Isso Só Acontece Comigo

Dayana Araújo · Capítulo 38 de 38

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Isso Só Acontece Comigo

Capítulo 38

Aprendizagem

Linda. Feliz. Gorda. São esses adjetivos que encontro para definir como me sinto no momento. Acho engraçado como podemos mudar nossa opinião diante de situações e fatos que nos acontecem. Um dia eu era a garota preocupada em estar sempre magra ao lado dos homens mais gostosos e sarados do momento. No outro, eu não me incomodo mais com minhas gordurinhas, estou achando até bonito ver minhas pernas grossas e meu corpo mais avantajado.

O que antes não suportava, hoje me deixa feliz. A vida nos proporciona essa mudança. E que bom que podemos mudar. Crescer, amadurecer e aprender com nossos erros. Chato seria se fôssemos as mesmas pessoas de antes. Aquelas que não vão a lugar algum e não entendem porque certas coisas lhe acontecem.

Aprendizagem! Esta palavrinha mágica que mudou minha vida e meu jeito de ser e que pode te tirar da inércia que talvez você viva. Estamos aqui para isso. Para mudar. O mundo. A si mesmo. As pessoas. Basta você querer e aprender com ela.

Há três regras que gosto de espalhar e que continuarei com elas até o fim de minha vida.

Número um: Nunca julgue ninguém pela aparência, seja pelo bem ou pelo mal.

Sou um exemplo disso. Eu ia atrás de homens bonitos e sarados e esquecia do que eles carregavam em seu coração e mente. Prova disso são duas pessoas adversas:

Marcos e o Edu.

Achava Eduardo um cara lindo, de bom gosto, quando na verdade o cara era um sem caráter e que nem chega aos pés do Marcos.

Ele responde à justiça pelos seus crimes e desejo que minha palavrinha mágica cause efeito nele. Os anos atrás das grades como cúmplice, talvez o faça refletir sobre seus erros.

Já o Marcos, o julguei por um átimo. Momentos que ele foi rude comigo. Quando hoje sei, que ninguém consegue ser perfeito. Às vezes somos ruins ou bons. Mas o que conta é quando erramos tentamos acertar na próxima e ser uma pessoa melhor.

Situações que julguei pela sua aparência física. Só porque o cara não é aquela estrela de cinema, ele não presta? Não é bem assim, não. E se o cara for bonito, sarado, gostoso e ser um traíra, mau-caráter e não te respeitar? Adianta?

Marcos foi e continua sendo uma surpresa boa. Se mostrou verdadeiramente apaixonado. Um amor real. Pé no chão. Aos poucos o próprio também aprendeu a gostar mais de si e não viver mais atrás de máscaras.

Número dois: Perdoar te deixa mais leve.

Eu sempre odiei o Bernardo por tudo que ele me fez passar. Nada contra sua opção. Mas foi a mentira. Éramos acima de tudo amigos. E ele deixou de lado a parte principal de um relacionamento. Contudo, guardar o passado no seu devido lugar faz muito bem.

Mesmo que quisesse, dá para ficar com raiva do Bernardo? De vez em quando ele aparece lá em casa com livros eróticos e diz que tenho que entrar na onda. Fora a vez do dia dos namorados que ele me deu uma calcinha comestível para usar para o Marcos.

Também não sinto raiva do Edu nem da Michele. Ambos pagam pelo que fizeram, apesar de não concordar com a pena, mas… não sinto mais nada. E juro que é de coração o que digo: eu quero é que eles sejam felizes!

Antes ficava me martirizando por ter sido trocado por alguém que eu considerava “inferior” a mim, porém, hoje vejo que não existe esse lance de estar com alguém mais bonito e melhor, existe alguém certo para você, independente da aparência.

Eu acho que aqueles dois combinam direitinho. No amor e no crime. E é como o Marcos sempre me diz: “é tanto amor no coração que não sobra espaço para o ódio”.

Até desistir de fazer macumba para o pinto do Edu cair. Mesmo Mari fazendo biquinho dizendo que já tinha contratado um pai de santo.

Número três: Sua família te ama!

Eu tenho a família mais sem noção do mundo. Tipo:

Tenho uma prima que estava apaixonada por mim e que fez mil e uma loucuras por isso. Soraya não foi condenada à prisão e sim a um hospital psiquiátrico. Sinceramente, espero que ela fique bem e cuide de sua saúde.

Minhas tias e algumas primas continuam com o seu esnobismo de costume. Tô nem aí! Para mim não faz diferença. E sim as pessoas que realmente considero família. Como:

Tia Lio.

Tããão comilona! Só vem para festas para encher a barriga. Mas que é gente boa e não tem maldade no coração.

Vó Divina.

Tão fofa, com aquelas bochechas rosadas e olhos claros como os meus. Na maior parte das vezes, fala muita bobeira, mas sabe fazer uma comida como ninguém! E dá um conselho de sábios!

