Implante
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RECUPERAÇÃO
Com os compromissos da manhã terminados, os corredores do centro cirúrgico ficaram silenciosos. Silenciosos demais. O estômago de Gina ainda doía, enquanto ela completava sua prescrição dos procedimentos para quinta—feira.
Por que abrira sua enorme boca?
Por que ele teria sabido mais cedo ou mais tarde... especialmente quando ela começasse a pedir mais horas de folga.
Mas você jamais conseguirá o trabalho, idiota.
Certo. Absolutamente certo.
Terminou o último exame, desligou o computador e permaneceu sentada.
E agora o quê?
Tinha de encará—lo. Tinha de descobrir em que pé os dois estavam. Ainda era bem—vinda ali como avaliadora pré—operacional e assistente cirúrgica, ou seria despedida?
Só havia uma forma de descobrir.
Tomou coragem e subiu até o andar térreo. Dali bastava uma caminhada curta pelo corredor.
A recepcionista e secretária de Duncan, uma loura jovem e bonita, guardava a porta do escritório.
— Oi, Barbara. Ele está? Ela sorriu para Gina.
— Você acaba de perdê—lo. Ele disse que ia dar uma olhada no senador e depois...
— ... seguir direto para o campo de golfe—completou Gina. Essa era a rotina de Duncan.
— Talvez ainda esteja aqui. Se você correr...
— Obrigada, Barb.
Atravessou, apressada, o corredor na direção da sala de recuperação VIP.
Ao longo do percurso, viu Sharon CoUins, a enfermeira da sala de recuperação, conversando no corredor com Joanna. Reduziu o passo ao cruzar com elas.
— Desculpe, Sharon. Você não está... ?
— Cuidando da sala VIP?—Baixa e morena, Sharon tinha o corpo de uma tartaruga Ninja, mas era uma excelente enfermeira. —Sim. O Dr. D. me disse que descansasse um pouco enquanto ele verificava os pontos no paciente. Eu estava quase voltando lá.
— Bom. Então talvez eu consiga alcançá—lo.
— Tem certeza que quer isso? — perguntou Joanna. Gina forçou um sorriso.
— Não.
Dobrou o corredor e seguiu até a sala de recuperação VIP — uma porta lisa, sem marcas — e bateu gentilmente. Como ninguém respondeu, tentou de novo.
— Duncan? Ela abriu a porta.
A luz do sol de meio—dia entrava pela janela, filtrada pelas cortinas bege. Carpete em vez de linóleo, mogno em vez de fórmica. Um ambiente com um verniz de sofisticação, mas ainda assim perfeitamente funcional do ponto de vista médico.
Na cama, o senador Vincent, sob o efeito da anestesia geral, ressonou suavemente. Mas nada de Duncan.
Droga. Ela o perdera. Não podia ter ido muito longe. Estava quase saindo quando viu o senador Vincent mover a perna. O lençol estava levantado, revelando um local avermelhado na coxa branca. Ela se aproximou.
Sangue.
Só um ponto. Não mais que uma gota. Mas na perna não deveria haver sangue. No travesseiro, talvez, mas não ali.
Levantou o lençol e olhou para a perna do senador. Um ferimento pequeno e semicircular, menos de meio centímetro de comprimento na parte externa da coxa, ligeiramente na direção da parte posterior.
Gina sondou a área ao redor do ferimento e o senador se moveu de novo.
Entre as bandagens, os lábios se esforçavam para se abrir. Fitou—a com olhos vítreos que em seguida se fecharam de novo.
— Injeção—murmurou.
— Como?
— Me deu uma injeção.
— Quem lhe deu uma injeção?
— Dr. Lathram. — Ele abriu os olhos de novo e sorriu. — Dose especial.
Apenas para pacientes selecionados.
O senador fechou os olhos. Começou a roncar. Gina ficou parada na frente dele. Uma injeção? Desde quando Duncan dava injeções? Nunca.
Vincent devia estar errado... mas ainda assim definitivamente havia uma perfuração na coxa.
Ela puxou de volta as cobertas dele.
Estranho. Muito estranho.
Um ruído atrás dela fez com que se virasse. Era Collins abrindo a porta com delicadeza. Ela olhou em volta.
— Ele já saiu?
— Quando entrei não o encontrei. O Dr. Lathram disse alguma coisa sobre dar uma injeção no senador?
Collins checou o prontuário.
— Não. Só o usual — iyienol#3, dois P—Oq quatro P—R—N.
— Não; estou querendo saber se ele mesmo aplicou alguma injeção.
O rosto redondo de Collins se abriu num sorriso.
— Hum... De onde veio isso? Parece mais um pequeno corte que uma marca de agulha.
— Ele disse...
Collins balançou gentilmente o senador Vincent.
— Senador? Está acordado?
Ele gemeu e seu olhos tremeram, mas não abriram.
— Estou, mamãe — disse ele. Collins sorriu de novo.
— Vê? Estou mais propensa a achar que o Homem da Lua deu uma injeção no senador do que o Dr. D. Além disso, onde está a seringa? E a ampola da injeção?
Collins tinha razão.
— Está certa. — Gina se virou e caminhou para a porta. — Estou saindo.
Vejo você na terça.
Gina não estava convencida, mas preferiu tirar aquilo da cabeça. Tinha outras coisas em que pensar. Como a entrevista com o deputado Allard na manhã do dia seguinte. Outro dos pacientes de Duncan, a propósito. Uma semana antes, Gina assistira a sua lipoaspiração abdominal.
E se não funcionasse com ele, poderia recorrer novamente ao senador Vincent.
Não tivera isso em mente ao se candidatar ao emprego no centro cirúrgico de Duncan, mas essa era uma das vantagens de trabalhar ali: se os ricos e influentes queriam cirurgia plástica, era a Duncan Lathram que procuravam.