Nocturnos
A Nuvem
Em cujas vélas bate o vento em cheio...
Seguir-nos-hão as aves namoradas,
Que ao som das tuas infantis risadas
Modularão seu tremulo gorgeio...
A NUVEM
De Th. Gauthier
As roupas deslaçando, entra no banho
A languida sultana enamorada:
Livre do pente, os hombros nús lhe beija
A longa e fina trança desatada.
Atraz dos vidros o sultão a espreita;
E comsigo murmura: «como é bella!
«Ninguem a vê, ninguem! o negro eunucho
«Do harem na tôrre solitario vela!»
—Eu a vejo, uma nuvem lhe responde
Do sereno e alto azul illuminado:
—Vejo-lhe os seios nús, vejo-lhe o dorso,
—E o seu corpo de perolas colmado—