Implante
* 25
GINA
Gina bocejou enquanto tentava vencer o tráfego na Connecticut Avenue.
Cansada.
Não apenas cansada. Exausta.
Ficara de plantão no Lynnbrook Hospital na noite anterior. Tentara negociar horário com alguém, mas ninguém se mostrara interessado em trocar com ela.
Pelo menos ela fora capaz de convencer Jim Grady a pegar as últimas duas horas de seu turno. Mas por mais que gostasse da idéia, não usaria o tempo para dormir. Queria chegar antes de Duncan na clínica hoje.
Chegaria lá primeiro, estaria lá quando Duncan aparecesse e ficaria de olho nele até a chegada de Marsden. Depois disso, grudaria no senador: participaria como assistente em sua cirurgia e não o perderia de vista até ele sair da clínica e entrar no carro que o estaria esperando.
Entrou no estacionamento da clínica e parou. A mercedes preta de Duncan já estava estacionada.
Gina socou o volante. Porra!
Muito bem. Teria de adaptar seu plano. Se Duncan perguntasse, Gina diria simplesmente que saíra mais cedo do Lynnbrook, mas não o bastante para passar em casa primeiro.
Entrou em uma das vagas e caminhou apressada até a porta. Ao entrar, parou. Uma música suave pairava no ar: um arranjo sinfônico e inadequado de uma melodia dos Beatles, acompanhado pelo aroma do café fresco de Duncan. Gina não ficou com água na boca. Bebera café a noite inteira.
Seus sapatos eram de sola macia e não fizeram som enquanto caminhou pelo corredor na direção do escritório. Passou correndo pela mesa de Barbara e parou diante da porta aberta para escutar. Nenhum som vinha da sala, nem mesmo a televisão. Duncan quase sempre deixava a TV ligada na CNN ou na C— SPAN. Bateu levemente à porta enquanto olhava para dentro.
— Duncan?
Vazia. Exceto pelo aroma suave de café, o escritório estava exatamente como Duncan deixara na terça. Mas onde ele estava?
Enquanto se voltava para sair, um brilho sobre a mesa atraiulhe a atenção. Aproximou—se. Era um frasco.
A boca de Gina ficou seca quando reconheceu a DTP. Estava colocado sobre uma bandeja de metal. O trocarte e o obturador também, agora selado dentro de uma embalagem hermética transparente. Devia ter sido esterilizado. Por quê? Estava sendo preparado para uso? Ao lado jazia uma seringa fora da embalagem. E um implante tamanho grande. Um implante cheio.
Gina se sentiu nauseada. A sala girou, e teve vontade de vomitar.
Ai, Duncan! É verdade!
Lágrimas desceram—lhe dos olhos. Como ele podia fazer isso?
Então Gina ouviu uma porta batendo em algum lugar no corredor. Foi atravessada por uma onda de pânico. Não podia ser descoberta ali.
Girou sobre os calcanhares e correu para a porta. Ninguém à vista, mas pôde ouvir passos de alguém dobrando a esquina do corredor. O coração batendo enlouquecidamente, Gina correu até o banheiro dos funcionários.
Ficou parada ali ofegante, suando, enquanto a náusea aumentava. Então se inclinou sobre a privada para vomitar. Não saiu nada. Ao virar— se para apoiarse na pia, viu—se de relance no espelho: pálida, doentia e trêmula.
Duncan... Duncan... Duncan... isso não pode estar acontecendo. Esse não é você!
Mas aquele era Duncan. As peças encaixavam—se. As especulações mais ensandecidas de Gina tinham acertado bem no alvo. Duncan estava envenenando esses homens, implantando uma neurotoxina nos tecidos deles, fazendo—os entrar num estado psicótico...
No qual ele mesmo já se encontrava.
Gina segurou com força a borda da pia e se empertigou. Lavou o rosto e tentou reorganizar os pensamentos.
Duncan tivera um colapso.
Não um colapso, disse a si mesma. Seja científica. Use seu treinamento.
Isso não era fácil de fazer com alguém tão próximo, mas precisava recuar alguns passos e olhar para ele.
