O duelo dos reis

Joe Abercrombie · Capítulo 29 de 61

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O duelo dos reis

Doce vitória

 

WEST ESTAVA MONTADO em seu cavalo, os braços cruzados, olhando entorpecido o vale poeirento.

– Nós vencem os – disse Pike num tom sem em oção, o m esm o com que poderia ter dito “Perdem os”.

Dois estandartes esfrangalhados continuavam fincados, pendendo sem vida. A grande bandeira de Bethod tinha sido rasgada e pisoteada pelos cascos dos cavalos e agora sua estrutura nua se proj etava num ângulo torto com o ossos descarnados, acim a da névoa de poeira que baixava. Um sím bolo adequado para a queda súbita do rei dos nórdicos.

Poulder puxou as rédeas de seu cavalo ao lado de West, dando um sorriso afetado para a carnificina, com o um professor diante de um a turm a ordeira.

– Com o nos saím os, general?

– Parece que as baixas foram pesadas, senhor, sobretudo nas nossas fileiras de vanguarda, m as o inim igo foi em grande parte tom ado de surpresa. A m aioria das m elhores tropas deles j á estava com prom etida com o ataque à fortaleza. Com o nossa cavalaria os pegou em desvantagem , nós os em purram os até a m uralha! Lim pam os o acam pam ento deles. – Poulder franziu o nariz, o bigode trem endo com aversão. – Passam os à espada várias centenas daqueles shankas diabólicos e expulsam os um núm ero m uito m aior para os m orros ao norte, de onde não duvido que eles sintam m uita relutância em retornar. Fizem os entre os nórdicos um a carnificina capaz de satisfazer o próprio rei Casam ir, e o restante depôs as arm as. Acreditam os ter cinco m il prisioneiros, senhor. O exército de Bethod foi esm agado. Esm agado! – Deu um risinho de m enina. – Ninguém pode negar que hoj e o senhor vingou bem e realm ente a m orte do príncipe herdeiro Ladisla, lorde m arechal!

West engoliu em seco.

– Claro. Ele foi bem e realm ente vingado.

– Um golpe de m estre, usar nossos nórdicos com o isca. Um a m anobra ousada e decisiva. Eu m e sinto e sem pre m e sentirei honrado por fazer m inha pequena parte! É um dia glorioso para as arm as da União! O m arechal Burr ficaria orgulhoso!

Nunca na vida West esperaria receber elogios do general Poulder, m as, agora que o grande m om ento chegara, não sentia prazer. Não praticara nenhum ato de bravura. Não havia posto a própria vida em risco. Não tinha feito nada além de ordenar o ataque. Estava esfolado pela sela e exausto, o queixo doía por estar constantem ente travado de preocupação. Até falar parecia um esforço.

– Bethod está entre os m ortos ou os capturados?

– Quanto aos prisioneiros específicos, senhor, eu não saberia dizer. Pode ser que nossos aliados nórdicos estej am com ele. – Poulder deu vazão a um risinho entrecortado. – Nesse caso, duvido que ficará conosco por m uito tem po, hein, m arechal? Hein, sargento Pike? – Riu enquanto passava o dedo por cim a da barriga e estalava a língua. – Para ele vai ser a cruz sangrenta, não duvido! Não é o que esses selvagens fazem ? A cruz sangrenta, não é?

West não viu a graça.

– Garanta que nossos prisioneiros recebam com ida e água e toda a aj uda que puderm os dar aos feridos. Devem os ser generosos na vitória.

Parecia o tipo de coisa que um líder deveria dizer depois de um a batalha.

– Sim , lorde m arechal – disse Poulder com um a saudação elegante, o próprio m odelo de um subordinado obediente, depois puxou de lado as rédeas do cavalo, o esporeou e se afastou.

West deslizou de seu cavalo, j untou suas forças por um m om ento e com eçou a subir a pé pelo vale. Pike foi atrás, com a espada desem bainhada.

– Cuidado nunca é dem ais, senhor – disse ele.

– É – m urm urou West. – Acho que sim .

A longa encosta estava coalhada de hom ens, vivos e m ortos. Os cadáveres dos cavaleiros da União perm aneciam onde haviam caído. Com m ãos ensanguentadas e rostos sérios, os m édicos cuidavam dos feridos. Alguns hom ens estavam sentados chorando, talvez pelos colegas m ortos. Alguns olhavam entorpecidos para os próprios ferim entos. Outros uivavam e gorgolej avam , pedindo aj uda ou água. Outros corriam para levar água a eles. Gentilezas finais para os agonizantes. Um a longa procissão de prisioneiros carrancudos serpenteava descendo o vale j unto à face do penhasco, vigiados por soldados da União em suas m ontarias. Ali perto estavam m ontes de arm as entregues em rendição, pilhas de cotas de m alha, de escudos pintados.

