Nocturnos
Mater Dolorosa
Que doce a ondulação
Do teu andar, que lembra o andar gracioso
Das onças do sertão!
As languidas sinhás, gentis, mimosas,
Desprezam tua côr,
Mas invejam-te as formas gloriosas
E o olhar provocadôr.
Mas andas triste, inquieta e distrahida;
Foges dos cafesaes,
E no escuro das mattas, escondida,
Soltas magoados ais...
Nas esteiras, á noite, o corpo estiras
E, com ancias sem fim,
Levas aos seios nús, beijas e aspiras
Um candido jasmim...
Amas a lua que embranquece os mattos,
Ó negra jurity!
A flôr da laranjeira, e os niveos cáctos
E tens horrôr de ti!...
Amas tudo o que lembre o branco, o rosto
Que viste por teu mal,
Um dia que sahias, ao sol pôsto,
De um verde taquaral...
MATER DOLOROSA