Duncan... sofrendo de alguma forma de esquizofrenia paranóide...
vingando—se da Comissão de Diretrizes que arruinara a carreira dele anos antes... e que agora, em sua mente, ameaçava aniquilar toda a profissão médica. Delírios paranóicos costumavam ser ligados, ainda que de forma tênue, à realidade, mas a psicose aumentava a ameaça. Para um psicótico, qualquer um é um inimigo em potencial. Ele não podia confiar em ninguém de modo que seu único recurso era tomar medidas drásticas por conta própria.
Se não o perturbassem, Duncan provavelmente representava perigo apenas para os membros da Comissão de Diretrizes. Mas se fosse desafiado, ameaçado e encurralado, poderia agir de forma imprevisível. Duncan poderia se tornar uma ameaça a qualquer um.
E então, o que faço?, perguntou Gina ao seu reflexo enquanto enxugava o rosto.
Adquirira uma cor melhor agora. A expressão doentia desaparecera.
Sentiu—se mais sob controle, mas apenas um pouco. O estômago se acalmara, e não estava sentindo impulso de fugir.
Uma coisa sabia que não devia fazer: confrontar Duncan. Ele poderia perder o controle e fazer alguma coisa insana. Só que ele já fizera coisas insanas. Quatro vezes. Possivelmente mais.
E o senador Marsden seria a próxima vítima.
Um violento tremor atravessou—lhe o corpo, começando em sua espinha e subindo. Uma reação retardada.
Agüente firme, Panzella. Você consegue lidar com isso.
Empertigou—se, alisou a blusa, balançou o cabelo para trás e tentou delinear um plano.
Não diria nem faria nada esta manhã. Agiria com naturalidade. Não forneceria a Duncan nenhuma pista de que suspeitava de alguma coisa.
Faria o que era sua obrigação fazer e um pouco mais: seria assistente de Duncan na cirurgia, ficaria sentada junto ao senador durante sua recuperação, iria vê—lo ter alta e só então sairia. Mas assim que chegasse em casa ligaria para Gerry, contaria a ele sobre a DTP, o ultra—som e o trocarte, passaria por fax os recortes de jornal e deixaria o FBI, o Serviço Secreto ou qualquer outra pessoa assumir.
Precisava agir com naturalidade.
Saiu para o corredor e caminhou de volta até o escritório de Duncan, tentando parecer casual. A mesa de Barbara estava vazia. Ainda era cedo para ela chegar. Como antes, Gina caminhou até a porta de Duncan. Dessa vez ouviu um som vindo de dentro do escritório. A TV estava ligada.
Afora o terminal de computador e os jornais e papéis de sempre, não havia nada em cima da mesa.
A bandeja com a DTP, a seringa, o trocarte e o implante haviam desaparecido.
Mais um tremor, outra onda de tontura, mas dessa vez, breve. Estava novamente sob controle.
O que esperava? Que ele deixasse aquelas coisas avista de todos a manhã inteira?
Estavam de novo trancadas na gaveta, prontas para o uso.
Ela ergueu o queixo. Não hoje, Duncan. Não no meu senador.
— Bom! Você chegou cedo hoje!
Gina quase gritou de susto quando Duncan passou à sua frente, cruzando o escritório na direção da cafeteira.
— Saí cedo do hospital—conseguiu ela dizer.
— Bom. Temos muito o que fazer hoje. — Encheu uma xícara e a ofereceu a Gina.
— Café?
— Não, obrigada.
— Pense melhor. É um Kona, legítimo e puro, enviado diretamente de uma plantação no sul de Kailua. Você precisa experimentar. Insisto.
Talvez ela devesse, apenas para ser sociável.
— Está bem. Só um gole.
— Você vai adorar—disse Duncan, oferecendo—lhe uma xícara fumegante.
Duncan observou Gina beber, e sorriu quando ela balançou a cabeça de satisfação.
— Hum... Que maravilha!
