O Cavalo Amarelo

Agatha Christie · Capítulo 19 de 43

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O Cavalo Amarelo

Capítulo 9

Narrativa de Mark Easterbrook

I

— A vida no campo é outra coisa — exclamou Hermia.

Tínhamos acabado de jantar. A nossa frente um bule de café fumegava.

Olhei para ela surpreso. Durante meia hora eu vinha relatando minha história, que ela ouviu com interesse e sagacidade. O que mais me irritou foi o tom indulgente do comentário de Hermia.

— Quem disse que o campo é monótono e as cidades excitantes não sabe o que é viver — prosseguiu ela. — As bruxas se refugiaram nas aldeias, e ajudadas pelos camponeses oficiam missas negras; a superstição campeia, solteironas sacodem guizos e desenham, no chão, símbolos cabalísticos. Não sei como ainda não escreveram sobre isso. Por que você não tenta?

— Não cheio que você tenha entendido o que eu estava tentando dizer.

— Claro que entendi, Mark. Achei maravilhoso, interessantíssimo. Parece uma página histórica ligada a uma lenda medieval.

— Não estou interessado em história — respondi irritado — e sim, em fatos. Numa lista de nomes fico sabendo o que aconteceu a algumas dessas pessoas, mas o que acontecerá com os outros?

— Você não está se deixando levar pela imaginação?

— Não — respondi obstinado. — Não creio. A ameaça é verdadeira e não sou eu quem pensa assim A mulher do vigário concorda comigo.

— Ah! A mulher do vigário — comentou Hermia com desprezo.

— Não diga “a mulher do vigário” neste tom. Trata-se de uma senhora inteligente e culta. O que eu relatei é verdade, Hermia.

Hermia deu de ombros.

— Pode ser.

— Mas você não está convencida?

— Acho que você é muito fantasioso. Concordo que aquelas solteironas medievais acreditem no que dizem ser capazes de fazer. Acho mesmo que elas devem ser horripilantes.

— E não sinistras?

— Ora, Mark!