Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 25 de 60

Páginas do PDF

Nocturnos

Capítulo XXIII

Dizias-me, a sorrir, «como eu te adoro!»

Desperto, e logo numa angustia infinda,

Eis-me a chorar de novo e ainda choro!

 

XXIII

 

Batido do torvelinho

O bosque palpita ao açoite

Do vento outomnal; é noite.

Monto a cavallo e metto-me a caminho.

E este inquieto pensamento,

E esta phantasia errante

Levaram-me nesse instante

Ao teu virgineo e candido aposento.

Os cães ladram; nas sonoras

Escadas assoma gente,

E eu no marmore luzente

Faço tinir as rútilas esporas.

No teu quarto da baunilha

Vôam cálidos arômas;

Tu dormes, soltas as cômas,

E eu nos teus braços cáio, minha filha!

Soluça o vento magoado:

Diz um carvalho altaneiro: