Isso Só Acontece Comigo
Capítulo 4
Nome revelado
Acordei com uma baita dor de cabeça, resultado das generosas quantidades de vinho da noite anterior. Levantei do meu sofá, onde acabei dormindo e fui direto tomar um banho. Em seguida, me arrumei com capricho e realcei meus traços com maquiagem, afinal, nunca se sabe quando podia se encontrar com um anjo dando mole nos corredores da organização.
Tomei café da manhã com frutas e iogurte. E fui ansiosa para empresa aguardando pela tão desejada presença do gato dos olhos azuis.
Assim que pus os pés no trabalho, percebi que não havia quase ninguém, constatei que cheguei um pouco mais cedo que o normal. Dei bom dia para os faxineiros que ainda limpavam o piso branco da organização; deixando o ambiente com um cheiro agradável. Aproveitei para ir à copa, tentar me enturmar com o pessoal, visto que ainda não tinha feito amizade com ninguém, e que todos eles tinham o costume de se reunir naquele lugar antes do expediente começar.
Quando cheguei, a porta estava fechada. Bati umas duas vezes até dar de cara com um único rosto. Ao me deparar com ele, esqueci até o meu nome ao ver a cena que se desenrolava à minha frente. Aquele deus grego estava sem camisa e com uma cara amassada, deduzi que estivesse dormindo no sofá onde muitos empregados sentavam. Seus cabelos estavam desgrenhados e seus olhos estavam pequenos e apertados. Meu corpo quase entrou em combustão ao se deparar com aquilo. Como conseguia ser mais sexy daquele jeito do que todo engomadinho como eu costumava ver?
Envergonhado, me pediu desculpas e colocou sua camisa branca e ajeitou os cabelos, argumentando que havia dormido no trabalho por causa de algumas complicações nos cálculos e não conseguiria ir para casa até que resolvesse. Eu só me concentrava em seus lábios se movimentando e imaginando junto aos meus. Percebendo minha distração, ele parou de falar e perguntou se eu estava bem. Balancei a cabeça afirmativa e o anjo sorriu. Um sorriso digno de um ser celestial como aquele.
Conversamos um pouco sobre trivialidades, hobbies, gostos musicais e sobre o que eu estava achando da organização. Saímos da copa e caminhamos pelos corredores da empresa até chegar na porta da minha sala; ele beijou gentilmente minha mão e se despediu, mas antes olhou para trás e revelou o que tanto eu queria saber:
A propósito, se interessar… meu nome é Eduardo.
Confesso que esperava que fosse algo mais divino. Miguel. Gabriel. Nomes que se enquadram mais a uma figura celestial. Contudo, não era a falta de uma denominação de um anjo que o descaracterizava como um. Sei bem que o que vi hoje cedo se tratava de mais uma das maravilhas de Deus. E como! Só de lembrar já estava hiperventilando.
Sentei na cadeira da minha sala e comecei a imaginar todas as coisas não santas que poderia fazer com aquele corpinho. Meus devaneios foram tantos que nem percebi que Ângela, minha secretária, batia à porta repetidas vezes, pedindo autorização para entrar, assim que a notei, me recompus e imaginei se ela havia visto minha cara de tarada nível mor, babando na poltrona. Torci para que não.
─ Senhorita Fernandes! ─ assim que abri a umbral, ela pareceu aliviada e vi discretamente fazer movimentos com as mãos, abrindo e fechando-as, como se estivessem com câimbras. Devia ter batido demais no vidro e eu sem ouvir. Concluí que ela havia visto sim minha face de quero-fazer-sexo. Mas pelo pouco que a conhecia, sabia que ela não seria inconveniente a ponto de perguntar nada. Dava graças a Deus por isso!
─ Desculpe, Ângela. Estava distraída. ─ sorri sem graça e como boa profissional que era, minha assistente manteve sua postura formal, somente me dirigindo minhas obrigações rotineiras. Repassando meus compromissos e ligações que deveria fazer. Assim que terminou de falar, notei um pequeno papel dobrado no meio de sua agenda.
