Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 24 de 60

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Nocturnos

Capítulo XXII

Das tilias sob a cupula odorante;

E como outrora ouvia o juramento

Do teu amôr constante.

Que protestos de amôr nesse momento!

Mas na febre dos beijos que me deste,

Como para gravar teu juramento

Em meus dedos mordeste!

Dona do riso alegre, ó meu tormento!

Dona de olhos azues, ó minha amada!

Já me bastava o doce juramento,

Foi de mais a dentada!

 

XXII

 

Chorei: sonhava e era comtigo, estavas

Morta num cemiterio, fria, fria...

E, ao despertar, senti que o pranto, em

lavas,

De meus cançados olhos escorria.

Chorei: sonhava e era comtigo, rosa;

Havias-me, sem dó, abandonado:

E, ao despertar da noite tormentosa,

Tinha o rôsto de lagrimas banhado.

Chorei: sonhava, e era comtigo, ó linda!