Implante
* 32
QUARTA—FEIRA
— Venho escondendo uma coisa importante de você, Gina—disse Duncan. — Mas hoje de manhã decidi que lhe contaria tudo.
Gina estava sentada do outro lado da mesa, de frente para ele, bebendo uma xícara de um dos cafés exóticos de Duncan, que ele aparentemente identificara como um Blue Mountain jamaicano; não tinha certeza porque estava tensa demais para prestar atenção. Gina passara a maior parte da noite pensando na cirurgia do presidente. Toda a sua preocupação era justificada? Deveria fazer alguma coisa? Deveria ligar para Gerry e contarlhe tudo?
Mais uma vez decidira não telefonar para Gerry. Tinha ainda menos provas dessa vez do que na última. Ele pensara que ela estava desequilibrada.
Por que jogar mais lenha nessa fogueira?
Ainda estava pensando no próximo passo quando Duncan a chamou, disse a Barbara que não queria ser perturbado e fechou a porta. Ofereceu—lhe uma xícara de café e pediu que ela se sentasse.
E então, ali estava ela, sentada rígida na cadeira, o café aquecendo—lhe as mãos frias, enquanto esperava ansiosamente para saber o que estava acontecendo.
— Como você é médica neste centro cirúrgico, o que vou lhe contar não contraria o pacto entre médico e paciente. Está entendido?
— Claro.
— Bom.—Recostou—se na cadeira e começou a brincar com os dedos.—Deve estar se perguntando por que dispensei a equipe na sexta. A razão é extraordinária. Sexta—feira vou operar o presidente dos Estados Unidos.
Gina percebeu que ficou de boca aberta. Duncan estava realmente contando—lhe seu segredo. Ele sorriu.
— Pela sua expressão, posso ver que essa era a última coisa que você esperava ouvir. Bom. Isso significa que nossas medidas de segurança estão funcionando.
Prosseguiu contando—lhe a maior parte do que ela soubera com Oliver no dia anterior: a natureza da operação, seus motivos, as razões para todo o segredo. Não querendo arranjar problemas para Oliver, Gina fingiu que tudo aquilo era novo para ela.
O tempo todo sua mente deu voltas, buscando uma razão pela qual ele estaria lhe contando isso se pretendia prejudicar o presidente.
— Você deve estar muito orgulhoso — disse Gina quando ele se calou.
— Bem, não gosto da política desse homem, mas devo admitir que é uma honra ser escolhido como cirurgião dele.
— A despeito da honra — disse ela com cuidado —, estou surpresa que você esteja disposto a fazer uma coisa que o ajudará a ser reeleito. Quero dizer, sabendo o que você sente por ele.
Duncan meneou a mão no ar, como se estivesse fisicamente empurrando para longe as palavras de Gina.
— É tudo bobagem dos assessores de imprensa. — Seu sorriso foi lacônico.
— Como se as pálpebras dele pudessem influenciar nos votos.
— Você sabe o que eles disseram sobre a sombra no rosto de Nixon durante aquele debate televisivo em 1960.
— Eu assisti ao debate. A sombra no rosto de Nixon era o menor dos problemas dele.
— Então vai ajudá—lo a parecer mais jovem.
— Na verdade, não. Vou remover as pálpebras dele completamente para deixá—lo sempre com os olhos arregalados, como um zumbi.
O coração de Gina disparou. Ele estava falando sério?
— Duncan, nem pense...
— Brincadeirinha. Olhe, o próprio presidente quer que eu o opere. Então vou fazer. Por via de regra não corrijo um único defeito, mas como as feições dele têm uma aparência muito jovem, abrirei uma exceção. — Ele sorriu. — E acredite em mim, não farei de graça.
— Quem vai assistir você?
Ela já sabia que seria o Dr. VanDuyne, mas imaginou que, perguntando isso, estaria ajudando a acobertar Oliver. Duncan se inclinou para a frente.
— Foi por causa disso que a chamei. Gostaria que você fosse a minha assistente.
Gina piscou. As palavras abalaram—na. O que estava acontecendo?
— Eu?
— Sim, você. VanDuyne, o médico pessoal do presidente, ofereceu—se para assistir—me. Ele provavelmente faria um ótimo trabalho, mas cada vez que penso nisso, mais quero alguém que já tenha trabalhado comigo. Você já fez dezenas de plásticas desse tipo comigo. Assim, se não tiver planos para sexta—feira...
— Não... sem planos.
— Bom. Também gostaria que você cuidasse dele durante a recuperação.
VanDuyne também faria isso, mas nesse caso também acho você mais adequada. Eu me sentiria melhor se você estivesse por perto para cuidar de tudo.
— Claro — disse Gina, ainda abalada. Estava fazendo um esforço enorme para não parecer estarrecida. — Gostaria muito.
— Excelente. Pretendo acrescer à conta do presidente uma bela taxa extra pelo trabalho de assistência. Claro que esse dinheiro irá todo para você.
Gina assistiria Duncan na operação do presidente dos Estados Unidos e seria paga por isso. Mas ainda estava desorientada com o fato de Duncan ter—lhe pedido que o assistisse. Como ele poderia estar planejando fazer algum mal ao presidente com ela ali, nas salas de operação e de recuperação?
Tbdas as suas suspeitas haviam sido, então, infundadas?
Não, definitivamente, não. Aquele frasco de DTP ainda a assombrava, mas Gina começou a sentir a tensão abandoná—la, sentiu o pescoço e músculos relaxarem como se o peso do mundo tivesse sido tirado de cima deles.
Quase não ouviu o que Duncan disse em seguida, a respeito do anestesiologista de Bethesda, as medidas de segurança, e a necessidade de discrição absoluta.
— Não pode contar a ninguém sobre isso: nem à sua melhor amiga, nem aos seus pais, nem ao seu namorado do FBI.
— Somos apenas amigos—disse Gina. Embora não tivesse mais certeza disso.
— Seja como for. Apenas o Serviço Secreto e os quatro médicos na sala de operação na sexta de manhã saberão a respeito desse fato. Começaremos às sete e meia. O presidente e VanDuyne chegarão às seis e meia. Você, Oliver e o anestesiologista estarão aqui às seis. Virei às cinco para abrir para o Serviço Secreto a fim de que possam garantir a segurança do local... acho que essa é a expressão que eles usaram. Algum problema?
— Nenhum.
— Ótimo. A propósito, Oliver está tão exultante com tudo isso que quer celebrar por antecipação. Acho isso uma bobagem, mas se não fizermos algo para marcar a ocasião ele vai explodir. Como todos teremos de acordar cedo na sexta, e como Oliver adora comida italiana, reservei uma mesa para nós esta noite no Galileo. Oliver e eu ficaremos muito satisfeitos se você puder vir conosco.
Galileo. Deus, o restaurante quatro estrelas onde o presidente levava os amigos de Hollywood quando estes se encontravam na cidade. Gina estava começando a ficar empolgada também.
— Como eu poderia dizer não ao Galileo?
— Pegarei Oliver e passaremos às sete e meia na sua casa para apanhar você. — Ele se levantou. — E agora, a não ser que tenha alguma pergunta, sugiro que voltemos ao trabalho.
Sentindo—se levemente tonta, Gina assentiu, levantou—se e caminhou até o corredor.
A vida realmente era cheia de surpresas.
Duncan observou Gina sair, e em seguida serviu—se de outra xícara de café.
Tudo correra bem, pensou com tristeza. Bem demais.
Sob circunstâncias diferentes, teria achado este joguinho de gato e rato estimulante. Mas não com este rato em particular. Além disso, tudo estava a favor dele: Duncan sabia que ela sabia, mas Gina não tinha a menor idéia de que ele estava atrás dela.
Gina estava começando a confiar nele novamente. E ele usaria isso para fazê—la ficar de joelhos.
Duncan não se reconhecia hoje.
Viu uma lasca de plástico preto sobre o tapete e pegou—a. Um remanescente da fita de vídeo que esmagara na noite anterior. Depois de seu pequeno acesso de raiva, Duncan recolhera os pedaços, jogara —os fora e pusera uma nova fita na câmera. Então, com suas emoções trancadas num lugar onde não poderiam interferir, sentara—se para examinar as cartas que tinha na mão e pensar no melhor jogo a fazer.
