Isso Só Acontece Comigo

Dayana Araújo · Capítulo 33 de 38

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Isso Só Acontece Comigo

Capítulo 33

Fim do jogo

Depois daquele dia, Marcos tentou falar comigo, bateu em minha porta e me chamou, porém não respondi. Estava sendo covarde, confesso. Porém não sabia o que fazer. Provavelmente, depois tudo isso, ele desejava uma resposta. Saber se vamos ou não continuar o que estava começando.

Me sinto uma idiota e esse é o motivo de não querer vê-lo. Saber que ele passou por tanto coisa por conta de mim e não sei se tudo isso realmente vale a pena. Tenho medo de machucá-lo, de me machucar. Somos dois condenados aos amores que deram errado, será que juntos vamos ser o que daremos certo? Só o tempo dirá.

Conversei com Mari sobre todo acontecido, questionei-a diversas vezes e até discutimos, mas no final, entendi que ela acreditava que daria tudo certo, que eu finalmente me apaixonaria por alguém real e ter os pés no chão. Por isso ela fez aquilo tudo, certo que ela não negou que conhecer Dennis Lenson era um atrativo e tanto, segundo ela, era mais que merecido. Deixou até eu dar um tapa na sua cara por ter mentindo tanto, porém não fiz. Apenas puxei seu cabelo como advertência e falei que Bernardo sabia fazer uns cortes bem horrorosos e que da próxima vez que ela esconder algo de mim tenho com quem contar.

Ela ficou horrorizada. Mari adorava seu cabelão e fiz ela temer dos pés à cabeça por isso. Passado as mágoas, nos abraçamos com ela partindo apressada para o hospital, pois, tinha levado uma bela de uma suspensão pelo ocorrido com Soraya. Me deu um beijo na testa e disse que tudo ficaria bem.

Depois da partida de Mari, assisto dois episódios de Greys Anatomy comendo pipoca no sofá. Me identifico muito com a personagem Callie, ela sofre tanto no amor e sempre que aparece um novo ela fica desconfiada se pode dar certo, depois de tantos tombos que levou. Me sinto também assim. Receosa. Não sei se dará certo desta vez e eu tenha medo. Muito medo daquele amor todo que Marcos diz sentir por mim. Mas como disse Mari a poucos minutos:

“Você nunca saberá se não tentar”

Antes que eu tome uma decisão, Bernardo chega à minha casa às três em ponto. Ainda não acredito no que ele tem em mãos. Fotos incrivelmente comprometedoras da Soraya. Passo imagem a imagem para ter certeza que aquilo é possível. Saber que somente eu possuo este conteúdo me anima naquela tarde. É algo muito revelador e tenho certeza que ela não gostaria que caísse em mãos erradas. Seria um problema a menos que eu teria pela frente. Abraço meu amigo que murmura algo como:

“Não encosto muito, aqui, só homem toca e gostoso de preferência”

Mesmo assim dou um beijo em seu rosto contra sua vontade. Estou feliz. Aquilo fará eu virar o jogo nos 45 segundos do segundo tempo e me fazer vitoriosa. Meus problemas acabam, ou parte deles.

─ E aí, pronta? ─ me questiona agoniado, roendo as unhas, desejando saber quando será a hora de jogar as cartas para Soraya.

─ Bernardo eu te amo! ─ dou mais um beijo em seu rosto, ele faz uma careta.

─ Mariah! ─ adverte e eu assinto. Preciso ainda me acostumar com seu verdadeiro nome.

─ Há mais no pen-drive. ─ tira do bolso da sua calça e me entrega. ─ Dei umas à sua mãe e à Mari também. ─ sorrio.

─ Como conseguiu isso tudo? ─ estou curiosa. Ele coloca as mãos na cintura e começa a gesticular.

─ Bem … ah … digamos que eu conheço o segurança da boate e assim… ─ coça a cabeça. ─ Por acaso ele tinha as gravações de tudo que aconteceu naquela noite e como foi para mim ele meio que cedeu, sem restrições. ─ se abana. Não quero nem saber os verdadeiros meios que ele consegue isto.

─ Conhece, é? Sei. ─ gargalho, o deixando corado. ─ Não precisa explicar. ─ toco de leve o seu braço. ─ O que importa é que consigo virar o jogo.

─ É isso aí. ─ estende a mão e selamos um cumprimento apertado e vencedor.

Sou interrompida por uma mensagem:

“Apareça hoje aqui em casa, depois do almoço, você não livrará de mim, tenho um novo contrato.

Lá vamos nós. É como dizem:

“Quem rir por último, rir melhor.”

***

Altamente perturbada e sem um pingo de juízo, acaba de descer de suas escadas escandalosamente ricas. Veste um vestido roxo, de mangas e carrega um sorriso maquiavélico nos lábios. Permaneço sentada de frente à mesa de estar. O mordomo se aproxima de mim e coloca mais vinho na minha taça.

─ Era bom que tivesse veneno no dela! ─ murmura.

Sorrimos.

─ O que tanto cochicham, idiotas?! ─ senta-se de frente para mim.

Silêncio.

─ Pois bem, pouco me importa! Cle.o.ni.ce. Tenho um novo servicinho para você. Estou sem camareira e neste novo acordo ─ aponta para uma folha branca que está em suas mãos. ─ Você será a minha empregada! ─ ri alto, soltando veneno pelos lados. Sorrio. Ela não sabe do meu trunfo.

O mordomo se aproxima da mesa e coloca mais vinho na taça da endiabrada. Por um momento se descuida e acaba derramando o líquido na roupa de Soraya.

─ Seu estúpido! ─ levanta-se. ─ Isso é um Armani, seu idiota! ─ dá um tabefe no rosto do senhor.

─ SORAYA! ─ levanto da cadeira, indignada.

─ Rua, seu imbecil! ─ espuma de raiva. Para surpresa de todos, o mordomo sorri e sai gritando:

─ Livre! Obtive minha carta de alforria! Adeus, rainha má! ─ ergue o dedo do meio. O restante dos empregados sorriem baixinho.

─ Parem de rir, seus vermes! Desejam ir para o olho da rua também? ─ surpresa novamente.

─ QUEREMOS! ─ os empregados tiram seus aventais e jogam no chão. Pouco se lixando para as palavras de maldade da minha prima. Saem todos de cabeça erguida e sorrindo.

─ Oras, seus inúteis! Se arrependerão! ─ esbraveja. ─ Você, sua idiota! ─ se dirige a mim. ─ Trabalhará na minha casa, será tudo, mordomo, camareira, cozinheira!

─ É mesmo?! Quem me obrigará? ─ cruzo os braços na defensiva.

─ Isso! ─ ergue o celular.

─ E isso te impedirá! ─ estendo o pen drive a ela. Soraya me encara com semblante pouco preocupado.

─ Você é muito imbecil. Você não tem nada contra mim!

─ Mesmo?! Olhe o conteúdo dentro do aparelho! ─ ela duvida por uns instantes e sobe as escadas nervosamente. Depois desce com macbook nas mãos e aos poucos vê o que eu tenho contra ela.

1. Soraya em uma boate. 2. Dançando sozinha.

3. Uma mulher se aproxima dela. 4. As duas começam a dançar. 5. Segundos depois começam a se beijar.

6. Soraya é gay.