Ela o observou mexer com o funil e o filtro. Estava vestido com calças compridas cinza, blusa azul de algodão e um suéter marrom sobre os ombros. Parecia tão relaxado, tão normal Mas ela sabia que os paranóicos costumam ser assim. Perfeitamente sãos e normais em todos os aspectos de suas vidas, exceto no que dizia respeito ao seu delírio.
Lembrava—se do estudo de caso sobre um executivo bem—sucedido, presidente de três empresas, marido e pai exemplar, amado por todos, que um dia ficou louco quando um de seus vice—presidentes jogou cinza de cigarro na urna que servia de casa para o homenzinho azul que lhe dava conselhos.
Duncan parou o que estava fazendo naquele momento para olhar a TV Na C—SPAN aparecia uma entrevista com o porta—voz do governo. Ele fez uma careta.
— Não deviam passar essas coisas de dia.
— Por que não?
— Pode haver crianças assistindo — disse ele com uma piscadela maliciosa. —A programação da C —SPAN devia ser limitada às madrugadas.
As crianças em seus anos de amadurecimento não deviam ser expostas a políticos. As pessoas reclamam da violência na TV, mas isso é muito mais corruptor.
Gina forçou um sorriso. Não conseguia achá—lo engraçado agora. Ele continuou olhando a tela.
— Onde eles acham essas pessoas?
— Elas são eleitas — disse Gina com frieza. — É o modo americano. Eles concorrem ao cargo e obtêm o maior número de votos.
— Sim. Só que ninguém que você realmente gostaria de ver num cargo público teria o mau gosto de concorrer. E quando concorre, não vence.
— Consigo pensar em pelo menos uma exceção — disse ela, com o senador Marsden em mente.
— Uma avis rara, asseguro—lhe. Pense nisso, Gina. De um lado você tem um homem inteligente e íntegro. Ele concorda em concorrer a um cargo, pensando que poderá fazer alguma coisa significativa. Mas ele não lamberá as botas dos figurões, não beijará bebês nem será juiz em concursos de porcos. Insiste em ser julgado apenas por sua posição nos assuntos de relevância. Do outro lado, você tem um político profissional que prometerá qualquer coisa a qualquer um, fará acordos sem parar, posará sempre que vir uma câmera, fará qualquer coisa a favor ou contra qualquer um para obter um voto.—Duncan voltou—se para Gina, fitando—a intensamente:—Diga—me, Gina, quem vai ganhar essa eleição?
Gina não conseguiu responder. O desgraçado tinha razão.
— Repito — disse ele, sem esperar por uma resposta. —As pessoas que merecem ser eleitas raramente concorrem. E quando o fazem, não vencem.
Esse é o sistema americano.
— Não conheço um sistema melhor. E você?
— Não — disse Duncan com um suspiro. — Mas isso não significa que não possa ser melhorado. Nós limitamos o presidente a dois mandatos. Por que não limitar os congressistas?
— O senador Marsden se impôs seu próprio limite de mandatos — disse Gina. — Dois mandatos e ele está fora.
— Veremos se isso vai acontecer.
Gina sentiu um tom de ameaça nesse comentário.
— Falando do bom senador, ele é o último em nossa lista esta manhã. E
você vai ser minha assistente, presumo.
— Isso mesmo.
— A seu pedido, certo?
— Certo de novo.
— Por que isso ? Você nunca pediu para me assistir na operação de determinado paciente.
— Trabalho para o homem. Duncan fitou Gina.
— Acha que isso é sensato? Não tem medo de se envolver emocionalmente?
Eu poderia chamar Cassidy.
— Esta não é exatamente uma cirurgia de vida e morte. E apenas vou ser sua assistente.
Por que essas perguntas? Ele nunca lhe fizera perguntas assim antes.
Mas, pensando melhor, os paranóicos não suspeitam de todos?
— Muito bem. Vamos fazer a assepsia às nove e quarenta e cinco. Marie vai anestesiá—lo às dez. Acabaremos a tempo do almoço.
— Marie ? A anestesia vai ser geral?
— Claro.
— Não seria suficiente a anestesia local? Ele a fitou. — Há quanto tempo você trabalha aqui? É a primeira vez que me questiona sobre a anestesia usada. Tem certeza que não está envolvida demais com este paciente?
