Isso Só Acontece Comigo
Capítulo 37
Liberdade
─ Acabou. Você está livre. ─ o policial se aproxima de mim. Em prantos, o abraço trêmula. ─ Ficará tudo bem. Sua mãe e seus amigos a aguardam na delegacia. ─ ele me conforta. Enxugo minhas lágrimas.
Depois que as autoridades entraram no galpão, foi tiro para todos os lados. Na hora me abaixei e fui escoltada por um oficial, que ficou do meu lado o tempo todo. Nos escodemos atrás de algumas tralhas velhas, fazendo-as de escudo. Vi tudo muito assustada. Temendo pela minha vida. Em todo momento, rezava para que isso acabasse logo. Minha prima olhava furiosa para onde estávamos, chegou a atirar para cima da autoridade, que me auxiliou a me defender, porém o tiro foi para culatra. No fim das contas, terminou com os três criminosos feridos. Sendo levados ao hospital.
Quando as ambulâncias chegam no local, vejo o Eduardo e Michele dentro de um carro de polícia próximo dali. O observo contrariar o oficial, ao sair do veículo e ir correndo em direção da ambulância antes da Soraya entrar.
─ Eu disse que isso não ficaria assim. Eu vou preso, mas te levo junto. ─ os oficiais o tiram do lugar e colocam algemas nele. Que tempo depois, entra no camburão e parte. ─ minha prima nada responde, está ferida demais para argumentar. O policial que me ajuda, é um rapaz de olhos verdes, alto e de aparência jovem.
─ Isso daria um filme. ─ ele olha abismado para o que sobra de toda confusão.
─ De terror. ─ ainda sorrio. ─ Essa é minha vida! ─ suspiro desanimada. Ele aponta o veículo da polícia e entramos. O carro vai direto para delegacia.
Chegando lá, não vejo minha mãe, nem amigos. As autoridades querem logo me interrogar e pedir todas as informações possíveis sobre o caso. Conto tudo desde do começo, quando minha prima me ameaçou.
Eles falam que se tivesse denunciado desde do início, as coisas não chegariam a esse ponto. Lamento, mas conto o meu medo do deputado Sílvio e minha prima. Narro que Soraya confessou ter matado o marido. Os policiais olham surpresos e anotam tudo. Sei que foi mais de horas de perguntas e respostas. No fim de tudo, me levam a um local em que meus amigos e minha mãe estavam esperando. A sala é próxima à outra, onde eu havia sido interrogada. Ao abrir a porta:
─ FILHA!
─ BICTH!
─ AMOR!
─ MONA!
Os quatro estão à minha espera. Nos abraçamos todos ao mesmo tempo. Mamãe chora, toca meu rosto, cabelo, parece não acreditar que eu estou ali.
─ Bicth! Até sequestrada você tem sorte! Eu vi o policial gostosão que veio com você, hein! ─ Mari pisca o olho. Marcos solta uma tossida de reprovação. ─ Opa! Foi mal aí.
─ Sei. ─ ele olha com risinhos para ela.
─ Senti falta de você também, Mari. ─ ela me dá um beijo na bochecha e me abraça bem apertado.
─ Nunca mais faça isso, viu! Não nos deixei preocupados. ─ começa a chorar. ─ E ainda me faz borrar a maquiagem! ─ sorrimos.
─ Affe, Mariane! Só você mesmo para se preocupar com isso diante de uma hora dessas. ─ Bernardo\ Mariah a repreende. ─ Mona! Quando eu pensava que você tinha feito a maléfica andar na prancha, acontece isso? Não se preocupe, que te dou um banho de sal grosso que trouxe já para tirar suas mazelas. ─ pega um vidro pequeno do bolso da sua camisa e começa a jogar o líquido com sal em mim.
─ Tá ardendo. Ai! ─ reclamo, quase fico cega. ─ ele e Marcos se aproximam de mim e tentam me ajudar. Assopram meus olhos, mas não adianta. Então, vou ao banheiro daquele local e lavo meu rosto diversas vezes. Saio de lá ainda com minhas íris vermelhas.
─ Seu doido! ─ reclamo, assim que retorno à sala e ele sorri.
─ Desculpa, Mona. ─ rói as unhas agoniadas. ─ Mas posso te garantir que agora você está protegida. E tem outra coisa…
─ Outra? Fala logo para eu me precaver. ─ coloco as mãos no rosto, na tentativa de me proteger para sabe lá o quê. ─ todos sorriem. Mariah coloca as mãos na cintura e solta:
─ Agora você terá que ir comigo ajoelhado para o morro da Conceição, pela promessa que fiz.
─ Ih, faz promessa e sou eu que pago! ─ retiro as mãos do rosto.
─ Na minha promessa nós dois pagamos. ─ gargalhamos.
─ A mim restou a fé te encontrar viva. ─ Marcos se aproxima, nostálgico, parece cansado; a barba cheia, olhos tristes e aparenta não ter dormido.
─ Emily rezava todos os dias e falava:
“Ela vai voltar, papai. Ela me prometeu que te faria sorri.”
Uma lágrima cai dos olhos dele. E uma escorre dos meus.
─ Ah, Emily! Pobrezinha.
─ E você cumpriu a promessa. ─ ele enxuga a lágrima e logo em seguida sorri. ─ Eu estou sorrindo de novo. ─ nos abraçamos e o tempo para ali mesmo, pois só existe nós dois. Ele toca meu rosto, meu queixo, meus cabelos e me admira, incrédulo.
─ Ah, Cléo. Como senti sua falta. ─ continuamos agarrados e nossa plateia está chorando; principalmente Mariah que se abana diante das lágrimas que derrama.
─ E a fresca sou eu! ─ Mari desabafa. Todos sorrimos.
─ É melhor irmos. Temos muitas coisas para conversar e não quero te ver com essa roupa de noiva cadáver.
Nos abraçamos novamente, matando a saudade e saímos dali o mais rápido possível.