Isso Só Acontece Comigo

Dayana Araújo · Capítulo 3 de 38

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Isso Só Acontece Comigo

Capítulo 3

Segundo namorado:

Eduardo do Vale.

Onde conheci?

Estava procurando emprego e para uma recém-formada, as coisas não iam lá muito bem. Enviei currículos para várias empresas e por mais que eu tenha estagiado todos os períodos da faculdade, parecia que as experiências foram nulas.

Fui chamada a administrar uma empresa de materiais e logística. Não era bem o que eu queria, contudo, como eu necessitava de dinheiro, resolvi atuar na área. Um bom salário e uma boa dose de aprendizado era o que eu estava precisando.

Passei por testes dinâmicos, redações, avaliações psicológicas e aí fui aprovada. Vibrei com a conquista. Dava graças a Deus por ter um teto para morar, já que quando passei no vestibular, papai me deu de presente um apartamento próximo de Boa Viagem e por um bom tempo pagou minhas despesas, porém como já havia me formado, decidi não dar mais esse trabalho e seguir minha vida de forma mais independente.

Em um dos meus primeiros dias na organização, já haviam me colocado em mil e umas funções, talvez pelo fato de ser novata e ter medo de perder o emprego acharam que poderiam me esnobar. Já estava ficando uma louca de camisa de força diante de tantas tarefas.

Cálculos.

Coordenar o pessoal do trabalho.

Ligações com clientes.

Chefe mal-humorado.

Um homem alto, de terno e gravata, com os olhos azuis, uma voz grossa, se aproximou de minha sala. Fez um sinal com as mãos pedindo permissão para entrar, assenti. Ele abriu a porta e se aproximou da mesa com um sorriso encantador.

─ Posso ajudar?

─ Tenho várias licitações, cálculos para serem feitos na logística da empresa, clientes reclamando…─ respirei fundo e continuei. ─ Se você for um anjo…você pode ajudar sim.

Ele sorriu.

─ E se eu for? ─ ergueu a sobrancelha e fez um gesto sugestivo.

─ Seria um prazer.

O meu anjo da guarda me ajudou com a papelada que tinha para resolver. Me auxiliou na logística, cálculos e licitações. Pedimos vários cafés e finalizamos o trabalho. Saímos tarde da noite naquele dia.

Peguei a chave do meu carro e me dirigi para o estacionamento e ele me acompanhou todo percurso.

─ Todo o anjo tem um nome, qual o seu? ─ o questionei, assim que vi que ele estava destravando seu veículo e pronto para entrar.

Ele sorriu enigmático e antes de sair, me respondeu:

─ Deixarei que você adivinhe.

Toquei em um das mechas do meu cabelo e fiquei toda boba o admirando saindo dali.

***

Durante o trâmite de volta para casa, fiquei pensando que aquele trabalho não seria tão ruim como imaginava. Trabalhar na parte logística tinha lá suas vantagens. Principalmente se todo dia encontrasse uma figura celestial no meu caminho. Com certeza aquela empresa passaria de inferno para um maravilhoso paraíso em questão de segundos.

Estacionei meu carro na garagem do condomínio e desci. Cumprimentei o porteiro no hall de forma rápida e acabei esbarrando em alguém na entrada, pedi desculpas pela distração e subi pelas escadas rumo ao apartamento. Eu realmente estava com a cabeça nas nuvens. Aqueles olhos… aquela boca… aqueles braços fortes! Não tinha como parar de pensar. Se a cada minuto lembranças de seu rosto invadiam minha mente e meu corpo ansiava pelo seu toque.

Abri a limiar e coloquei a bolsa que carregava no sofá. Me dirigi à raque, pegando uma garrafa de vinho francês e uma taça que se encontravam ali. Coloquei o líquido até quase esborrar no recipiente, degustando aos poucos, sentei relaxada no sofá. Com minha mão esquerda tateei a poltrona até encontrar o controle do home teacher e liguei na estação da Rádio Recife, que acabou parando em um quadro romântico chamado: “momentos de amor”, onde se tocava músicas apaixonadas e o locutor lia cartas de pessoas interessadas em companheiros amorosos.

Miúcha chegou de mansinho lambendo meus pés. Era incrível como minha própria cachorra era chegada a ser pinguça.

─ Nada de bebida, mocinha. Não, Mi! ─ ela me fitou com os olhos mais arregalados e piedosos.

Não resisti e derramei um pouco do vinho em sua tigela. Por favor, veterinários de plantão, NÃO ME CONDENEM!

O Cupido me atacou. Não resistia a homens inteligentes. Tentava prender meu coração, porém, por mais que eu colocasse em uma gaiola a sete chaves, ele vivia fugindo.