Nocturnos
A Negra
Ó minha piedosa anémona!
Cuidei ouvir o gemido
Da moribunda Desdemona...
Ai, desavisado amôr!
Perdôa, sombra adorada!
Nunca eu te avistasse, flôr!
Nunca eu te lêsse, ballada!
A NEGRA
Ao dr. A. A. da Fonseca Pinto
Teus olhos, ó robusta creatura,
Ó filha tropical!
Relembram os pavôres de uma escura
Floresta virginal.
És negra sim, mas que formosos dentes,
Que perolas sem par
Eu vejo e admiro em rubidos crescentes
Se te escuto fallar!
Teu corpo é forte, elastico, nervoso.