Minha prima Jaqueline.

É com muita tristeza que digo que eu e Jaque andamos muito afastadas. Não é por brigas nem nada. E sim que minha prima deu a volta por cima na vida e está se virando em mil. Teve o bebê, que é um menino lindo chamado Enzo. Uma coisa fofa! Agora passou em um curso de graduação de economia. Com isso aumentou os lucros da loja e está até abrindo filiais! Então, o tempo da minha prima está bem curto. Mas quando nos vemos é aquela alegria!

Mamãe.

Eu fui muito boba em não ouvir seus conselhos e adivinhações. Não é que ela sabe das coisas? Estou incentivando a virar cartomante; ela leva o maior jeito.

Às vezes Dona Drica fala umas coisas que me magoam, porém sei que na sua cabeça é sua maneira de me proteger e ser MÃE.

─ Tá pensando em quê? ─ Marcos chega por trás de mim, me dando um beijo na nuca.

─ Na vida. ─ continuo a olhar o sol chegando e dando suas boas vindas ao dia, encostada na grade da minha varanda.

─ Na pense muito, senão estoura…

─ … os miolos! ─ sorrimos. ─ Emily! Onde ela está? ─ Marcos continua me abraçando por trás carinhoso.

─ Com minha irmã.

Temos muito cuidado para não confundir a cabeça da Emily. Por isso eu e Marcos não dormimos juntos na sua casa, só na minha. Que não tem ninguém, a não ser eu. Estamos muito bem, obrigada. Já se passou um ano depois de tudo e estamos nos conhecendo e aprendendo cada dia mais com o outro. As coisas não são perfeitas. Dou exemplos disso: de vez em quando ele implica comigo e eu com ele como:

1. Quando compro minhas trufas deliciosas e luxuosas da Cacau Show e quando abro a geladeira, depois de um dia supercansativo na livraria, Marcos está muito à vontade deitado no meu sofá lambendo os dedos.

2. Ou quando ele quer me beijar às 06:00 da manhã, sem escovar o dente, com um bafo de onça enorme.

3. E quando ligo o som com a música:

“Ser corno ou não ser”

Ele me pergunta se estamos com problemas de relacionamento.

─ Volta para cama.

─ Me dê um bom motivo! ─ sorrio.

─ Isso é um bom motivo! ─ tira suas peças de roupa e vai para o quarto.

─ Me espera! ─ corri.

***

─ Tão liiinda. ─ ficamos nos olhando por um bom tempo. Por mim pode durar a eternidade aquele momento.

Ele toca meu cabelo e sorri feito um bobo, enquanto eu estou enrolada nos lençóis.

─ Tão liindo. ─ toco no seu rosto.

Um barulho estranho invade o quarto. Ficamos em alerta. Mas baixamos a guarda ao ver que é Miúcha subindo na cama.

─ Só podia ser! ─ murmuro. ─ Tá com saudades do seu tempo né, Mi? ─ ela late, talvez confirmando. Marcos a alisa com carinho.

Contei que essa cachorra ficou grávida? Pois é. E ainda teve sete filhotes todos de raças diferentes. Beagle, Husky siberiano, Terrier brasileiro, Buldogue, Vira lata, Labrador e Pastor alemão. Como ela conseguiu isso? Eu não sei. Tenho certeza que foi muita pulada de cerca por aí. Acredita que ela saiu até no Guines Book? Tenho foto e tudo para comprovar.

Infelizmente tive que doar os filhotes para um pet shop; não tenho condições de criar todos, mas soube que eles passam bem.

─ Acho que ela quer uma companhia! ─ Marcos me fita malicioso.

─ Ei! Chega de filhotes! ─ o repreendo com a cara feia.

─ Qual é! Ela é jovem. ─ continua, me perturbando com seu sorriso debochado.

─ E quem cria? ─ faço biquinho.

─ Dá vacina, ué! ─ jogo um travesseiro na sua cabeça, recriminando suas argumentações para Miúcha se jogar no mundo e me trazer mais dores de cabeça do que todos aqueles cachorros.

Minha cadela late três e parte. Nos fazendo sorrir com sua linguagem canina, provavelmente recriminatória a mim, por deixá-la em celibato.

Marcos fecha a porta. Está só de cueca e vejo suas dobrinhas e sinto uma vontade imensa de morder e fazer outras coisas que não cabem nesta narração.

Assim que retorna, meu namorado pula na cama e me enche de beijos, que chegam a fazer cócegas. O correspondo e em seguida ele tira seus lábios dos meus e coloca sua mão apoiando sua cabeça no colchão e fica a me admirar, depois me pede para colocar a roupa e se levantar. Faço bico, estava adorando nossos momentos aqui e ele agora quer acabar!

Mal-humorada, fico de pé e dou mais um beijo em sua boca, querendo fazê-lo desistir.

─ Tenho uma surpresa. ─ fala misterioso. Bufo por não conseguir fazê-lo voltar atrás e visto um vestido que jaz jogado no chão.

