O Cavalo Amarelo

Agatha Christie · Capítulo 43 de 43

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O Cavalo Amarelo

Capítulo 25

 

Narrativa de Mark Easterbrook

 

I

A vida em Much Deeping retornou ao normal.

Rhoda, ocupada com os cachorros; desta vez, creio que o problema era vermes...

Assim que me viu entrar, perguntou se eu queria dar uma ajuda. Recusei prontamente, pois queria saber onde estava Ginger.

— Foi ao Cavalo Amarelo.

— O quê?

— Disse que tinha que resolver um assunto lá...

— Mas a casa está vazia!

— Eu sei.

— Ela ainda está cansada, não está em condições de...

— Você parece uma galinha, falando dos pintinhos! Ela está ótima. Você já leu o último livro da Sra. Oliver: A Cacatua Branca?

Está em cima da mesa.

— Deus abençoe a Sra. Oliver e Edith Binns.

— Quem é Edith Binns?

— Uma senhora que identificou uma fotografia, além de ter sido governanta da minha madrinha.

— Você enlouqueceu? Não fala mais coisa com coisa...

Saí sem dar resposta. Resolvi ir ao Cavalo Amarelo. No caminho encontrei a Sra. Dane Calthrop, que me acolheu efusivamente.

— Eu sabia que estava me deixando enganar pela encenação daquelas mulheres.

Ela fez um gesto com o braço, indicando a estalagem vazia.

— A maldade não estava lá, como supúnhamos. Nada de conluios com o Demônio ou invocações mágicas. Simplesmente uma organização criminosa sórdida e mesquinha.

— O Inspetor Lejeune também acha.

— Gosto dele — disse a Sra. Dane Calthrop. — Vamos ao Cavalo Amarelo buscar Ginger.

— O que ela foi fazer lá?

— Limpar uma coisa.

Entramos e fomos invadidos por um forte cheiro de terebintina. Ginger, cercada de trapos e vidros, olhou para nós; ainda estava pálida e magra, usava um lenço na cabeça para cobrir os lugares onde tinha perdido cabelo.

— Ela está bem — disse a Sra. Dane Calthrop, lendo meus pensamentos.

— Olhe! — exclamou Ginger, triunfante.

Ela mostrou a velha tabuleta da estalagem. A ferrugem tinha sido removida e podia ver-se a figura de um esqueleto, com uma foice na mão, montado num cavalo amarelo.

— Apocalipse, Sexto Capítulo, oitavo verso. “E apareceu um cavalo amarelo; e o que estava montado sobre ele tinha por nome MORTE, e seguia-o o Inferno” — disse a Sra. Calthrop, atrás de mim, citando a Bíblia.

Por alguns instantes ficamos em silêncio, até sermos novamente interrompidos pela mulher do pastor.

— Então era isso! — disse ela, num tom de quem despeja um resto de comida podre na lata do lixo. — Tenho que ir andando para a reunião das mães.

Na porta a Sra. Dane Calthrop parou e virou-se para Ginger.

— Você seria uma excelente mãe. Ginger.

Ginger enrubesceu.

— Você quer, Ginger? — perguntei.

— Quero o quê? Ser uma boa mãe?

— Você sabe o que eu quero dizer.

— Talvez, mas prefiro uma proposta mais definitiva.

Fiz a proposta.

Horas depois Ginger perguntou: — Você tem certeza de que não quer se casar com Hermia?

— Meu Deus! Tinha até esquecido dela.

Tirei uma carta do bolso.

— Recebi esta carta dela há três dias. Ela me convidou para ir ao teatro assistir a Trabalhos de Amor Perdidos.

Ginger arrancou a carta da minha mão e rasgou-a em pedaços.

— Daqui em diante você só vai ao teatro comigo.

Você terminou O Cavalo Amarelo

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