O Cavalo Amarelo
Capítulo 11
Narrativa de Mark Easterbrook
I
Primeiro Hermia, agora Corrigan. E daí? Que importância tinham eles? Que me chamassem de louco! Para mim aquela xaropada era verdade. Eu tinha sido hipnotizado por uma vigarista chamada Thyrza Grey e passei a acreditar em todas as loucuras possíveis!
Resolvi esquecer tudo. Afinal, não podia continuar perdendo tempo, mas uma frase continuava a ecoar na minha mente: — Você precisa agir! Era a voz da Sra. Dane Calthrop.
Fácil falar.
— Precisa de ajuda! — disse-me ela.
Precisei de Hermia, de Corrigan, mas eles não me ouviram.
Não podia contar com amigo algum. A não ser que...
Fiquei de pé, uns instantes, pensando.
Resolvi telefonar para a Sra. Oliver.
— Alô... aqui quem fala é Mark Easterbrook.
— Sim, como vai?
— Como é o nome daquela moça que estava conosco na quermesse? Lembra-se?
— Creio que sim... Ginger, eu acho.
— Até aí eu também me lembro. Espero que ela tenha um sobrenome.
— Claro que tem! Só que eu não sei qual é! Hoje em dia não se usa mais isso. Aliás, eu a conheci naquele dia. Acho melhor você telefonar para Rhoda.
Não gostei da ideia; não sei por que, senti vergonha.
— Fico sem graça... — disse eu.
— É muito simples — interveio a Sra. Oliver, — Diga que perdeu o endereço dela e que lhe prometeu enviar um dos seus livros; ou então que quer saber o nome da loja que vende aquele caviar divino; ou que precisa devolver um lenço que ela lhe emprestou no dia em que correu sangue do seu nariz; ou que precisa do endereço para uma milionária que quer restaurar um quadro. Qual destas desculpas você acha melhor? Se quiser, posso sugerir pelo menos mais uma dúzia...