─ Está bem. Estou curiosa. ─ ele sai do meu apartamento e volta tempo depois, vestido de Mister M.

─ Ele voltou? ─ murmuro curiosa.

─ Só por hoje. ─ usa sua máscara branca, elegante como sempre. E segura algo que só me revela depois.

─ Leandro e Leonardo? Como conseguiu isso? ─ olho bem para o LP.

─ Uma raridade. Mas o Mister M consegue tudo.

─ E como vamos escutar? ─ ele sorri e mostra a vitrola que está na minha estante.

─ Eu nem percebi. ─ digo abobalhada.

─ Claro amor, você sempre foi bem desligada, não é?

─ Ei! ─ o repreendo. Ele coloca o LP e aos poucos escutamos o acorde da nossa música.

“No deserto, quando eu te encontrei…”

─ Me dá honra, senhorita? ─ balanço a cabeça. Ele pega na minha cintura e dançamos devagar no meio da sala. Vejo Mi uivar e colocar a língua para fora. Acho que ela está aprovando a cena.

Ele chega próximo do meu ouvido e sussurra:

“Eu te amo”

Olho bem nos seus olhos.

“Eu também”

Tiro sua máscara e nos beijamos.

Epílogo

─ Bitch, por que será que o Marcos me chamou para ir junto também? ─ Mari rói as unhas, nervosa.

─ Ih, está com medo? ─ faço uma voz assustadora.

─ Nenhum. ─ ela dá de ombros.

─ Quem não deve não teme, dona Mari! ─ brinco.

─ Não estou temendo nada. Só achei estranho ele me pedir para ir junto conhecer a família do seu namorado.

Realmente foi um pedido inusitado. Eu gosto da Mari, ela é uma ótima amiga, mas há certas coisas que prefiro permanecer na privacidade. Como conhecer a família do Marcos. Apesar de saber quem é seu pai, ainda não sei do resto dos parentes e meu namorado acredita que o momento de conhecê-los chegou. Apesar que, enrolei ao máximo esse encontro, pois, tenho receio de como eles me receberão.

Fiz tantas besteiras e uma delas era quase ter fantasiado um romance com meu sogro. Temo como será a reação deles diante da minha presença. Contudo, se o Marcos chamou minha amiga, tenho certeza que não é por acaso e se eu conheço bem, ele deve estar aprontando.

─ E Emily? ─ Mari indaga, preocupada.

─ Já está lá. ─ respondo.

─ E sua família? ─ minha amiga dá uma risadinha, ela sabe que estou com medo deles nos acharem um bando de loucos e chamarem o hospital psiquiátrico mais próximo.

─ Estão lá. ─ mordo meus lábios, nervosa.

─ Amiga. ─ ela me fita com os olhos cheios de expectativa. ─ Não parou para pensar que isso pode ser um jantar de noivado? ─ ela pisca o olho.

Não refleti sobre isso. Se for, será uma grande surpresa, eu e Marcos combinamos de não falar em casamento tão cedo. Mas realmente está parecendo um, minha família, a família dele e minha melhor amiga.

─ Pode ser… ─ murmuro em alerta.

─ Se for, o Marcos é um cafona. Em pleno São João? ─ Mari faz uma careta de nojo e sorri.

─ Vem. Me ajuda com minha roupa. ─ desconverso.

Mari caminha para meu quarto, abre meu guarda-roupa e passa a mão em várias calças, vestidos, saias, que estão pendurados no cabide. Testa alguns looks que ela monta, mas nada dá certo. Até que minha amiga vê lá no fundo do meu guarda-roupa, um vestido que eu nem me recordo que o tenho. Ele é azul-turquesa, cinturado, com a parte de baixo rodado e com pregas. A manga é fina de tecido transparente.

─ Este! ─ ela aponta. Faço um meneio com a cabeça concordando. Visto, calço sapatos fechados, altos e Mari finaliza com uma maquiagem leve, com blush, rímel e meu batom, claro! Solto meus cabelos ruivos e vamos a casa dos pais do meu namorado. Pego meu carro no estacionamento e seguimos nosso destino.

A família do Marcos mora perto do Marco Zero, o que acho muito legal, se eu residisse por ali, seria uma das pessoas mais felizes do mundo. É lá que acontece as melhores festividades do Recife. Datas comemorativas e os passeios do Olha Recife, um projeto criado recentemente com o objetivo de proporcionar diversão e entretenimento para todas as famílias. Desde passeios ciclísticos, patins, de catamarã às feiras artesanais e gastronômicas.

─ Dará tudo certo. ─ paramos em frente à casa da família do meu namorado. Respiro fundo e minha amiga aperta minha mão.

Temo que não dê. Na última vez que conheci a família de um namorado meu, acabou em um desastre. E relembrando que praticamente dei em cima do meu sogro, creio que a mãe do Marcos não vomitará arco-íris quando eu chegar.

