Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 17 de 60

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Nocturnos

Capítulo XIII

Emquanto eu andava viajando, a minha

Noiva gentil, o meu thesouro amado,

Julgando que eu tardava e que não vinha,

Fez á pressa o vestido de noivado,

E um dia, ao pé do altar, entrega anciosa

A um fôfo peralvilho a mão de esposa.

Nada no mundo a minha amada eguala;

Nem eu sei a que a possa comparar!

Que doce é o aroma que o seu labio exhala!

Que gesto lindo! e que formoso olhar!

Suspende a queixa, coração trahido,

Deixaste o céu, do céu fôste banido!

 

XIII

 

Quando morreres, filha, ao teu jazigo

Descerei taciturno e allucinado,

E abraçando esse corpo delicado,

No frio marmor dormirei comtigo.

E tu muda, e tu fria, e tu gelada!

E eu nos meus braços a apertar-te ainda!

E nas sombras daquella noite infinda