Primeiro, ele trancara a o frasco de DTP novamente na gaveta da mesa e se certificara de que Gina não teria outra chance de arrombá—la.
Em seguida, tomara a ofensiva. Gina descobrira que ele operaria o presidente — uma coisa que Duncan mantivera desesperadamente em segredo.
Recuar seria a pior atitude para tomar nesse momento. Isso confirmaria que tinha algo a esconder. Portanto, faça o oposto, o inesperado. Não a impeça de entrar. Receba—a de braços abertos. Mostre— lhe a mão — mas apenas aquelas cartas que já tinham sido expostas.
Foi isso exatamente o que fez. Essa manhã, Duncan parecera tão franco que quase assustara a si mesmo.
O resultado: Gina não apenas estava completamente desorientada, como literalmente ofuscada pela oportunidade de assistilo na cirurgia do presidente. Deus, sentia—se honrada.
Talvez ele tivesse superestimado Gina.
Conteve a irritação e voltou a concentrar—se no último elemento de seu plano: manter Oliver fora disso. Oliver em geral tirava as quartas—feiras de folga, e hoje não haveria exceção. Mas apenas para ter certeza, Duncan telefonara para Oliver e lhe dissera que ele não deveria, sob circunstância alguma, mencionar a Gina a conversa que haviam tido na noite anterior. Não até Duncan ter uma oportunidade de falar com ela hoje.
Isso fora crucial. Se Gina tivesse descoberto que Duncan já sabia que ela estava a par da cirurgia do presidente, sua credibilidade desmoronaria, e com ela, seu plano.
Agora apenas precisava manter Oliver e Gina separados até a hora do jantar.
Depois disso, não faria mais diferença.
Duncan esfregou os olhos ardidos e cansados. Se ao menos houvesse outra forma de sair dessa situação. Passara quase toda a noite anterior andando de um lado para outro de sua casa, tentando imaginar uma solução. Não encontrou nenhuma.
Seu estômago foi tomado por uma onda de náusea.
Deus, como queria que esta noite acabasse logo.
O telefone tocou. Era Duncan.
— Está pronta?
— Claro que sim — respondeu Gina. —Você não disse sete e meia? Não me diga que ainda não saiu de casa.
— Estou cruzando a Ellington neste momento. Chegarei dentro em pouco.
Coisa fantástica o celular, pensou Gina, desligando seu telefone.
A julgar pelo telefonema, Duncan não queria que ela o mantivesse esperando. A Ponte Duke Ellington ficava a menos de um minuto de distância; sem dúvida Duncan esperava que Gina estivesse aguardando no vestíbulo do térreo quando ele chegasse. Oliver provavelmente não se importaria em subir para esperar por Gina, mas por que lhe dar o trabalho?
Olhou—se uma última vez no espelho. O vestido preto, que mama sempre lhe dizia para manter no guarda—roupa, era perfeito para hoje. Quando retornara de Louisiana, Gina investira num pequeno vestido lustroso desenhado por Donna Karan—justo, com a gola ornada com pequenas pedras preciosas. Ela acrescentara um discreto colar de pérolas e brincos combinando. Simples, mas elegante. A aparência perfeita para aquelas recepções no Capitólio às quais ela sempre sonhara comparecer. Até agora o vestido não saíra do armário. Mas essa noite ele seria visto. No Galileo. Um lugar adequado para sua estréia.
Como o tempo estava chuvoso, Gina pôs a capa de chuva sobre os ombros e desceu as escadas. A mercedes preta de Duncan chegou logo depois. Ele saiu e abriu a porta da frente para ela. Ao entrar, Gina viu que o automóvel estava vazio.
— Onde está Oliver?
— Um pouco indisposto. É aquele problema estomacal dele, que vai e volta. Oliver mandou dizer que sente muito e que não conseguiria comer nada esta noite, nem mesmo no Galileo.
— Mas isso é terrível... Vamos ligar para Oliver logo depois do jantar para perguntarmos como ele está se sentindo.
