Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 4 de 60

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Nocturnos

Ad Agros

Em vez do ramo exotico e oloroso,

Casto recreio d'esse olhar divino,

Acceita, Eugenia, este animal felino,

Que o meu braço subjuga vigoroso.

Tive artes de o amansar: eil-o sereno!

Acode á minha voz, e ao meu aceno

Como um jaguar á voz de um saltimbanco...

Vamos, sonêto! a prumo! ajoelhe, présto!

E á doce Eugenia, do sorriso honesto,

A fimbria oscule do vestido branco!

 

AD AGROS

 

Não tardes, flôr; a aldeia nos espera,

Chovem arômas dos folhudos ramos:

Suspensa do meu braço, eia! partamos!

Olha-nos Deus da crystallina esphera.

Nas manhãs da passada primavera

Com que delícia ethérea nos amámos!

Iremos vêr os nomes que traçámos

No rude tronco em que se enlaça a hera.

Não tardes, meu amôr, sei de um caminho,

Que sobe a encosta, e vae direito ao

moinho,