Isso Só Acontece Comigo

Dayana Araújo · Capítulo 19 de 38

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Isso Só Acontece Comigo

Capítulo 19

Fazendo uma visita no hospital

São 15:00 horas em ponto. O pobre Edu deve estar lá se lastimando da vida, em um quarto branco do hospital, se perguntando se eu apareceria com meu pedido de desculpas pelo acontecido, afinal, minha consciência está pesadíssima, pois, eu queria sim que algo de mal acontecesse naquela noite, porém não que chegasse a esse ponto. Que fosse comigo, não com ele que não sabe de nada sobre o porquê o chamei para sair.

─ Por que está fazendo isso? Entendo que você está ferrada com a Soraya, mas não precisa dar uma de madre Teresa de Calcutá. Não se esqueça do que esse cara fez a você. ─ a voz de Mari me desperta, estamos em frente à clínica, minha amiga me deu carona para chegar ao meu destino e antes de partir para seu trabalho, ela me questiona receosa.

─ Oras … a culpa foi minha, amiga! Não me sinto bem sabendo que alguém ficou doente por minha causa. ─ argumento.

─ Tô achando que você tá querendo esse canalha de volta, dona Cléo. ─ ela estreita os olhos.

─ Não tô! É sério! ─ juro com os dedos e dou minha palavra. Ela pede que eu seja cautelosa, agradeço o seu conselho e sei que ela me quer bem e teme que eu fique mal de novo, contudo, isso não acontecerá, nem que Edu seja o último homem vivo da terra!

Mari parte me dando adeus e indo para seu trabalho, me deixando ali na porta de entrada.

Caminho para o setor responsável de visitação. Ao chegar na recepção, falo o nome do paciente completo, a recepcionista pergunta meu nome e meu número de identidade, digo tudo a ela, que digita rapidamente os dados no seu computador, consultando no aparelho se eu sou algum tipo de criminosa e poderia fazer uma inocente visita. Por fim, ela me libera. Me fala o número do quarto e me dá um cartão, com o nome escrito:“Visita”. Ok. Passei no teste das fichas limpas!

Pego o elevador e toco na tecla 2, de segundo andar. Aguardo com outras pessoas no espaço chegar no local desejado, que não demora. A porta metálica se abre e vou em direção da sala do enfermo. Passo por enfermeiras e médicos e ao chegar na porta do lugar, de braços cruzados e com os olhos arregalados, está Michelle, ela me olha de cima abaixo e vem ao meu encontro assim que percebe que vim visitá-lo. Respiro fundo e cruzo os braços e aguardo o que ela quer falar.

─ O que você quer? ─ me olha com raiva.

─ Fazer uma visita? ─ respondo parecendo o óbvio.

─ Você não é bem-vinda. ─ cospe as palavras com ódio.

─ Está com medo? ─ ela se cala e vejo uma pessoa me reconhecer pelo enorme janelão de vidro que há no quarto, onde estávamos discutindo na frente.

─ Cléo! ─ ele sorri e dá um simples aceno para que eu entre.

Sua cor parece ter se igualado às das paredes brancas do hospital. Suas faces estão finas e nem há bochechas ali. Noto que a barriga saliente de dias atrás não está mais lá. Observo que a intoxicação atacou em cheio sua saúde, pois sua aparência não parece de uma pessoa saudável.

A contragosto de minha antiga amiga, caminho até ele, com ela me seguindo como se eu fosse uma criança de três anos que precisasse de assistência para o caso de cair a qualquer momento.

─ Sinto muito ─ chego mais próximo. ─ Era para ser eu.

─ Relaxa, Cléo. Se alguém tem que te pedir desculpas, sou eu. ─ ele me fita por alguns instantes. Michele arregala os olhos, parece decepcionada com aquela frase.

─ Se quiser, posso te indicar uma agência, para outro emprego. ─ se oferece para auxiliar a situação de desempregada que me encontro.

─ Não precisa, Edu. Eu dou um jeito. ─ recuso sua oferta.

─ Ainda me sinto tão culpado. Queria fazer algo para minimizar os danos que causei a você. O que aconteceu comigo agora não foi nada perto do que você passou. Vamos começar de novo? Do jeito certo? ─ Michele assiste tudo estupefata. Várias vezes faz algumas caretas.

─ Começando a te pagar um jantar decente!

Não que deixei de odiar amargamente meu ex. Porém, preciso de mais um tempo com ele, por conta do trato com Soraya e daqui para lá, pensarei em um plano mais inocente de acabar com aquele martírio todo sem prejudicá-lo.

─ Que papo é esse, Edu? ─ a minha ex amiga cruza os braços.

─ Cléo, pode me dar alguns instantes a sós com a Michele? ─ balanço a cabeça e saio com olhares furiosos em minha direção.

Trinta minutos depois, Michelle sai aos prantos do quarto e quando me vê, me empurra contra a parede e dirige palavras inóspitas, não entendo o que acontece, porém me desvio dela, indo em outra direção, ficamos frente a frente, ela não desejava encerrar o assunto ali sem me dizer o que queria.

─ Eu odeio você! ─ grita, ao mesmo tempo que chora.

─ Quem devia dizer isso, era eu. Vocês dois me traíram, fizeram tudo por debaixo do meu nariz. Você ainda se passou por minha amiga! ─ despejo as palavras também com fúria. Ela não é a única com raiva aqui.

─ Claro! Porque você é quem pode ter tudo! ─ menospreza-se.

─ Do que você está falando? ─ franzo a testa. O que ela quer dizer com isso?

─ O Edu se arrependeu de tudo que fez com você; depois daquele dia que você nos pegou em flagrante, ele só falava em seu nome, Cléo para lá, Cléo para cá. Até quando fazíamos amor ele gritava por você! Foi aí que tive uma ideia: fingi que estava grávida para encurralá-lo e foi por isso que ele me pediu em casamento! Mas agora ele já sabe de tudo. Que nunca existiu bebê nenhum. ─ escuto aquelas frases totalmente perplexa. Não sei o que dizer, nem como reagir, diante de tantas informações que nem sequer imaginava.

─ Mas aí como se não bastasse, ele comprou um apartamento perto do seu. E para quê, Cléo? Para ficar perto de você. Fiquei furiosa, mas aí me acalmei pois via sangue nos seus olhos quando você o via. Fiquei feliz; tinha esperanças que você tinha superado e deixado para lá. Mas não, do nada, você faz um strip-tease na porta da casa dele que o deixou louco. ─ ela bate na parede do hospital com raiva. ─ E aí… ─ continua. ─ Você resolveu sair com ele. Era isso que você queria? Era esse o seu plano? Dá uma rasteira em mim como eu dei em você?

─ Não. Esse não é o meu plano. Não sou como vocês! ─ digo as palavras ferozmente. Ela começa a chorar.

─ Você deve estar muito satisfeita! ─ mais lágrimas de crocodilo. ─ Ele terminou comigo, Cléo! Mas não pense que ficará assim. Você pagará muito caro por isso!

Sai do hospital a passos pesados

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