Eu preciso enfrentar meus medos! Logo!

A rua é bastante colonial, as casas ainda possuem um toque do século passado. Os postes iluminam com sua luz amarela, dando aquele local um ar exótico e convidativo. A casa é de esquina e tem um bar na parte de baixo. No andar superior há uma longa escada de tijolos que liga os dois andares.

Marcos me vê e faz um aceno para que suba. Estaciono o carro ali perto. Eu e minha amiga subimos com o máximo de cuidado para não cairmos em nossos saltos altos. A decoração está bastante bacana, tanto fora, quando dentro, têm bandeirinhas de São João espalhadas nas casas e ruas.

A do Marcos é decorada com estandartes coloridos em cima do teto e alguns elementos juninos espalhados pela casa.

─ Oi, amor. ─ dou um beijo suave na sua boca e escondo minha frustração.

─ Estava ficando preocupado. ─ me abraça. ─ Quem bom que veio também, Mariane. ─ dá uma piscadinha para minha amiga, que fica constrangida.

─ Ei! Não trouxe a Mari aqui para você ficar paquerando, hein! ─ dou um soco no seu peito.

─ Relaxa, gatinha. Na minha vida só existe você. ─ me beija.

Mari pede licença a nós e solta uma gracinha que hoje não seguraria vela. E se distancia indo à sala e sentando bem à vontade. Acredito que é mais pela novela que passa na TV da casa do meu namorado. De longe, ouço ela suspirar pela cena que um ator global aparece tirando a roupa. Eu e Marcos gargalhamos. Típico da minha amiga!

─ Então, esta é a Cléo? ─ uma senhora baixinha e robusta se aproxima de nós. Meu sorriso de desfaz e temo pelo pior. Ai, jesus! É agora que serei espetada até o inferno!

─ É mãe. ─ os olhos do meu companheiro brilham ao fazer as devidas apresentações.

─ Então, foi você que quase beijou meu marido? ─ ela faz uma cara de reprovação.

Ops!

─ Ah … bem … eu … ─ fico sem palavras.

─ Estava só brincando. ─ dá uma sonora risada. ─ Viu como ela ficou roxa, meu filho? Se não tivesse existido essa confusão toda que você fez, e fosse outra pessoa, com certeza teria te dado para os cachorros comerem.

Sabia!

Sorrio meio constrangida. Mas logo a Márcia, a mãe do Marcos, me deixa à vontade. Ela é bem brincalhona, aquele tipo de pessoa que ri da própria desgraça. Tudo é motivo de piada e ela transforma todo o ambiente num lugar alegre e festivo. Junto com o Marcos, ela me mostra o restante da casa. Ali, na varanda, há algumas cadeiras de plásticos, amarelas, com o slogan de uma cerveja. Márcia me conta que eles têm o bar muito antes deles mesmos pensarem existir. Foi do tataravô dela e passou de geração a geração. Entendo o motivo da casa ter aquele aspecto antigo.

Ainda na varanda, a mãe do Marcos me apresenta há alguns familiares. Vejo duas moças que são as irmãs mais velho do meu namorado, suas feições possuem as temíveis rugas femininas e alguns fios brancos que escorrem de seus cabelos. São as mesmas que vi no parque, e uma delas a vi na casa de Marcos quando fui falar com Emily.

Fazemos os devidos cumprimentos e esbanjamos sorrisos com nosso primeiro contato. Outros tios e primas chegam e também me abraçam e festejam o nosso encontro.

Sinto a falta de uma pessoa. Uma que daria certo com minha amiga. Pergunto ao Marcos sobre Jéssica e ele solta um longo suspiro e diz que a sua presença daria uma bela confusão. Aponta para sua mãe, que conversa com o restante da família.

─ Não é porque ela é divertida que não deixa de ser brava. ─ compreendo a situação delicada. Mas a pobre moça nada tinha a ver com as safadezas de Seu Joaquim.

Não dá nem dois minutos e o celular de Marcos apita, vejo rapidamente as palavras “vai desencalhar, amém!” Embaixo estava escrito de sua adorada irmã, Jéssica. Dou uma risadinha e Marcos parece nervoso por eu ter visto a mensagem, esconde o celular no bolso e muda de assunto. Chama sua mãe, que logo vem me mostrar as comidas típicas daquela data. Todas postas em vasilhas redondas que estão sobre a mesa quadrada mais adiante. Pé de moleque, bolo de fubá, canjica, bolo de milho, milho assado e cozido.

Desejo muito saber o que Jéssica quis dizer com “vai desencalhar” se já namorávamos há um bom tempo.

Marcos sabe que estou pensativa, o encaro, porém ele desvia os olhos, logo ouço sua mãe terminar de enumerar os quitutes.

─ Esses aqui foram sua vó que trouxe. ─ ela dá uma piscadinha e mostra as deliciosas pamonhas da Divina. Huuuum. Me dá até fome. E esqueço completamente do que estava pensando.