─ Senhorita, este bilhete chegou agora há pouco. ─ Assim que pus os olhos nele, ela entregou nas minhas mãos.
─ Obrigada, Ângela. Mais alguma coisa? ─ quis que ela saísse logo para verificar se era o que pensava.
─ Por enquanto, não. Qualquer coisa manterei a par dos compromissos que surgirem ao longo do dia. Tenha um bom dia! ─ agradeci e ela fechou a porta com delicadeza e saiu.
Eu deveria dar prioridade a meus afazeres que tanto minha secretária enfatizou, porém, aquele bilhete me chamava e junto com ele um doce perfume que acredito ter sido despejado propositalmente. O abri e me deparei com uma caligrafia fina e precisa.
“Eu vou contando as horas e fico ouvindo passos.”
Assinado: Edu.
Na nossa rápida conversa na Copa, falei da minha paixão por “Lágrimas de Chuva” de “Kid Abelha”. Se eu já estava caidinha por aquele cara, com essa atitude ele me conquistou de vez.
─ Que carinha é essa? ─ reparei que uma moça tinha acabado de entrar na minha sala. A protestos de Ângela, que não permitia o acesso de pessoas em meu escritório, sem antes me avisar, mas conhecendo bem a mulher que estava à frente, ela não era do tipo que aguardava, fazia tudo na sua vontade.
─ Desculpe, senhorita. Ela entrou sem ao menos esperar que telefonasse. ─ minha funcionária deu uma pausa para respirar, diante da corridinha que deu para alcançar a pessoa à frente.
─ Não há por que se lamentar, Ângela. Eu a conheço. E muito bem! ─ minha face encheu-se de alegria ao estar na presença de uma pessoa que fez parte de momentos tão especiais na minha vida.
─ Isso que eu estava tentando dizer. ─ ela fez cara de poucos amigos para minha funcionária, que murmurava suas justificativas por ter se equivocado.
─ Você só estava fazendo seu trabalho, Ângela. E muito bem por sinal! Nunca se sabe que tipos de pessoas podem passar por aquela porta. Assaltantes se fingindo de bons amigos, assassinos e por aí vai. Precaução nunca é demais! Saiba que a partir de hoje essa mocinha será sempre bem-vinda. Podendo entrar a hora que bem quiser, tudo bem?
Minha secretária assentiu, em seguida ofereceu-se para ir à copa trazer água, café, na tentativa de amenizar o mal-entendido. Recusamos e dispensei Ângela. Era conversa demais que colocaríamos em dia e não daria tempo para sequer pensarmos em fazer outra coisa.
Com gritinhos histéricos, abracei tanto Michelle que ela quase ficou roxa. Um flashback invadiu minha mente. Recordando dos nossos tempos de colégio e meninices. Paqueras e recuperações em matérias que ficamos juntas. Lembro da Mari e suas implicâncias com nossa amizade dizendo: “mulher de bigode, nem o diabo pode”.
Na época, Mariane e eu não estávamos na mesma sala, o que facilitou que eu e Michelle ficássemos mais próximas, devido a nossos gostos semelhantes e pensamentos iguais. Achava um exagero os sermões da minha amiga, mas hoje, vejo que seus conselhos vieram bem a calhar.
─ Como você veio parar aqui? ─ estou curiosa pela coincidência em nos encontrarmos.
─ Menina, seguimos caminhos diferentes, mas no final nos encontramos. Me formei em contabilidade. E sou a nova contratada dessa magnífica empresa! ─ esbanjou sorrisos.
─ Que alegria! Meus parabéns! ─ a saudei feliz em saber que teria uma colega de trabalho conhecida por perto.
