Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 29 de 60

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Nocturnos

Adeus!

Mas o velho sentára-se distante

Da alegre turba, a vista lacrymante

Mergulhada nas chammas do brazido...

Disse um da roda: «espanta-me o coveiro!»

—Morreu-lhe ha pouco a filha...—distrahido

Volveu da bisca um contumaz parceiro.

 

ADEUS!

 

Uma vez, numa camara elegante,

De um contador no marmore de rosa,

Entre os mil nadas feminis que exhalam

Uns aromas subtis que nos embalam,

Vi uma concha pallida e graciosa.

Sentira eu nella um som confuso e triste,

Como o dos sinos em remota aldeia;

Pobre concha! morria de saudade

Daquella vaga e triste immensidade

Do mar que chora na deserta areia.

Olha, querida, como nessa concha,

Anda chorando em mim continuamente

Essa timida voz que tu soltaste,

Essa palavra ADEUS que murmuraste

Aos meus ouvidos languida e tremente!