— Acho que ele disse que ia se arrastar até a cama e ficar debaixo das cobertas até amanhã cedo.
— Não tem ninguém para cuidar dele?—Gina não pôde resistir à tentação de aproveitar o momento para satisfazer sua curiosidade sobre Oliver. Não tenho vergonha?— Ele não tem nenhum amigo para cuidar dele?
— Oliver é uma das pessoas mais auto—suficientes que conheço. Tem uma faxineira que vai à casa dele uma vez por semana. Afora isso, vive sozinho e bastante satisfeito. Sem esposa, filhos ou amante e, ah, sim, não é homossexual.
— Nunca achei...
— Se tivesse achado, não seria a primeira pessoa.
— Pobre Oliver. Sinto—me mal por causa dele. Você não disse que a idéia de jantarmos fora dele?
— Eu ia cancelar, mas ele me fez prometer que eu não decepcionaria você.
Esta noite serei eu mesmo e Oliver também.
— Quer dizer que vai comer por dois?
— Sim. Com bastante alho.
Gina notou que o sorriso de Duncan pareceu um pouco forçado. Parecia tenso, com a postura rígida. Aparentava estar pouco à vontade. Seria por causa dela? Será que se sentia constrangido por levar uma jovem funcionária para jantar?
Mas Duncan raramente se preocupava com o que pensavam sobre ele.
A mercedes cruzou a Connecticut como um navio de guerra atravessando um lago. Gina, que nunca estivera antes no carro de Duncan, sentiu—se invulnerável ao ver as lojas e hotéis ao longo da Connecticut passarem do outro lado do vidro fume. Contornaram o Círculo Dupont e em seguida dobraram à direita, entrando na M Street. Viraram mais uma vez, à esquerda, e chegaram ao restaurante.
— O Galileo — disse ao entrarem na garagem ao lado. Um dossel castanho simples sobressaía do que parecia um edifício comercial. — Onde a elite esfaimada se encontra para comer.
Gina decidiu sobrepujar Duncan.
— Onde vorazes dão—se ares loquazes e perspicazes empachando—se tal edazes camicases.
Pronto. Sua frase tinha sido duas ou três vezes melhor que a dele.
Duncan a fitou por um momento, e então disse: — Minha cara, isso foi belo.
Mas ele não estava sorrindo. Tinha uma expressão estranha. Quase denotando... sofrimento. O que há com Duncan esta noite? perguntou—se Gina.
Seu manhattan antes do jantar foi perfeito, o mezze lune digranachio, soberbo, o serviço impecável e o vinho que Duncan pediu — um amarone 1984 — suave como seda. A decoração espartana do Galileo surpreendeu Gina; nada de cortinas e mobílias de estilo mediterrâneo. Tudo leve e discreto. Mas a atmosfera na mesa deles não estava nada leve. Em alguns momentos os dois chegaram a ficar sem assunto —algo em geral impossível na presença de Duncan. Não estava falando sem parar nem fazendo piadinhas. Mesmo quando Larry King e o senador Rockfeller entraram no restaurante e se sentaram a algumas mesas de distância, Duncan se restringiu a apenas alguns comentários sarcásticos. Em alguns momentos Gina flagrou—o fitando—a; em outros momentos ele parecia a um milhão de quilômetros de distância. Apenas beliscou a vitela e mal bebeu do vinho, mas continuou enchendo a taça de Gina. Ela se perguntou se Duncan estaria preocupado com a saúde de Oliver.
Queria ter uma pista para solucionar o enigma que era esse homem. Sempre que pensava ter terminado o quebra—cabeça, encontrava uma peça nova que a obrigava a desmanchar tudo e recomeçar.
Percebeu quando Duncan fitou por mais tempo sua taça de vinho cheia pela metade.
— Sente—se bem? Ele olhou para cima.
— Hum? Sim, claro.
— Parece abatido.
Ele encolheu os ombros.
— Apenas pensando na vida, nas voltas que ela dá. Nos truques cruéis que ela nos impinge.
— Alguns truques são engraçados.