Anestesia geral significa que Marsden estaria grogue depois da cirurgia.
Duncan poderia enfiar o implante sob a pele do senador sem que ele percebesse nada.
— Tenho certeza — afirmou Gina. — Só que sendo uma operação tão pequena, achei...
— Terei de fazer uma incisão larga o bastante para extirpar todo o tumor e não deixar nenhuma chance de recorrência. Em seguida, terei de fazer o enxerto e reconstruir o topo da aurícula para que não pareça que tentaram dar um tiro na cabeça dele mas erraram por um triz. Não quero que ele fique mexendo o pescoço ou a cabeça no meio da operação. Não acha que isso é justificativa suficiente para o uso de uma anestesia geral?
— Claro — respondeu Gina na hora. Começava a ficar tensa. — Foi só uma pergunta.
Um leve sorriso apareceu nos lábios de Duncan.
— Estamos um pouco tensos esta manhã, não é verdade? Ela colocou a xícara meio vazia sobre a mesa e caminhou até a porta.
— Café demais, acho.
No corredor sentiu—se desabar. Duncan estava muito prevenido. Rezou para conseguir levar tudo isso até o fim.
A cirurgia transcorreu com tranqüilidade. Duncan fez um belo trabalho extirpando e reconstruindo a aurícula superior da orelha do senador Marsden. E Gina fez o que esperava ser um trabalho igualmente bom protegendo o restante do corpo do senador.
Primeiro, ajudou Oliver pessoalmente a encher uma fornada de seus implantes menores, um dos quais seria usado na orelha do senador. Logo que Marsden chegou, Gina fez tudo para não deixá—lo um momento sequer a sós com Duncan. Conseguiu isso ficando sempre ao lado do senador ou de Duncan até o fim da cirurgia.
Duncan, estranhamente, não deu nenhum sinal de frustração ou agitação.
Gina ficara preocupada com a possibilidade de Duncan perder o controle quando descobrisse que seria impossível deixar o senador sozinho. Mas considerando o fato de que ela estava atrapalhando seus planos, ele parecia de excelente humor.
Isso deixou Gina ainda mais preocupada.
Agora estava sentada ao lado do senador Marsden enquanto ele dormia no quarto de recuperação VIP. Ele se mexeu pela segunda vez nos últimos cinco minutos. Acordaria a qualquer momento. Aprovação estava chegando ao fim.
Graças a Deus. Sentia—se morta de cansaço. Sentada ali com o sol do início da tarde entrando pela janela, podia ter cochilado se não fosse por sua bexiga. A pressão na virilha estava ficando insuportável. Não conseguia lembrar de alguma vez ter sentido algo assim, mas não podia deixar a sala por um segundo sequer.
— Como ele está?
Estremeceu ao ouvir a voz de Duncan. Estava parado no vão da porta, apoiado na parede com uma das mãos.
— Nunca vi você tão agitada, Gina. Talvez esteja certa sobre a quantidade de café.
— Estou bem—disse, tentando evitar que a tensão transparecesse em sua voz. Seria agora? Seria nesse momento que ele tentaria alguma coisa?
Duncan sorriu.
— Bom. Mas como está o senador? Ele é o paciente, lembra?
— Acordando. Despertará em alguns minutos.
Não era verdade, mas não queria que Duncan imaginasse que teria tempo de tentar alguma coisa.
— Excelente.—Ele olhou o relógio.—Veja só. Já está na minha hora. E como você decidiu ser a enfermeira do senador, além de minha assistente cirúrgica e sua auxiliar legislativa, pode cuidar dele daqui em diante.
Só não esqueça de lembrar Barbara de dar a ele as instruções usuais sobre cuidados com enxertos e marcar uma consulta comigo para a próxima semana. Gina fitou Duncan. Estupefata. Afônica.
— Gina?
— Está saindo agora?
— Tem algum motivo para eu ficar?
— Bem, não. Eu só... divirta—se no golfe.
— Obrigado. Vou me divertir sim.
