Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 49 de 60

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Nocturnos

A Negra

Ó minha piedosa anémona!

Cuidei ouvir o gemido

Da moribunda Desdemona...

Ai, desavisado amôr!

Perdôa, sombra adorada!

Nunca eu te avistasse, flôr!

Nunca eu te lêsse, ballada!

 

A NEGRA

 

Ao dr. A. A. da Fonseca Pinto

 

Teus olhos, ó robusta creatura,

Ó filha tropical!

Relembram os pavôres de uma escura

Floresta virginal.

És negra sim, mas que formosos dentes,

Que perolas sem par

Eu vejo e admiro em rubidos crescentes

Se te escuto fallar!

Teu corpo é forte, elastico, nervoso.