Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 13 de 60

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Nocturnos

Capítulo VIII

Como allivio ao meu aspero degredo,

Mandar-me-hiam, das moitas do balsedo, De seus prantos o balsamo sagrado.

Se os rouxinoes da floresta

Soubessem quanta dôr me rasga o seio,

Para espancar a minha noite mésta,

Mandar-me-hiam, das sombras da floresta, O seu mais terno e encantadôr gorgeio.

Se as estrellas do espaço

Soubessem tudo quanto soffro em vida,

Para embalar d'esta alma o vil cançaço,

Mandar-me-hiam, dos concavos do espaço, Uma doce palavra condoída.

E essa que sabe tudo,

O inferno e o horror da minha mocidade,

É a dona das tranças de veludo,

E das unhas rosadas... sabe tudo

E apunhála-me a vida sem piedade!

 

VIII

 

Não me sabes dizer, ó minha amada,

O motivo, a razão

Porque pendem a face desmaiada