O Cavalo Amarelo
Capítulo II
— Mas acho que isto é feito hoje em dia — disse Poppy.
A mesa inteira voltou os olhos para ela.
— Como assim? — perguntou David.
— Acho que hoje também se faz isso, só que sai muito caro — murmurou Poppy, arregalando os olhos — Explique-se — exigiu David.
Poppy pareceu confusa.
— Acho que fiz confusão. É aquela história do Cavalo Amarelo.
— Cavalo Amarelo?
Poppy corou até a raiz dos cabelos.
— Besteira minha — disse, abaixando os olhos. — Alguém deve ter falado numa coisa parecida e eu acabei fazendo uma grande confusão.
— Coma uma sobremesa, meu amor — disse David. — Você deve estar precisando de açúcar.
II
Uma das coincidências mais estranhas da vida é quando ouvimos pela primeira vez falar num assunto e vinte e quatro horas depois o mesmo tema volta à baila. Foi o que aconteceu comigo no dia seguinte de manhã.
O telefone tocou.
— Flaxman 73841 — respondi.
Ouvi uma espécie de gemido pelo aparelho.
— Pensei sobre o assunto e resolvi ir — disse uma voz estertorante num tom de desafio.
— Ótimo — disse eu perplexo, tentando ganhar tempo até identificar a misteriosa voz.
— Além do mais — continuou a mulher mistério, a sorte não bate duas vezes na mesma pessoa.
— A senhora tem certeza de que ligou o número certo?
— Claro. Você não é Mark Easterbrook?
— Ora, é a Sra. Oliver — exclamei triunfante.
— Como, você não reconheceu minha voz? Nem pensei nisso!
Estou telefonando para falar da quermesse. Irei autografar meus livros se Rhoda quiser.
— Que ótimo. A senhora certamente ficará hospedada com eles!
— Só se garantirem que não haverá festas e coquetéis — disse a Sra. Oliver, apreensiva. — Tenho horror a reuniões sociais onde as pessoas se sentem na obrigação de elogiar meus livros e perguntar se ainda estou escrevendo. Se agradeço os elogios parece que estou dando bom dia ou até logo. Espero que não precise também tomar drinques no Cavalo Cor-de-Rosa.