─ E onde está minha família? ─ os procuro, contudo, não os encontro.

─ Ai é onde eu quero chegar. ─ Marcos argumenta. ─ Vamos para praça do Marcos Zero, quando chegarmos comeremos isso tudo aí. ─ me dá um beijo quente e escuto duas tossidas, uma da mãe do Marcos e outra da Mari.

─ Hello! Eu estou aqui. ─ Mari sai da sala e se posta diante de nós.

─ Não esqueci. ─ Marcos a chama para perto.

─ Então, vamos? ─ Márcia parece animada.

Todos assentem e a mãe do meu namorado vai à cozinha pegar uma toalha de prato para cobrir as comidas, diz para outros ficarem bem à vontade e eles acenam que irão depois.

Descemos as escadas de tijolos indo em direção à praça do Marcos Zero, que fica a poucos metros dali. Já escuto o forró agitado de Elba Ramalho. Ela anima as pessoas com os acordes graves da sanfona, triângulo e da zabumba. Canta um forró pé de serra animado, que faz toda multidão se movimentar.

─ Espera aqui. Tenho uma surpresa. ─ ele se dirige para outro caminho.

─ Não gostei disso, não. ─ faço biquinho.

─ Vai gostar, eu sei. Acredita em mim? ─ ele me fita com seus olhos castanhos brilhantes e aperta suavemente meu queixo, sinto um arrepio.

─ Não tô dizendo, Bitch! Ai, tem! ─ Mari chega próxima a mim e lançamos olhares curiosos para Márcia.

─ Não sei de nada. ─ ela dá um sorriso travesso.

Minha amiga e eu não quisemos perder o forró e nós duas começamos a dançar. Dois para lá e dois para cá. Apesar que é muito difícil bailar naquele aperto, as pessoas parecem que nos engolem. Dou um passo e vem um casal e pisa no nosso pé, me movimento para outro passo e outro casal bate nas nossas costas.

─ Desisto. ─ minha amiga diz com raiva.

─ Também. ─ paro de me sacudir.

─ Vamos tomar um ar? Aqui está muito quente. ─ Mari fala no meu ouvido, pois, está impossível escutar alguma coisa que não é forró.

─ Vamos. ─ respondo de volta.

Chegamos próximo à Márcia e avisamos que ficaremos perto do espaço do frevo, um local dedicado ao histórico do frevo e suas peculiaridades. Lá não tem quase ninguém e parece menos desocupado.

Ficamos meio sem jeito deixá-la sem alguém, porém, o senhor Joaquim chega rente a ela e nos cumprimenta como de costume. Acenamos e saímos.

─ E pensar que você largaria tudo para ficar com senhor Joaquim. ─ Mari debocha, dou um tapa leve nas suas costas.

─ Ei! Ninguém esquece isso mesmo, né?

Passamos pela praça, por bancos de concreto e algumas flores ali. As barraquinhas de madeira estão enfileirados em frente à praça, vendendo maçãs do amor, comidas típicas, lembranças juninas, mas uma barraca me chama atenção pelo esoterismo, a bola de cristal e o baralho cigano em cima da banca.

“Prevejo o grande amor de sua vida”

Dou um sorriso, Mari dá outro.

─ Mamãe? ─ me aproximo, enquanto ela tira uma carta para uma jovem de mais ou menos quinze anos, que olha esperançosa para Dona Drica como se ela fosse ganhar na loteria.

─ Psiu! Não me desconcentre. ─ ela me olha furiosa.

Reparo no seu pingente falso na testa, se movimentando para lá e para cá, à medida que ela faz rodeios em volta da bola de cristal. Os cabelos estão enrolados num lenço colorido e de tecido grosso. Usa saias largas e grandes, completando seu visual cigana.

─ Enteadinha! ─ reviro os olhos. Para meu desgosto, Lucas continua na família e pelo que vejo, terei que suportá-lo por um booom tempo.

Meu padrasto recolhe o dinheiro daquelas meninas, como se estivesse livrando o mundo de uma doença incurável. Posso deduzir pelo sorriso no seu rosto e o peito estufado. Ele usa um jeans velho e uma blusa xadrez vermelha e preta. Acho que pela primeira vez ele está se sentido útil.

─ Ah … oi. ─ respondo sem entusiasmo.

─ A gostosona leva jeito para coisa. Já faturamos mais de dois mil hoje. ─ ele dá uma piscadinha.

─ Quê?! ─ indago horrorizada.

─ Seja o que for que ela esteja fazendo, tô dentro! ─ Mari levanta a mão se voluntariando.

Assim que mamãe acaba de atender à garota, ela dá um aceno com as mãos para nos aproximarmos. Conversa conosco de forma animada, contando cada previsão que teve aquela noite e que muitas garotas voltaram agradecendo e dizendo que ela estava certa.