Michelle contou sua história de como tentou uma universidade pública, o quanto foi difícil. Como conseguiu passar na entrevista para empresa, como teve que fazer testes e mais testes como eu. Prestei atenção em cada detalhe no resumo de sua vida. Contei um pouco da minha. Relatando tudo de bom que fiz nos últimos anos, sobre minha carreira e minha vontade de um dia administrar meu próprio negócio. Minha amiga ouvia tudo esboçando reações animadas ao escutar minhas vitórias. Até que ela chegou a um ponto que eu não gostava de comentar.
─ E seu coração, como anda?
Suspirei fundo. Ainda não havia contado a ninguém sobre o que sentia nos últimos tempos. Falar dos meus sentimentos sempre era complicado. Devido à carga emocional de azar no amor, eu sempre temia que algo desse errado só no simples admitir o que sentia. Porém, eu não estava na frente de uma estranha e por mais antiético o que fosse revelar, sabia que poderia contar com ela. Era da minha amiga que estávamos falando. Ela sempre foi confiável e boa conselheira, então, não tinha para quê cerimônias.
Me aproximei mais da Michelle, olhei para os lados só para verificar que ninguém nos observava do lado de fora, por mais que eu soubesse que não daria para escutar a conversa, havia sempre aqueles que gostavam de fofocas e de leituras labiais e o que contaria era algo grave e ao mesmo tempo mais natural possível, se tratando de uma pessoa como o Eduardo.
─ Estou apaixonada! ─ ruborizei.
─ UUU. Por quem? ─ Michelle se aproximou mais do meu lado.
─ Aí é que tá! Ele é um cara do trabalho! ─ abaixei a cabeça envergonhada.
─ Ih, menina, que roubada! ─ minha amiga lamentou-se.
Naquele momento, Edu abriu a porta da sala:
─ Cléo … você… Recebeu o… ─ calou-se assim que viu a Michelle.
Nos poucos instantes que o Edu permaneceu ali parado, vi minha amiga olhar de forma sedutora para ele, porém achava aquilo normal, pois além de ser um bonitão, tinha aquela voz sensual de locutor de rádio, que só um oi fazia a gente se derreter toda.
─ Recebi.
***
Fechei minha sala. E um temporal começou a aparecer. A forte chuva fez com que acabasse a energia do prédio inteiro do trabalho. Alguns funcionários perderam seus arquivos. Ficamos trancados porque a empresa nem sequer tinha gerador e vimos que as ruas também estavam escuras. Um medo total se espalhou. Alguns aproveitaram a claridade do celular e tentavam fazer alguma coisa. Meu chefe já estava enlouquecido com a companhia de energia, falando trilhões de palavrões, tamanha sua revolta. Edu me viu e fez um aceno para o andar de cima, o vi sumir. Peguei meu celular e liguei minha lanterna e fui para as escadas.
Minha mente trabalhava em possibilidades loucas naquele escuro. Será que eu tinha visto mesmo o Edu? Poderia ser um serial killer me induzindo a um caminho sem volta. Ele poderia estar me observando há dias e aproveitou a falta de energia e tratou de executar seu plano. Ou poderia ser um vampiro sedento por sangue fazendo sua linha sexy e convidativa para eu cair em suas garras e perder cada gota de líquido que circula no meu precioso corpinho. Não me julguem! Assisti demais Buffy, a caça Vampiros, e aprendi que quando as luzes se apagam tudo pode ser possível se tratando dessas criaturas da noite. Ai, Jesus, Maria e José! O que eu estava fazendo? Indo de encontro às escuras à procura de uma noite de luxúria e rasgação de roupas que poderia terminar em uma morte cruel e sangrenta!
Com todo o medo que existia em mim, dei meia volta e fui descendo e nesse momento escutei a porta ranger. Ai, pai! Esqueci que podia ser um fantasma. Nem sei o que um poderia querer comigo, mas vai saber! Tremendo mais que vara verde não ousei nem respirar.
─ Cléo?
