expressão de Gina deve ter revelado sua decepção. Ele sorriu e colocou a mão sobre o ombro dela.

— Não se preocupe. Terei trabalho para você enquanto isso. E quem sabe?

Talvez não tenhamos de esperar muito se eu conseguir envolver o presidente no processo. Ele quer este projeto de lei pronto antes do fim do ano. Talvez ele possa acelerar o processo.

O senador retornou até sua cadeira no tablado, bateu o martelo duas vezes e anunciou que as audiências estavam suspensas até segunda ordem.

Gina lembrou de Duncan. Procurou—o em meio à multidão, mas ele desaparecera.

Essa era a segunda vez que Duncan estivera presente quando alguma catástrofe caíra sobre um de seus pacientes congressistas.

O que ele teria dito ao senador Vincent minutos antes dele enlouquecer?

Gina teve o estranho pressentimento de que ele lhe dissera que se lembrasse de uma garota chamada Lisa.

Mais tarde, Gina retornou ao Edifício Hart pela passagem subterrânea e ficou surpresa em ver Gerry esperando por ela no átrio.

— Estou contente emvervocê.

Ela precisava de alguém com quem conversar, precisava repassar os eventos da manhã. Abraçou Gerry e sentiu a tensão nos músculos dele.

Gerry não parecia estar com humor para ser um bom ouvinte.

— Precisamos conversar. A expressão dele era séria, quase sinistra.

— Alguma coisa está errada?

— Talvez. Podemos conversar sobre isso enquanto almoçamos?

— Não é nada com Martha, é?

Ele a fitou, e então colocou a mão sobre seu ombro.

— Não. Nada a ver com Martha.

Os dois saíram do prédio. Enquanto caminhavam, Gerry tentou conversar sobre futilidades, mas não fez um bom trabalho.

O verão ainda não estava disposto a partir. O sol continuava alto e o ar quente. A um quarteirão e meio da Union Station, Gerry apontou para uma fileira de guarda—sóis brancos e vermelhos num pátio em frente a uma casa convertida em restaurante.

— Que tal o T—Coast? — sugeriu Gerry.

Gina olhou a placa: Tortilla Coast. Comida mexicana.

— Não é um Taco Bell, mas acho que dá para o gasto. Sentia—se agitada demais para comer, mas apenas sentar ao sol seria bom.

Os dois conseguiram uma mesa num canto perto da calçada.

— E então, qual é o problema? — perguntou Gina, quando a garçonete deixou—os com seus cardápios.

— Soube do senador Vincent.

— Foi horrível.

— Você se deu conta de que ele foi o terceiro membro da comissão a morrer ou ficar incapacitado?

— Sim. O senador Marsden e eu estávamos falando sobre isso ainda há pouco. Mas o quê...?

— Investiguei o senador Vincent. Chequei se fizera alguma cirurgia recentemente. — Ele parou, fitando Gina. —Você sabe o que vou dizer, não é?

Não era uma pergunta. O que ele estava procurando? Por que o FBI estaria interessado?

— Duncan.

— Certo. Agora são quatro.

— Quatro o quê?

— Quatro congressistas mortos ou incapacitados... dois senadores, dois deputados... todos pacientes de Lathram. Três deles membros da Comissão de Diretrizes. Será que o seu Dr. Lathram tem alguma coisa contra essa comissão?

Gina se sentiu subitamente um pouco tonta. Gerry estava tendo os mesmos pensamentos insanos que ela.

A garçonete voltou. Gina concordou em repartir o prato de nachos de Gerry e pediu uma Pepsi. Considerando como fora a manhã, ela bem que gostaria de uma bebida mais forte—aprendera a gostar da Dixie quando estudava na Tlilane —, mas não queria aparecer no gabinete do senador à tarde com bafo de cerveja.

— Ele estava lá esta manhã, sabia? — disse Gina quando os dois ficaram a sós novamente.

— Quem?

— Duncan. E ele também estava na escadaria do Capitólio quando Allard caiu.

— Você estava lá? Não me contou isso. Ele estava perto de Allard?

— Está querendo saber se ele o empurrou? Pelo amor de Deus. Mas ele...—Ela hesitou um pouco, em dúvida se deveria mencionar isso.

Finalmente disse: —A última coisa que Duncan disse para Allard foi alguma coisa sobre Lisa.

— A filha dele? Aquela que...

— Cometeu suicídio. Acho que sim. Ele disse alguma coisa sobre uma jovem de dezoito anos chamada Lisa. Só podia ser ela.

Gerry ficou em silêncio por um momento.

— Investiguei sobre Lisa—disse enfim. —Vasculhei um pouco mais depois que li seu atestado de óbito. Consegui uma cópia do relatório do médico legista da polícia.

O coração de Gina começou a bater mais rápido.

— Está com você agora?

— Não. Está no meu escritório. Mas o li algumas vezes. Ele resume todo o histórico médico da garota. De uma coisa podemos ter certeza: Lisa Lathram era uma jovem problemática.

— Está dizendo que ela tentou antes? Ele assentiu.

— Duas vezes. Uma com pílulas. Outra cortando os pulsos com uma navalha.

Gina se mexeu na cadeira.

— Que horrível.

— Aparentemente, nenhuma das duas tentativas foi séria.

— Mas da terceira vez ela fez tudo certo.

