Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 41 de 60

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Nocturnos

Flôr do Pantano

A modesta vivenda em que ella habita,

Ali correu-lhe a vida bonançosa,

Ali golpeou-lhe os seios a desdíta.

Raro de quando em quando uma visita

Novas lhe traz da vida tumultuosa,

E ella sorrindo a furto, descuidosa,

No azul os olhos em silencio fita.

Sósinha e triste a pallida viuva,

Por essas noites de invernia e chuva,

A um honesto e feminil labor se entrega.

E, alta noite, levanta, em dôr sepulta,

O olhar, que fixa, e demorado prega

No eterno Ausente que num quadro avulta.

 

FLÔR DO PANTANO

 

A Bulhão Pato

 

É pequenina e séria,

E tem o gesto grave

Da filha de um burgrave,