Isso Só Acontece Comigo

Dayana Araújo · Capítulo 12 de 38

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Isso Só Acontece Comigo

Capítulo 12

Analisando a proposta

Pausa.

Quero ter aquele controle do filme “Click”, onde se congela as pessoas para voltar ao passado. Se tivesse, teria congelado Soraya e metido a faca do peru na cabeça dela! Eu não acredito do que ela acaba de dizer. O que fiz de errado nesta vida? Eu devo ter sido uma pessoa muito má. Porque não é possível que Deus me castigue tanto. O que está faltando agora? Ser presa? Morar debaixo de uma ponte? Ser abduzida por aliens? Eu já não duvido de mais nada.

─ O que me diz, prima? ─ me fita com os olhos cheios de malícia.

─ O que acontece comigo se… não aceitar?! ─ mordo os lábios com receio.

─ Se não concordar, o que acontecerá com você, me dá até dó.─ sorri de forma torta.

Fico imaginando esse vídeo circulando na internet. Senhorinhas idosas me chamando de desavergonhada. As portas de todas as agências fechando para sempre para mim. Teria realmente que ir para plateia do Sílvio Santos para caçar aviõezinhos. Que horror!

Prevejo os comentários maldosos das pessoas da internet:

Que estria é aquela na perna esquerda?

Viu aquela celulite no bumbum dessa mulher? Aquilo ali afundaria o Titanic.

Olha só os peitos caídos da Cléo! Se é que pode chamar de peitos, parecem dois limõezinhos.

Que nojo! Essa mulher mal depila as partes de baixo. Está parecendo uma mata atlântica.

─ Aceito! ─ melhor prevenir do que remediar.

Os olhares de todos pairam sobre mim. O marido de Jaque coloca o vinho para fora. Minha prima está incrédula. Tia Lio observa cheia de expectativas. O tal Lucas parece estático. Vovó faz sinal positivo com as mãos, argumentando que antes do fim do mundo, sobra espaço para se fazer coisas idiotas.

─ Ótimo! ─ bate palminhas e senta-se à mesa.

─ Filha, você tem certeza? ─ mamãe me encara diante da resposta que provavelmente mudará os rumos da minha vida.

─ Eu tenho escolha? ─ Jaqueline me olha triste e solta uma “desculpa”. ─ Tudo bem, prima. Você é muito inocente. Não imaginava o tipo de gente com que estava lidando. ─ olho furiosa para Soraya.

─ Como você é capaz de uma coisa dessas? Eu sempre te apoiei na minha casa, em pleno Natal? ─ mamãe fita minha prima não acreditando no que estava acontecendo.

─ Titia, a senhora devia me agradecer! Estou dando uma de… Mamãe Noel? ─ volta a gargalhar e continua seu discurso. ─ Com a dificuldade que minha priminha está, demorará muito para arranjar um dinheiro desses não, é? E além do mais, a senhora também não está em condições de ajudá-la. Aquela sua pensão furreca que o titio te dava foi cortada. Devido… a seu casamento com o menino de fraldas. ─ aponta para Lucas. Desta vez fico mais perplexa. Mamãe abaixa a cabeça. E agora eu entendo tudo. Aquele moleque era meu padrasto?

Jesus, Maria e José não me digam isso!

─ Mamãe!!!!! ─ arregalo os olhos.

─ Nós … eu … contaria! ─ diz constrangida.

O tal Lucas levanta-se da cadeira e abraça dona Drica.

Aquilo não está acontecendo. Pego a garrafa de vinho e despejo mais na minha taça. Tomo um bom gole para assimilar todas aquelas informações.

─ E a prima Jaque, pobrezinha! Mais falida que moeda de um centavo. ─ dá um sorriso de dar medo até no coringa! ─ minha prima e Fabrício abaixam as cabeças e soltam algumas lágrimas que escorrem pelos seus rostos.

─ É verdade. ─ Jaque fala chorosa. ─ As vendas não estão muito boas, eu e Fabrício tentamos de tudo. Queríamos te levar para lá para que você nos desse uma ajuda. Achei que você pudesse nos recuperar da quase falência.

─ Se for assim, eu vou.─ tomo consciência da situação.

─ Bom, se quiser ir, prima querida, vá! Mas lembre-se que daqui que você adquirir os lucros, demorará muito tempo. E até na Espanha existe youtube!

Como ela sabia de tudo isso? Quem é essa mulher? Uma versão do mal do C.S.I?

Lembro da festa. Do shopping. Das roupas. Minha prima falida gastando dinheiro com algo que não pode. Sinto um desgosto apertar minha garganta. Não posso recusar.

─ Quais são as suas condições? ─ um pequeno sorriso macabro ronda seu rosto.

─ Serão três encontros com cada um deles. Começaremos primeiro com Eduardo? ─ minha prima estala a língua com prazer do que acaba de dizer.

─ Ele vai casar! ─ arregalo os olhos.

─ É por isso que a brincadeira fica boa. ─ mostra seu sorriso aberto e satisfatório para mim. ─ Você tem que me dizer onde serão esses encontros, para que eu possa averiguar os fatos.

─ O.k. ─ murmuro perdida. O que posso dizer diante desta situação sem solução? ─ Quando começa?

─ Aguarde o meu contato. Tchauzinho! ─ sai fazendo um som insuportável de seus saltos. Todos voltam a olhar para mim, me colocando no centro das atenções.

─ Não tenho dinheiro sobrinha, senão…

─ Tia Lio, não precisa se incomodar.

─ Não se preocupe minha netinha, nenhum apocalipse dura para sempre! ─ pisca os olhos.

Ah, vovó! Se tudo fosse tão fácil como nas suas histórias.

Todos se abraçam chorosos. Aquela noite também fica para história de Natais mal sucedidos da família Fernandes.