Estou feliz por ela, fazendo o que gosta e se dando bem com isso. E pela quantidade que ela está faturando… já estou pensando em largar a livraria.

─ Onde estão os seus sogros? ─ mamãe olha para os lados, à procura deles.

─ Dançando. ─ respondo apontando o local.

─ E o Marcos já fez o pedido? ─ meu padrasto questiona, mamãe dá um cutucão no braço dele. ─ Ai! ─ ele reclama.

─ Eu te disse que isso era segredo. ─ ela adverte.

─ Pedido? Que pedido? ─ meus olhos piscam, coço meu pescoço.

─ Eu sabia! Sabia! ─ Mari gaba-se.

─ Bom, agora você fica sabendo mesmo. ─ mamãe indica o palco, onde surge um Marcos bem-arrumado, de terno e gravata e com os cabelos em gel, puxados para trás.

─ Ai. Meu. Deus. ─ é a única coisa que consigo dizer.

─ Vamos para lá agora! ─ Mari me puxa pela mão e nos despedimos alegres de mamãe e o cover de Justin Bieber.

Ficamos perto do senhor Joaquim e da Márcia, que apenas sorriem para nós sem nada a dizer. Quero estar lá na frente para vê-lo. Meu coração bate a mil por hora, aperto diversas vezes a mão da Mari, de forma nervosa. Ela me tranquiliza e diz que ela é a melhor cupido do mundo, que além de me arrumar um namorado, trouxe um casamento.

─ Se bem que você foi um cupido fajuto. Só me arrumou com ele por causa daquele magricelo. ─ dou língua.

─ Não foi bem assim. E a propósito, eu nem o conheci. ─ dá de ombros.

Marcos segura o microfone na mão e começa a falar para todos que ele é o Mister M. Muitas pessoas abrem e fecham a boca. Outras o contradizem. Mas se calam assim que o meu namorado anuncia o nome de uma pessoa que confirma toda sua história.

─ Denis Lesson. ─ ele chama.

─ Ai. Meu. Deus. ─ é a vez da Mari clamar pelos seus céus. ─ Eu vou desmaiar, Bitch! ─ seguro firme sua mão, sorrindo.

─ Acho que foi por isso que ele quis tanto que você viesse. ─ a observo, rindo de sua compostura.

─ Ele devia ter avisado! Nem coloquei minha calcinha vermelha da sorte. ─ balanço a cabeça sorrindo.

─ Eu anunciei minha aposentadoria há um tempo. Porque eu queria que vocês gostassem do que sou e não de um cara mascarado. No começo fiz isso porque as portas foram fechadas para mim. Não sou um exemplo de beleza como certas pessoas. ─ aponta para o Dennis, que sorri e a mulherada grita enlouquecida. ─ Mas eu queria que vocês me avaliassem pelo conteúdo e não minha casca. ─ ele olha para mim e compreendo de quem ele tira aquelas palavras.

─ Vocês são tão lindos. ─ Mari se abana, quase chorando.

─ Porém, conheci uma pessoa há um tempo atrás e essa pessoa me fez enxergar o meu devido valor. Aliás, juntos, conseguimos enxergar os nossos devidos valores e é por ela que estou aqui hoje. ─ muitos aplausos e gritarias. ─ Obrigada. Obrigada. Eu e o Dennis somos companheiros de longa data. Compus uma nova música em parceria com ele. E o nome da canção é… Ela. ─ ele me procura na multidão e acho que encontra, pois dá um incrível sorriso. Dennis se aproxima do Marcos e aos poucos escuto a música que ele compôs.

O Mister M se posiciona em um espaço cheio de aparelhos e botões, coisas que só DJS sabem o que significam. Seu amigo começa a cantar a canção com sua voz aveludada e que faz qualquer um arrepiar. A música tem acordes baixos e faz um MIX balada romântica, tenho certeza que fará um grande sucesso nas rádios.

Eu tenho um namorado incrivelmente talentoso. Estou muito orgulhosa do Marcos e mais ainda ao saber que essa música é dedicada a mim. Eu, Cléo azarada, que não tinha sorte no amor, na vida, e nem no ambiente profissional.

Acho incrível como as coisas podem mudar quando estamos ao lado das pessoas certas.

Eu não consigo me conter, no lugar em que estou, paro. Simplesmente parece que só existe o Marcos e eu naquela multidão. Como se o tempo contemplasse nosso amor. A letra da música é linda. Narra a história de um homem perdido, que sentia em seu coração um vazio, que enfrentou vários obstáculos na vida, que caiu, se levantou porque alguém estendeu a sua mão e esta pessoa era a criatura mais linda que ele tinha visto.

“Só ela é capaz de preencher meu coração. Somente ela é que me faz feliz. E é ela que quero para mim. Só ela …”

Dennis termina o refrão da música sendo muito aplaudido. Marcos se aproxima dele dando um abraço e tapinhas nas costas.

─ Ele devia voltar, não acham? ─ Dennis atiça a multidão.

