Nocturnos
Capítulo XIII
Emquanto eu andava viajando, a minha
Noiva gentil, o meu thesouro amado,
Julgando que eu tardava e que não vinha,
Fez á pressa o vestido de noivado,
E um dia, ao pé do altar, entrega anciosa
A um fôfo peralvilho a mão de esposa.
Nada no mundo a minha amada eguala;
Nem eu sei a que a possa comparar!
Que doce é o aroma que o seu labio exhala!
Que gesto lindo! e que formoso olhar!
Suspende a queixa, coração trahido,
Deixaste o céu, do céu fôste banido!
XIII
Quando morreres, filha, ao teu jazigo
Descerei taciturno e allucinado,
E abraçando esse corpo delicado,
No frio marmor dormirei comtigo.
E tu muda, e tu fria, e tu gelada!
E eu nos meus braços a apertar-te ainda!
E nas sombras daquella noite infinda