O Cavalo Amarelo
Capítulo 8
O Inspetor Lejeune levantou a cabeça ao ouvir um assobio no corredor. Era o Dr. Corrigan.
— Desculpe interrompê-lo mas não encontrei álcool no chofer do Jaguar. O guarda deve ter confundido com halitose.
Lejeune porém não estava interessado nestas ocorrências.
— Entre e venha dar uma olhada nisto. Corrigan apanhou a carta que o inspetor lhe estendeu. A letra era clara e pequena: Everest, Bournemouth
Caro Inspetor Lejeune:
O senhor deve se lembrar que pediu para ser informado caso eu visse o homem que seguiu o padre Gorman na noite em que o assassinaram.
Fiquei alerta, mas não consegui vê-lo outra vez. Ontem porém fui a uma festa numa cidadezinha, atraído pelo nome da Sra. Oliver, famosa escritora policial, que segundo contava iria autografar seus livros; como sou grande fã da referida autora resolvi ir. O que encontrei, porém, para minha grande surpresa, foi o homem que eu descrevi para o senhor na noite do crime.
Parece também que ele deve ter-se acidentado pois estava numa cadeira de rodas. Discretamente consegui descobrir que se tratava de um residente de Much Deeping, chamado Venables, proprietário de uma mansão chamada Priors Court. Disseram também que é um homem bastante rico.
Espero que estas notícias sejam do seu interesse.
Sinceramente,
Zachariah Osborne
— Que acha? — perguntou Lejeune.
— Não me parece provável — respondeu Corrigan.
— Não vamos nos deixar levar pelas aparências...
— Este tal de Osborne não poderia ter visto pessoa alguma numa noite de nevoeiro como aquela. Você sabe muito bem que cada vez que a polícia pede uma informação sobre um desaparecido sempre vem um louco prestar declarações.
— Mas Osborne não é desse tipo — disse Lejeune — Que tipo é?
— É um farmacêutico respeitável, antiquado, e muito observador. O sonho da vida dele é poder um dia identificar um assassino que tenha comprado arsênico na sua farmácia!
Corrigan riu.
— Então esta carta pode ser um típico caso de pensamento mágico...
— Talvez.
Corrigan olhou para Lejeune com seriedade.
— Então você acha que talvez ele tenha razão?
— Não custa nada fazermos algumas averiguações sobre este Sr. Venables.