West cam inhou devagar pelo que havia sido o acam pam ento de Bethod, que, em m eia hora de fúria, fora transform ado em um a grande vastidão de entulho espalhado pela rocha nua e a terra dura. Os corpos retorcidos de hom ens e cavalos estavam m isturados com as estruturas pisoteadas de tendas, lonas rasgadas e arrastadas, barris estourados, caixas quebradas, equipam ento para cozinhar, costurar e lutar. Tudo pisoteado na lam a revirada, com as m arcas de cascos e botas.

No m eio de todo esse caos, havia estranhas ilhas de calm a, onde tudo parecia incólum e, com o devia ter estado antes que West ordenasse o ataque. Um a panela continuava sobre um a fogueira em brasas, com cozido borbulhando dentro. Várias lanças perm aneciam j untas, com ferram entas e pedra de am olar ao lado, prontas para serem afiadas. Três colchonetes form avam um triângulo perfeito, cobertores bem dobrados na cabeceira de cada um , tudo m uito bem arrum ado exceto por um hom em caído em cim a, com o conteúdo do crânio aberto esparram ado na lã clara.

Não m uito adiante, um oficial da União estava aj oelhado na lam a, aninhando outro nos braços. West sentiu um a pontada de dor ao reconhecê-los. O de j oelhos era seu velho am igo, o tenente Brint. O que estava caído era seu velho am igo, o tenente Kaspa. Por algum m otivo, West sentiu um a ânsia avassaladora de se afastar, subir pela encosta sem parar e fingir que não os tinha visto. Precisou obrigar-se a se aproxim ar, a boca enchendo-se de saliva azeda.

Brint levantou os olhos, o rosto pálido riscado de lágrim as.

– Um a flecha – sussurrou. – Um a flecha perdida. Ele nem chegou a desem bainhar a espada.

– Azar – grunhiu Pike. – Azar.

West olhou para baixo. Azar, m esm o. Dava para ver, na borda da barba de Kaspa, a haste partida de um a flecha, m as havia surpreendentem ente pouco sangue. Poucas m arcas de qualquer tipo. Um pouco de lam a espirrada na m anga do uniform e e só. Apesar de os olhos de Kaspa estarem vesgos e focando o nada, West não conseguia afastar a sensação de que eles se fixavam nos seus. Havia um a torção im pertinente nos lábios, um franzido acusatório na testa. West quase sentiu vontade de lhe dar um a bronca por isso, exigir que ele explicasse o que queria dizer; depois precisou se lem brar de que o suj eito estava m orto.

– Um a carta, então – m urm urou West, os dedos inquietos. – Para a fam ília dele.

Brint deu um a fungada sofrida que, por algum m otivo, West achou absolutam ente enfurecedora.

– É, um a carta.

– É. Sargento Pike, com igo.

West não conseguia suportar nem m ais um instante ali. Deu as costas aos am igos, um vivo e um m orto, e subiu pelo vale. Esforçava-se ao m áxim o para não pensar que, caso não tivesse ordenado o ataque, um dos hom ens m ais agradáveis e inofensivos que j á conhecera ainda estaria vivo. Talvez não se possa ser líder sem ser um tanto im placável. Mas a im placabilidade nem sem pre é fácil.

Ele e Pike atravessaram com dificuldade um barranco de terra esm agada e um fosso pisoteado, o vale ficando cada vez m ais estreito, os altos penhascos de pedra com prim indo-o dos dois lados. Havia m ais cadáveres ali. Nórdicos, hom ens selvagens com o os encontrados em Dunbrec, e shankas tam bém , todos espalhados no terreno. Agora West podia ver a m uralha da fortaleza, pouco m ais do que um calom bo cheio de m usgo na paisagem , com m ais m orte espalhada ao pé.

– Eles se sustentaram aqui durante sete dias? – m urm urou Pike.

– É o que parece.

A única entrada era um arco rústico no centro da m uralha, com o portão arrancado e caído em ruínas. Parecia haver três form as estranhas dentro. Quando chegou m ais perto, West percebeu com algum desconforto o que eram . Três hom ens m ortos, pendurados pelo pescoço, em cordas que iam até o topo da m uralha, as botas frouxas balançando devagar, m ais ou m enos à altura do seu peito. Havia m uitos nórdicos sérios reunidos em volta do portão, olhando com algum a satisfação os cadáveres pendurados. Um , em particular, virou o rosto estam pando um riso cruel para West e Pike quando eles se aproxim aram .

– Ora, ora, ora, se não é o m eu velho am igo, o Furioso – disse Barca Negra. – Chegou tarde à festa, não foi? Você sem pre foi lento, garoto.

– Houve algum as dificuldades. O m arechal Burr m orreu.

