Nocturnos

Gonçalves Crespo · Capítulo 50 de 60

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Nocturnos

Mater Dolorosa

Que doce a ondulação

Do teu andar, que lembra o andar gracioso

Das onças do sertão!

As languidas sinhás, gentis, mimosas,

Desprezam tua côr,

Mas invejam-te as formas gloriosas

E o olhar provocadôr.

Mas andas triste, inquieta e distrahida;

Foges dos cafesaes,

E no escuro das mattas, escondida,

Soltas magoados ais...

Nas esteiras, á noite, o corpo estiras

E, com ancias sem fim,

Levas aos seios nús, beijas e aspiras

Um candido jasmim...

Amas a lua que embranquece os mattos,

Ó negra jurity!

A flôr da laranjeira, e os niveos cáctos

E tens horrôr de ti!...

Amas tudo o que lembre o branco, o rosto

Que viste por teu mal,

Um dia que sahias, ao sol pôsto,

De um verde taquaral...

 

MATER DOLOROSA