Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 6 de 60

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Nocturnos

O Juramento do Arabe

Fez-se pallido Ahmehd bem como a lua,

E erguendo o seu kandjar de folha rara,

Desce, e apunhala a nua favorita...

Quanto á nuvem... no azul se dissipára...

 

O JURAMENTO DO ARABE

 

A Teixeira de Queiroz

 

Baçús, mulher de Ali, pastôra de camêlas,

Viu de noute, ao fulgor das rútilas estrellas,

Wail, chefe minaz de barbara pujança,

Matar-lhe um animal. Baçús jurou vingança;

Corre, célere vôa, entra na tenda e conta

A um hospede de Ali a grave e inulta

affronta.

«Baçús, disse tranquillo o hospede gentil,

Vingar-te-hei com meu braço, eu matarei

Wail.»

Disse e cumpriu.

Foi esta a causa verdadeira

Da guerra pertinaz, horrivel, carniceira

Que as tribus dividiu. Na lucta fratricida

Omar, filho de Amrú, perdêra o alento e a

vida.

Amrú que lanças mil aos rudes prélios leva,

E que em sangue inimigo, irado, os odios

céva,

Incansavel procura, e é sempre embalde, o

vil

Matador de seu filho, o trêdo Muhalhil.

Uma noite, na tenda, a um moço prisioneiro,

Recem-colhido em campo, o indomito

guerreiro

Fallou severo assim:

«Escravo, attende, e escuta:

«Aponta-me a região, o monte, o plaino, a

gruta,

«Em que vive o traidôr Muhalhil, dize a

verdade;

«Dá-me que o alcance vivo, e é tua a

liberdade!»

E o moço perguntou:

«É por Allah que o juras?»

—Juro, o chefe tornou—

«Sou o homem que procuras!

«Muhalhil é o meu nome, eu fui que

espedacei

«A lança de teu filho, e aos pés o

subjuguei!»

E intrépido fitava o attonito inimigo.

Amrú volveu:—És livre, Allah seja comtigo!