─ Volta! Volta! Volta! ─ eu também grito para que ele volte. Marcos ama compor suas músicas e fazer melodias, é sua paixão, está na cara. Quero somente o melhor para ele e sei que ali é seu lugar.

─ A voz do povo é a voz de Deus. ─ Marcos sorri e todos aplaudem agradecendo e dizendo que sentem saudades do Mister M. ─ Agora sem máscaras, hein! ─ ele pisca animado. A multidão sorri. Dennis Lenson ainda abraçado com meu namorado e começa a conversar de novo com o pessoal.

─ Mas não foi por isso que estamos aqui. O Mister M aqui vai casar! ─ a multidão grita. ─ Faça logo o pedido, meu camarada. Se não fizer eu faço para ela, hein! ─ sorri.

Meu namorado parece muito nervoso. Passa as mãos na sua calça preta e me procura na multidão. Dá um grande sorriso e fala meu nome no microfone. Vejo várias cabeças se contorcerem para tentarem saber quem sou.

─ Minha assistente de palco te buscará.

A pequena Emily caminha lentamente no meio daquelas pessoas. Muito linda por sinal. Seus cachos estão mais belos do que nunca. Envolvidos por uma presilha brilhante no topo da cabeça. Ela carrega algo nas mãos, aveludado, uma caixinha azul, veste um vestido lilás com pequenos laços. Me estende a mão e todos os olhares repousam em mim. Os pais do Marcos me lançam olhares de apoio e me desejam muitas felicidades.

─ Papai fez uma grande escolha. Não podia ter escolhido uma mamãe melhor que você. ─ ela sorri, me fazendo ficar muito emocionada. Antes de subir ao palco, Mari cochicha:

─ Não esqueça de mim, hein! ─ sei muito bem do que ela está falando.

Alcanço o local, trêmula, sendo arrastada por Emily, que parece adulta. Ela nem está com medo ou vergonha. Aparenta gostar muito daquele ambiente. Me conduz com firmeza, me deixando próxima ao seu pai.

Assim que eu coloco os pés no local, todos me aplaudem. Fico com muita vergonha diante de tanta gente me encarando. Porém, logo me sinto confortável, assim que vejo um par de mãos calorosas e uns olhos castanhos claros próximos a mim.

Marcos faz um meneio com a cabeça e Emily lhe entrega a caixinha aveluda. Ele se ajoelha na minha frente, pegando minha mão, fazendo as pessoas gritarem vários: Ooooohs!

─ Cleonice Fernandes, aceita casar comigo e viver para o meu lado para todo sempre? ─ ele abre a caixinha azul e fito dois pares de anéis dourados que brilham em minha direção.

Fico um pouco calada, o que o deixa nervoso. Acredito que ele acha que digo não. Mas na verdade eu nem consigo falar direito. Volto a ficar apreensiva. Parece um sonho, dos bons! E nada de primas malucas para estragar tudo e nada do meu azar para atrapalhar minha vida.

Abro a boca várias vezes para responder, porém não sai nada, até que Emily quebra o clima e me deixa mais à vontade, me fazendo rir.

─ Não pensa muito não, senão estoura os miolos. ─ sorrio e a multidão também.

─ Aceito. ─ Marcos levanta-se animado e me pega pelo colo rodopiando pelo palco. Alguns sorriem, outros choram. A maioria nos aplaudem e desejam felicidades. Ele coloca o anel no meu dedo e eu ponho no dele. Agradecemos a todos e saímos meio que escondidos por trás do palco. Várias pessoas nos interceptam, jornalistas, curiosos, Marcos responde às perguntas gentilmente e assim que ele dá às respostas necessárias, agradece a todos e pede delicadamente que neste momento ele quer comemorar com sua noiva, eu. E eles nos deixam.

Meio que escondidos de todos, Marcos entra em um carro preto e enganamos os jornalistas, indo para várias direções de lugares, os deixando tontos. Até que vamos realmente para a sua casa, sem que ninguém desconfie que é tão próxima dali.

Entramos bem rápido e Márcia e os outros nos aguardam. A mãe do Marcos coloca cortinas em todos os lugares para que ninguém saiba o que se passa ali. Abre os braços alegre e grita:

─ Viva os noivos! ─ todos aplaudem.

Tia Lio também está ali, veio com vovó, depois de terem vistos as apresentações de quadrilhas juninas em outra parte do local.

Por esse motivo não encontrei vovó no meio da multidão. Minha tia me cumprimenta rapidamente e já está atacando as pamonhas da Divina. Mamãe se delicia com as comidas típicas, junto com meu padrasto, que só falta usar um babador, pois parece uma criança comendo. Sujando toda a boca e a suas vestes. Mamãe aproveita para limpá-lo e lhe tasca um tremendo beijo. Argh!

Beth também está ali. Minha chefe e amiga do meu namorado, nos cumprimenta e quase nos esmaga com um abraço de urso. Esbanjamos sorrisos e conversas aleatórias. Devo este momento também a ela. Se não fosse seus conselhos de me impulsionarem a ir atrás do meu desejo, talvez eu não estaria com Marcos agora.

Eu e meu noivo retribuímos sua “ajuda” empurrando-a para um belo moreno que acaba de chegar, vejo ela ajeitando seus óculos e Marcos e eu trocamos olhares confidentes. Meu namorado chama seu primo e faz as devidas apresentações. Posso jurar que aqueles dois pares de olhos brilham mais do que deve ao vê-la.

─ No meu interior as meninas não saíam de casa depois das nove. Se saíssem eram pegas pelo lobisomem. Eu quase fui pega por um. Mas fui mais esperta que o danado. ─ Vejo vovó sentada tranquilamente no sofá dos meus sogros conversando com Seu Joaquim. Sorrio, ao ver que ela adora contar suas histórias

─ Sua vó é muito divertida. ─ meu sogro murmura. Divina olha para trás e me dá os parabéns. Me abraçando forte e dizendo que sabia que tudo acabaria feliz.

─ Ei! Pombinhos! ─ Mari tosse na porta da casa, próxima ao sofá. Vovó me solta e Marcos a encara sorridente, sei do que ela começaria a reclamar. ─ Não estão esquecendo nada? ─ Marcos sorri e ouvimos um barulho vindo da parte de trás da casa. Nos aproximamos e observamos que há outra escada nos fundos da moradia. Seu Joaquim abre a porta de madeira dos fundos e Mari fica pálida como um fantasma ao ver quem é.

─ É a que a festa de noivado? ─ Dennis ajeita seu blazer preto e sorri.

─ Ai. Meu. Deus! Eu acho … eu acho … que vou desmaiar. ─ e cai.

Gargalhamos.

***

─ Eu estou muito feliz, de verdade. ─ murmuro, pegando na mão dele, enquanto um vento sorrateiro entra pelas cortinas balançando meus cabelos.

─ E eu mais ainda. Fico feliz que tenha aceitado. Por um momento achei que não estava fazendo a coisa certa. ─ ele me analisa.

─ Pela minha demora em responder? ─ entrelaço meus braços no seu pescoço e o beijo.

─ Exatamente por isso. ─ quando desgruda de meus lábios, respondo.

─ Estava bem nervosa. ─ abaixo a cabeça.

─ Eu vi. ─ ele dá um sorriso lindo.

─ Agora, por que no São João? ─ ergo as sobrancelhas.

─ Você me achará um tolo. ─ balança a cabeça para os lados.

─ Por quê? ─ estou curiosa. Ele tosse por uns instantes e vai ao ponto.

─ Porque quando eu terminei com a Melissa, minha ex mulher. Eu… ─ ele me observa e hesita um pouco até eu pressioná-lo.

─ Você…? ─ incentivo a continuar.

─ Cléo, você rirá de mim. ─ dá um sorriso frouxo.

─ Não vou, não. Fala! ─ que homem mais cheio de mistérios!

─ Que dia é hoje, Cléo? ─ ergue a sobrancelha.

─ Hoje é início das festividades juninas. ─ respondo não vendo nada demais nesta pergunta.

─ Não. Que dia é hoje? ─ insiste mais um pouco.

─ Hoje é 13. ─ me recordo da data pôr a ter visto no calendário naquele dia.

─ Dia de Santo Antônio. Te pedi em noivado hoje porque eu fiz uma promessa a ele. Que se arranjasse uma garota que se apaixonasse por mim e eu por ela eu a pediria em casamento no dia dele e faria um banquete em sua homenagem. ─ ele aponta para mesa onde estão as comidas, minha família e a Mari fazendo uma cena com Dennis Lenson proibida para menores. Ao ver isso, lanço um olhar reprovador em sua direção e aponto para Emily que brinca alheia com suas bonecas no chão. Ela pede desculpa e se recompôs.

─ Santo Antônio? Você é devoto? ─ estreito os olhos.

─ Não era, até papai e mamãe me contarem que por conta dele eles se conheceram. ─ dá para acreditar em uma coisa dessas? Meu namorado também fez uma promessa que eu também fiz e … se realizou. Não é que Santo Antônio cumpriu com o que prometeu?

─ Você acredita nele? ─ me interroga.

─ Por que não acreditaria? ─ sorrio e ele me estende seu braço e nos sentamos à mesa com nossos parentes.

Olhando para cada um deles, com suas peculiares, me sinto a mais feliz das mulheres. Todos alegres, comemorando, se conhecendo, não poderia ter um final mais feliz que esse. Olho para os céus e algumas nuvens brancas e espessas formam um rosto de um senhor bastante conhecido, com a face redonda e uma calvície notável.

─ Obrigada. ─ murmuro olhando para nuvens e juro que a imagem sorri.

Fim

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Dayana Araújo

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