A voz continuava a me chamar e eu permaneci imóvel encostada na parede no meio das escadas. Fiz uma oração a todos os santos. Que se ele fosse um serial killer que caísse espatifado no chão, por alguma mão invisível e santa que o empurrasse. Rezei para que se fosse um vampiro que automaticamente eu ficasse anêmica sem uma gota de sangue no corpo para que ele procurasse outra vítima e me deixasse em paz. E se fosse um fantasma que ele encontrasse à LUZ! Mas com a proximidade da pessoa em questão, percebi que estava totalmente errada.
─ Se você quiser ficar comigo aqui nesta escada não vejo problema nenhum. ─ abri os olhos e posicionei minha lanterna de celular, até então esquecida, na direção do rosto que falava comigo. Edu me olhava sorrindo, provavelmente me achando a criatura mais imbecil deste planeta.
─ Sabe, não culpo você ter medo. Eu sou daquele tipo que morde mesmo. Onde você preferir…
Ai, pai! Isso foi uma insinuação, não foi? Esses olhos faiscando e essa mordida nos lábios não poderia ser só fruto da minha cabeça cheia de imaginação. Nem sei se tenho calcinha depois de uma declaração dessa.
─ Acha que está diante de um fantasma? Me toca para você ver se eu sou de verdade. ─ sua mão quente e macia me posicionou no seu tórax em seguida no seu abdômen e por último… em suas partes de baixo. Jesus! Eu não sou de ferro! Pulei em cima dele entrelaçando minhas pernas no seu quadril e meus braços na sua nuca. Ele sorriu satisfeito e nos direcionamos à sala do arquivo da empresa e o que fizemos ali na mesa nenhuma prece que eu pedisse conseguiria realizar com tamanha perfeição como aconteceu.
Quando à luz voltou, estávamos ainda nos arrumando, sorrindo e se me permite dizer minha opinião: prontos para outra! Mas antes que pudéssemos executar o que pensávamos, a porta da sala se abriu e fomos surpreendidos por Michelle.
─ Ei! ─ sua boca estava entreaberta pelo choque, acredito eu.
─ Michelle … nós … ─ olhamos nervosos para ela. ─ Por favor, não conte a ninguém.
─ Não vou contar… A não ser que os dois me paguem um jantar. ─ sorriu e respiramos aliviados.
Ainda dava tempo de comer um lanche rápido. Decidimos então, passarmos em um fast food. Percebi que Michelle observava o Edu com muita admiração e ouso dizer até que com segundas, terceiras e quartas intenções. A lanterninha da desconfiança acendeu e tratei de mostrar a ela que eu e Edu nos gostávamos. Conversei sobre o bilhete, os olhares furtivos e aquele clima de paixão que nos assolava sempre que nos encontrávamos. Acho que meu plano funcionou. Michele direcionou o seu olhar para seu lanche e esqueceu o Edu naquele momento. Comemos e conversamos um pouco, depois seguimos cada um para sua casa.
Passaram dias, meses e Edu sempre me pedia para ter cautela ao assumir o nosso namoro. Podíamos ser demitidos. Tentava esperar, porém a cada dia que passava, tinha mais certeza que ele estava querendo pular fora. Quando já estava pensando em desistir, o Edu apareceu de repente lá na minha sala todo contente.
─ Cléo! ─ entrou feliz. ─ Minha mãe quer te conhecer!
Estava satisfeita. Finalmente tinha chegado o grande dia!
Mal sabia eu onde estava me metendo.
No dia do tal encontro com a família dele, passei horas com a Mari no centro da cidade, à procura de uma roupa adequada. Vencidas pelo cansaço, compramos um vestido preto de cetim, com mangas até o antebraço, com comprimento acima do joelho. Passamos a tarde toda nos maquiando e fofocando.
─ Vá logo! Agarra esse bofe! ─ Mari piscou o olho.