Ele acenou para ela e saiu, deixando Gina sentada e olhando para a porta vazia.
Será que estou exagerando?, perguntou—se ela.
Não vira a bandeja com a DTP, o trocarte e o implante em cima da mesa de Duncan? Por que, se ele não tinha intenção de usá—los hoje? A não ser...
A não ser que estivesse completamente errada.
E se tivesse interpretado tudo errado? E se estivesse enganada? E se...?
Não. As peças encaixavam—se bem demais. Duncan estava tramando alguma coisa.
Mas o quê? Ele não tivera uma oportunidade sequer de colocar o implante no senador... Gina sabia disso. Ela atrapalhara os planos de Duncan, e o que ele fazia? Ia jogar golfe. Só que Duncan jamais ia ao clube de golfe quando dizia.
Mas pelo menos com Duncan fora, ela podia ir ao banheiro. Sua bexiga estava a ponto de estourar. Saiu para o corredor e foi direto até a porta dos fundos. Avaga no estacionamento de Duncan estava vazia. Ela entrou correndo no banheiro.
Alguns minutos depois, sentindo—se quase flutuando de alívio, voltou ao quarto de recuperação.
— Boa tarde, senador—disse ela.
Ele sorriu de leve e fechou os olhos outra vez.
Ela o encarou, subitamente nervosa por tê—lo deixado sozinho durante alguns minutos.
Estou ficando tão paranóica quanto Duncan, pensou, mas não pôde resistir a levantar o lençol do senador e verificar—lhe a perna.
Gina quase desmaiou ao ver um ponto vermelho na coxa de Marsden. Sangue?
Trêmula, apoiou—se na cama para não cair.
Sim... era sangue. Um ferimento pequeno semicircular, exatamente a marca que seria deixada por um trocarte. Exatamente igual à marca na coxa do senador Vincent nesse mesmo quarto há um mês.
— Oh... Deus!—sussurrou enquanto era tomada por fúria e terror. — Deus do céu!
Gentilmente, cutucou a área em torno do ferimento. A perna do senador enrijeceu. Ela levantou os olhos e o viu observando—a.
— Olá de novo — disse ela, tentando manter a voz calma e o rosto profissionalmente neutro. — O Dr. Lathram esteve aqui?
— Quem é o Dr. Lathram? — ele lambeu os lábios secos. — Pode me trazer um pouco de água?
Ainda estava entorpecido demais para ajudar Gina.
Ela forçou as pernas trêmulas a levá—la para fora da sala onde poderia encostar—se na parede e deixar o corpo tremer.
Em que espécie de pesadelo se envolvera? Onde estava o espelho pelo qual ela entrara para cair nesta casa de loucos?
Duncan. Onde estaria ele agora? Era óbvio que não saíra, apenas fingira isso. Provavelmente escondera—se numa das salas e ficara esperando que Gina deixasse o senador sozinho.
E enquanto eu estava mijando, ele entrou no quarto do senador e apunhalou—o com o trocarte.
Filho da puta!
Gina cambaleou até a porta da frente e viu uma mercedes preta como a de Duncan saindo de trás dos arbustos. Não pôde enxergar a placa, nem teve certeza se era Duncan atrás do vidro fume. Observou o carro desaparecer no tráfego.
Correu de volta até o quarto e deparou com Barbara olhando para ela.
— Está bem, querida?
— Estou. — Tinha de contar a alguém o que estava acontecendo, mas Barbara não era esse alguém. — Perfeitamente bem.
Retornou ao quarto do senador Marsden e encontrou—o se apoiando nos cotovelos para se levantar.
— Que tola eu sou. Havia água aqui o tempo inteiro.
Encheu um copo e observou—o beber, enquanto pensava no que fazer.
Deveria contar tudo que sabia ao senador? Dizer—lhe que o seu cirurgião acabara de colocar um implante cheio de uma toxina em sua coxa?
Estudou a expressão do senador Marsden. Ele não estava em condições de ouvir ou compreender. Então a quem Gina poderia recorrer? Com quem poderia contar?