Nocturnos
Capítulo XVIII
É domingo: o burguez deixa os asphaltos,
Dando o braço á burgueza;
Procura o campo, e, ao vêl-o, exclama aos
saltos:
«Ó filha, que lindeza!»
E pasma do verdôr febril, romantico,
Da múrmura floresta;
E a sua longa orelha absorve o cantico
Da passarada em festa.
Eu que não saio, escondo a gelosia
Com negros cortinados,
E recebo a visita, em pleno dia,
Dos espectros amados.
E aquelle Amôr que eu vi morrer outrora.
No meu quarto apparece!
Senta-se ao pé de mim, beija-me e chora,
E treme e desfallece!
XVIII
Rompia a manhã, rompia
Alegre como um trinado,
E eu ia triste e calado,