– Voltou para a lam a, foi? Bem , pelo m enos ele está em boa com panhia. Muitos bons rapazes partiram nos últim os dias. Quem é o seu chefe agora?

West respirou fundo.

– Eu.

Barca Negra gargalhou e West se sentiu um pouco nauseado ao vê-lo rir.

– Grande chefe Furioso, im agine só! – Barca Negra se em pertigou e fez um a im itação zom beteira da saudação da União enquanto os cadáveres giravam lentam ente para cá e para lá atrás dele. – Você precisa conhecer m eus am igos. Todos tam bém são grandes hom ens. Este aqui é Crendel Afiado; lutava por Bethod há m uito tem po. – Estendeu a m ão e em purrou um corpo, viu-o oscilar para um lado e para outro. – Este aqui é Mecha Branca, e você não poderia achar um hom em m elhor para m atar pessoas e roubar as terras delas. – Deu um em purrão no corpo seguinte, fazendo-o girar para um lado, depois de volta para o outro, os m em bros frouxos. – E este aqui é Ossinho. O desgraçado m ais durão que eu j á enforquei.

O últim o hom em estava retalhado quase a ponto de só m ostrar carne, a arm adura com acabam ento dourado am assada e afundada, um grande ferim ento atravessando o peito e o cabelo grisalho pendendo grosso de sangue. Um a perna estava decepada abaixo do j oelho e um a poça de sangue m anchava o chão em baixo.

– O que aconteceu com ele? – perguntou West.

– Com o Ossinho? – respondeu o grande m ontanhês gordo, Crum m ock-i-Phail, que fazia parte do grupo. – Morreu na batalha, lutando até o últim o hom em , m ais ali adiante.

– Foi m esm o – confirm ou Barca Negra, e abriu para West um sorriso m ais largo ainda do que o usual. – Mas acho que isso não é m otivo para não enforcá-lo.

Crum m ock gargalhou.

– Não é m otivo! – E sorriu para os três corpos que giravam e giravam , as cordas estalando. – Form am um a bela im agem , não é, pendurados aí? Dizem que a gente pode ver toda a beleza do m undo no m odo com o um enforcado balança.

– Quem diz? – perguntou West.

Crum m ock encolheu os om bros enorm es.

– Dizem .

– Dizem , é? – West engoliu a náusea, passou entre os corpos pendurados e entrou na fortaleza. – Quem diz com certeza é um pessoal sedento de sangue.

 

Cachorrão tom ou outro gole do cantil. Estava ficando bem bêbado, agora.

– Certo. Vam os, então.

Quando Sinistro enfiou a agulha, ele se encolheu, repuxou os lábios e sibilou por entre os dentes. Alguns furos e incôm odos para acrescentar ao latej am ento. A agulha atravessou a pele e puxou o fio, e o braço de Cachorrão com eçou a queim ar cada vez m ais. Tom ou outro gole, balançando-se para trás e para a frente, m as isso não aj udou.

– Merda – disse baixinho. – Merda, m erda!

Sinistro o encarou.

– Não olhe, então.

Cachorrão virou a cabeça. O uniform e da União seguia direto para ele. Pano verm elho no m eio de toda aquela terra m arrom .

– Furioso! – gritou Cachorrão, sentindo um sorriso no rosto, m esm o com toda a dor. – Que bom que conseguiu chegar! Muito bom m esm o!

– Melhor chegar tarde do que não chegar.

– Isso eu não posso questionar. É fato.

West olhou para Sinistro, que costurava o braço do chefe, e franziu a testa.

– Vocês estão bem ? – perguntou de novo a Cachorrão.

– É, sabe… Tul m orreu.

– Morreu? – West o encarou. – Com o?

– Era um a batalha, não era? O obj etivo é m atar hom ens. – Balançou o cantil. – Fiquei sentado aqui, pensando no que poderia ter feito diferente. Im pedir que ele descesse a escada, descer com ele para dar cobertura, ou fazer o céu cair, ou todo tipo de ideias absurdas, nenhum a que aj ude aos m ortos ou aos vivos. Mas parece que não consigo parar de pensar.

West franziu a testa olhando para a terra esburacada.

– Pode ser um j ogo sem vencedores.

– Ah, porra! – rosnou Cachorrão quando a agulha se cravou em seu braço de novo, depois j ogou longe o cantil vazio. – Mas a porra desse negócio não tem vencedores, não é? À m erda tudo isso.

Sinistro pegou sua faca e cortou a linha.

– Mexa os dedos.

O esforço de cerrar o punho fez o braço inteiro de Cachorrão queim ar, m as ele obrigou os dedos a se fecharem e rosnou enquanto eles se apertavam .

– Parece bem – disse Sinistro. – Você tem sorte.

Cachorrão olhou consternado para a carnificina ao redor.

