Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 44 de 60

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Nocturnos

Na Aldeia

Ao dr. Antonio Candido

 

Dá para a cêrca a estreita e humilde cella

D'essa que os seus abandonou, trocando

O calôr da familia ameno e brando

Pelo claustro que o sangue esfria e gela.

Nos florões manuelinos da janella

Papeiam aves o seu ninho armando,

Veêm-se ao longe os trigos ondulando...

Maio sorri na pradaria bella.

Zumbe o insecto na flôr do rosmaninho:

Nas giéstas pousa a abelha ébria de gôso:

Zunem bezouros e palpita o ninho.

E a freira scisma e córa, ao vêr, ancioso,

Do seu cátre virgineo sobre o linho

Um par de borboletas amoroso.

 

NA ALDEIA