— Foi uma verdadeira tragédia. Segundo o relatório, Lisa estava reagindo extremamente bem ao Prozac, que pelo visto era bastante recente na época. Então de repente... buml... alguma coisa aconteceu, e ela passou dos limites. Engoliu todos os velhos antidepressivos que vinha armazenando durante os anos. Mas a pior parte foi que isso não pareceu o bastante para matá—la. Apenas a deixou entorpecida. Ela caiu sobre o corrimão da escada e isso a matou. O Dr. Lathram estava em casa e a encontrou.

— Ai, Deus! Pobre Duncan.

Isso explicava uma coisa: a mudança radical na vida de Duncan. Ele deve ter visto o mundo ruir ao seu redor.

Mas não explicava por que ele mencionara Lisa a Allard duas semanas atrás.

— Encontrou no relatório alguma pista sobre a conexão entre Lisa e o deputado Allard?

Gerry balançou a cabeça.

— Não que eu tenha visto. Claro, eu não estava procurando por uma. Vou tirar uma cópia para você. Mas enquanto isso... — Ele se inclinou para a frente. — Sei que Lathram coloca algum tipo de implante nos pacientes.

— Como... como sabe disso? Ele deu de ombros.

— Não é segredo. A FDA concedeu—lhes a aprovação para fazer estudos clínicos. O que há naqueles implantes, afinal?

— Apenas algumas enzimas e coisas do tipo. O propósito é reduzir a formação de cicatrizes.

— Bem, poderia haver alguma coisa errada com... Gina foi tomada por um impulso de defender Duncan.

— Gerry, ele tem mais de uma dúzia de casos por semana. Pessoas extremamente públicas. Se houvesse algo errado com os implantes, não existiria mais ninguém para ir a todas aquelas festas nas embaixadas.

— E se ele colocasse alguma coisa diferente em determinados implantes... ele poderia fazer certas pessoas...

— Está ouvindo o que está dizendo, Gerry? O Dr. Duncan Lathram está misturando em seus implantes alguma substância misteriosa que faz as pessoas ficarem bêbadas e baterem com seus | carros, cometerem suicídio, caírem de degraus ou terem ataques, Essa é uma droga bastante versátil.

— Quem está dizendo que tem de ser uma droga?

— Muito bem. Vou lhe dar então o benefício da dúvida. Mas apanhemos o senador Vincent como exemplo. Está dizendo que Duncan exerce sobre essa droga um tipo de controle que lhe permite determinar quando ela surtirá efeito? Como bem no meio de uma audiência? É isso que realmente acha?

Gerry se recostou na cadeira. Gina pôde sentir a frustração se apossando dele. Ele suspirou.

— Parece exagero, não é? — Ficou em silêncio por um momento, e então se inclinou para a frente de novo. — Mas algo não está cheirando bem, Gina. Não posso lhe dizer como sei, mas estou sentindo nos ossos que tem alguma coisa errada nesta história.

— Sei o que quer dizer, mas é apenas uma série de coincidências. Duncan tem suas excentricidades, mas ele não é... não é...

— Olhe, só para calar a minha boca, poderia me conseguir uma amostra daquilo que ele coloca nos implantes?

— Não, Gerry. Não posso. A fórmula deles pertence a Oliver Lathram e não é patenteável. O que quer fazer com ela? Analisá—la?

— Apenas ver se há alguma substância tóxica nela.

— Posso assegurar—lhe que não há nada tóxico naquela solução.

— Já ouviu falar dos venenos binários?

— Não. Não entendo muito de venenos.

— Eles vêm em duas partes. Nenhuma das duas metades é tóxica por si mesma, mas quando se encontram na corrente sangüínea e se combinam... boorrú

— Muito interessante. Mas ainda não vou lhe arranjar uma amostra. Eu não poderia. Seria uma quebra de confiança.

Ele assentiu lentamente.

— Certo. Posso respeitar isso. Mas fique de olho no que acontece lá. E tome cuidado. Não quero que nada aconteça com você Alguma coisa acontecer com ela? Absurdo. Gina tentou amenizar o clima sorrindo e batendo continência para ele.

— Aye, capitão Queeg. E como gostaria de seus morangos, senhor?

Enfim um sorriso.

— Você me considera maluco, não é?

— Não mais do que eu.

— Vê? Fomos feitos um para o outro. Quer jantar comigo esta noite?

— Claro. Que tal na minha casa? Eu cozinho. Os olhos de Gerry brilharam.

— Mesmo?

— Traga Martha.

A luz nos olhos dele apagou um pouco.

— Eu... Pensei que talvez você...

— Claro que a essa altura já deve ter percebido que só aturo você para poder ver Martha.

— Posso suportar isso — disse Gerry. — Por você, suporto qualquer coisa.

Gina ficou sensibilizada. Pousou a mão sobre a dele, que apertou os dedos dela.

E então os nachos chegaram.

Mas enquanto Gina observava Gerry empilhar o prato, ela ouviu, Será que o seu Dr. Lathram tem alguma coisa contra essa comissão? Por que aquelas palavras tinham voltado? Duncan tinha alguma coisa contra a Comissão de Diretrizes. Ele falava mal dela sempre que podia.

Mas de vez em quando Duncan falava mal praticamente de tudo e todos no governo. E isso não significava que declarara guerra a ele.

Ou significava?

Gina balançou a cabeça. Que pensamento absurdo.

Não Duncan. Ainda que isso fosse possível. E não era. Então por que considerar?

Mas pensando melhor, Duncan desaparecera imediatamente depois do ataque do senador Vincent. Sem oferecer ajuda. Exatamente como fizera quando Allard caíra. Não havia nenhuma especulação ali. Apenas fatos.

E esses a incomodavam.