Peguei o táxi e me dirigi ao endereço. Pelo retrovisor do carro, percebi que preto combinava muito bem com minha pele clara e meus cabelos ruivos.
Antes de apertar a cigarra da casa, respirei fundo.
Quem me atendeu foi o próprio Edu. Que com um sorriso aberto me deu as boas-vindas e me deu um beijo suave.
A casa era no bairro nobre da cidade do Recife, Casa Forte. Não chegava a ser uma mansão, mas era bem localizada e espaçosa. Tinha um pequeno jardim na frente, era de um tom verde pastel; possuía dois andares.
─ Olá, seja bem-vinda! ─ uma senhora de aparência mais velha, me recebeu com dois beijinhos, assim que entrei. Um senhor simpático, também idoso, me deu um aperto de mão e um abraço, porém não parava de olhar para meu decote V.
Fiquei na sala de estar, conversando sobre livros, música e cultura. Eduardo muito gentil me presenteou com um exemplar de um romance. Nos beijamos. Olhei no espelho da sala e reparei que meu batom rosa pêssego tinha saído. Eu detesto ficar sem batom! Posso ficar com a cara mais limpa do mundo, mas a cor dos meus lábios ninguém tira! Pedi licença e fui ao banheiro. Retirei meu batom da minha pequena bolsa de mão e retoquei no espelho do toalete. Ajeitei meus cabelos e saí, quando…
─ Ai, que susto, senhora do Vale! ─ a idosa me encarava com a face macabra na umbral. ─ Penélope era mais bonita que você e não tinha essa cara de quenga!
Cara de quenga? Gente! Me segura para eu não dar uma boa resposta a essa mulher!
─ Desculpe? ─ fiz cara desentendida.
─ É o seguinte: meu filho voltará com Penélope, foram cinco anos de namoro. Estou me referindo a ex dele, e você … prostituta. ─ me olhou de cima abaixo.
─ Senhora do Vale, mais respeito, por favor! ─ estava quase perdendo a paciência.
─ Respeito? Meu filho não sairá desta casa, nunca! ─ Ela deu uma risada diabólica e se aproximou de mim. ─ Nunca! ─ estava agora quase beijando meus lábios! ─ NUNCA!
─ Já entendi, não sou surda! Agora a senhora pode ir mais para lá? Com todo respeito, seu bafo não é lá dos melhores. ─ ela saiu e ficou me olhando perto das escadas. Quando fui descer o primeiro degrau, ela colocou sua bengala.
Aconteceu o seguinte:
1. Eu gritei.
2. Saí embolando as escadas com uma bola de futebol. 3. Levei hematomas de todos os lados.
Final?
Fui levada pela ambulância do Samu para o hospital mais próximo.
Enquanto estava internada, falei para o Eduardo que tinha sido a mãe dele. Ele me acusou de calúnia. Passamos uns meses sem se falar.
Quando melhorei e voltei para o trabalho…
─ Ai. Meu. Deus!!!!!!!!!!!!!!!
Meus papéis caíram, minha boca ficou seca, entrei em estado de choque.
Eduardo estava na cadeira giratória brincando de “cavalinho” com …. Com …. com …
Michele Bigodinho!!!!!!!!!!!!!!!!
Os cabelos dela estavam assanhados, a calcinha estava no chão. Estava desorientada! Como? Quando? E por quê?
Não que me ache, tudo bem, eu tenho um ego muito grande de beleza. Mas ela era uma mulher barbada do circo!
Os dentes eram tortos, o corpo era meio sem proporção. Uma coisa meio sem saber onde começa a bunda ou o peito.
Então…
1. Avancei em Edu como uma leoa enfurecida. 2. Meu chefe chegou. 3. Fui demitida. Depois do meu azar todos com homens,
resolvi ser freira. Fui expulsa de lá, depois que bebi o vinho dos
sacerdotes e fiz strip-tease para os seminaristas.