O Cavalo Amarelo

Agatha Christie · Capítulo 36 de 43

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O Cavalo Amarelo

Capítulo II

— Pelo que você me contou, o mal, se houve algum, foi cometido naquela noite.

Dei um gemido.

— Por que fui me meter nisso?

— Motivado pela justiça. Não adianta chorar agora.

Certamente Ginger, depois da consulta médica, vai telefonar para a casa de Rhoda...

— Então é melhor eu ir para casa...

— Estou sendo uma idiota — murmurou a Sra. Dane Calthrop, — sei que estou sendo uma idiota. Não podemos nos preocupar com os objetos de cena da representação. Tenho certeza de que é isso que elas desejam...

Talvez ela tivesse razão.

Duas horas mais tarde Ginger telefonou.

— Ele veio — disse ela, — ficou intrigado, mas acha que talvez seja uma gripe. Está havendo um surto por aqui. Vai mandar um remédio e disse para eu ficar na cama. Estou com febre alta. Deve ser gripe, você não acha?

Havia um apelo na pergunta.

— Você vai ficar boa — disse eu, sem convicção. — Está se sentindo tão mal assim?

— Bem, estou com febre, com dores no corpo, nas pernas...

um calor dos diabos...

— É a febre, meu amor. Ouça, vou para aí, não diga que não.

— Que bom! Estou contente que você venha... afinal estou achando que não sou tão valente quanto pensei...

II

 

Em seguida, telefonei para Lejeune.

— Ouça, a Srta. Corrigan está doente.

— O quê?

— Você entendeu, está doente. Já chamou o médico que disse que talvez fosse uma gripe forte. Acho que você devia mandar um especialista dar uma olhada nela.

— Que tipo de especialista?

— Um psiquiatra, um psicanalista ou um psicólogo... sei lá!

Enfim um sujeito que entenda de sugestão ou hipnotismo... ou lavagem cerebral. Não tem gente que lida com estas coisas?

— Claro que tem. Acho que você tem razão, pode ser uma gripe mas também pode ser uma espécie de indução psicológica qualquer. Era o que nós estávamos esperando, Easterbrook!

Desliguei o aparelho. Que me importavam as armas psicológicas? A única coisa que me interessava realmente era a saúde de Ginger. Nós dois não acreditamos na história, brincamos de bandido e mocinho e agora podíamos ser vítimas da própria brincadeira.

O Cavalo Amarelo estava nos desmentindo.

Segurei a cabeça entre as mãos e chorei de desespero.