— Algumas vezes a vida nos encurrala—disse Duncan, como se Gina não tivesse respondido — e não encontramos os meios necessários para escaparmos.
O que estava errado com ele esta noite?
— Quer sobremesa?—perguntou ele, enquanto o garçom estava recolhendo os pratos.
— Acho que não conseguiria comer mais nada. Mas eu tomaria um pouco de café.
— Deixe o café por minha conta. Não me importa se este é um dos melhores restaurantes da cidade, o café deles não chega aos pés do meu. Tomaremos café de verdade lá no meu escritório.
Ela pensou em recusar, mas percebeu que não poderia negar a Duncan seu ritual do café. Talvez isso o animasse. Além disso, só precisariam se desviar alguns quilômetros do caminho.
Depois que Duncan pagou a conta, Gina se levantou e sentiu—se um pouco tonta. Percebeu que consumira a maior parte do vinho.
Enquanto observava o lânguido lago koi no jardim de pedras do outro lado da janela, Gina se perguntou se haveria algum lugar na Terra em que se sentiria menos confortável do que no escritório de Duncan. Fora ali que ela arrombara a gaveta dele, onde ontem mesmo entrara sorrateiramente para examinar a estante. E aqui estava ela, enquanto Duncan lhe fazia o que ele considerava o melhor café do mundo.
Gina se sentia uma cobra.
Mas pelo menos a perspectiva de um pouco de café de qualidade parecera animar Duncan. Talvez fosse esse o problema dele a noite inteira: falta de cafeína.
— Finalmente — disse Duncan, virando—se de seu equipamento com uma xícara fumegante. — O café perfeito para depois do jantar.
Gina pegou a xícara e cheirou o café.
— Alcaçuz?
— Eu sei, eu sei. Prometa que não vai contar a ninguém que adulterei meu próprio café. Mas achei que depois de uma noite de comida italiana, seria adequado tomarmos nosso café com um pouco de licor de alcaçuz.
— Humm... É diferente.
— Um licor preto especial — esclareceu Duncan, bebendo o seu. — Confere um sabor único. Prove.
Gina tomou outro gole. Definitivamente não era para seu paladar, mas não seria capaz de negar—se a beber depois de todo o trabalho que ele tivera. Em vez de prolongar sua agonia, bebeu depressa.
— Mais uma xícara? — perguntou Duncan.
— Não, obrigada—respondeu Gina.—Somando o manhattan, o vinho e o licor de alcaçuz, acho que alcancei o meu limite.
O que não era exatamente verdade. Sentia—se tonta.
— Nada para se preocupar. Se não vai dirigir, que diferença faz?
Quando entraram na mercedes, uma chuva fina começou a cair. As luzes dos postes e dos faróis, refratadas pelas incontáveis gotas de água nas janelas do carro, fez o estômago dela revirar um pouco. Fechou os olhos um instante e respirou fundo. Gina preferiria morrer a vomitar no carro de Duncan.
Ele estacionou na Kalorama, pegou as chaves de Gina e levou—a até o apartamento. Deixou—a entrar, e em seguida recuou para o corredor.
— Está se sentindo bem?
— Vou melhorar. Obrigada pelo jantar. E sinto muito por...
— Esqueça. Eu não devia ter lhe dado aquele café batizado. Gina percebeu uma coisa estranha na voz de Duncan quando ele disse isso, mas sua expressão estava ilegível. Ou seria porque Gina já não estava enxergando com nitidez?
— Boa noite, Duncan.
— Boa noite. Vá direto para a cama.
— Nem precisa dizer isso.
Assim que ele fechou a porta, Gina caminhou até o banheiro. Mas não vomitou. A náusea persistia, mas agora o mundo ao seu redor perdera o movimento. Ele parecia ter—se cansado de girar.
Pensou em tomar um banho e então disse, ora, deixa pra lá. Precisava mesmo era de um bom sono.
Tirou a capa de chuva e jogou—a sobre uma cadeira. Sentou—se na cama, tirou a calcinha e começou a abrir os botões do vestido. Antes de chegar ao último, Gina se deitou e fechou os olhos. Apenas por um segundo...
não mais que um minuto... depois terminaria de se despir...