– Então a sorte é assim , é? Eu ficava im aginando com o era.

Sinistro deu de om bros e rasgou um pedaço de pano para fazer um curativo.

– Vocês pegaram Bethod? – perguntou West.

Cachorrão olhou boquiaberto para ele.

– Vocês não pegaram ?

– Tem os um m onte de prisioneiros, m as ele não está entre eles.

Cachorrão virou a cabeça e cuspiu seu noj o na lam a.

– Nem a bruxa dele, nem seu Tem ível, nem nenhum dos filhos inchados, aposto.

– Im agino que eles estej am cavalgando para Carleon o m ais depressa possível.

– É m ais do que provável.

– Im agino que ele tentará j untar novas forças, encontrar novos aliados, preparar-se para um cerco.

– Não seria de espantar.

– Deveríam os segui-lo assim que os prisioneiros estiverem em segurança.

Cachorrão sentiu um a súbita onda de desespero, quase o suficiente para derrubá-lo.

– Pelos m ortos. Bethod fugiu. – Gargalhou e sentiu lágrim as ardendo nos olhos no m om ento seguinte. – Será que um dia isso vai ter fim ?

Sinistro term inou de enrolar a bandagem e am arrou bem apertada.

– Acabou.

Cachorrão o encarou.

– Acabou? Estou com eçando a achar que isso nunca vai acabar. – Estendeu a m ão. – Me aj ude aqui, Furioso. Tenho um am igo para enterrar.

 

Quando puseram Tul no chão, o sol estava baixo, espiando por cim a do topo das m ontanhas e pintando as bordas das nuvens de ouro. Tem po bom para enterrar um hom em bom . Ficaram de pé em volta da sepultura, todos esprem idos. Havia m uitos outros sendo enterrados, as palavras tristes por eles sendo choradas e sussurradas ao redor, m as Tul fora m uito am ado, nenhum hom em m ais que ele, de m odo que se j untara um a m ultidão enorm e. Mesm o assim , ao redor de Logen havia espaço. Um espaço vazio com a largura de um hom em . O espaço que ele costum ava ter ao redor nos velhos tem pos, onde ninguém ousava ficar. Logen não os culpava. Ele m esm o fugiria, se pudesse.

– Quem quer falar? – perguntou Cachorrão, olhando-os um por um .

Logen olhou para os pés, incapaz de encará-lo, quanto m ais de dizer um a palavra. Não sabia direito o que havia acontecido na batalha, m as podia im aginar. Podia im aginar bastante bem , pelo pouco de que se lem brava. Olhou ao redor, lam bendo os lábios partidos, m as, se m ais alguém sabia, m anteve isso guardado.

– Ninguém vai dizer nenhum a palavra? – perguntou Cachorrão de novo, com a voz em bargada.

– Acho que é m elhor ser eu então, porra – falou Barca Negra.

Ele deu um passo adiante e olhou dem oradam ente para os outros ao redor. Pareceu a Logen que o olhar se dem orou m ais nele, m as provavelm ente era apenas sua preocupação lhe pregando peças.

– Tul Duru Cabeça de Trovão – com eçou Barca Negra. – De volta à lam a. Os m ortos sabem que nós nem sem pre víam os as coisas do m esm o m odo, ele e eu. Não costum ávam os concordar em nada, m as talvez fosse m inha culpa, j á que sou um desgraçado do contra na m aior parte do tem po. Mas acho que agora m e arrependo disso. E agora é tarde dem ais.

Puxou fundo o ar, a respiração entrecortada.

– Tul Duru. Todos os hom ens no Norte conheciam o nom e dele e todos o dizia com respeito, até os inim igos. Ele era o tipo de hom em … que dava esperança à gente, acho. Que dava esperança. Você quer força, é? Quer coragem ? Quer que as coisas sej am feitas do m odo certo, do m odo antigo? – Ele m eneou a cabeça para a terra recém -revirada. – Está aí. Tul Duru Cabeça de Trovão. Não procure m ais longe, porra. Eu sou m enos, agora que ele se foi, e todos vocês tam bém .

E Barca Negra se virou e, de cabeça baixa, se afastou da sepultura em direção ao crepúsculo.

– Todos som os m enos – m urm urou Cachorrão, olhando para a terra com o brilho de um a lágrim a no olho. – Boas palavras.

Todos pareciam abalados, todos os que estavam ao redor da sepultura. West, Pike, Trem edeira e até Sinistro, todos abalados.

Logen queria se sentir com o eles. Queria chorar. Pela m orte de um hom em bom . Pelo fato de que podia ter sido ele a causá-la. Mas as lágrim as não vinham . Franziu a testa olhando para a terra recém -m exida, enquanto o sol afundava por trás das m ontanhas e a fortaleza nos Lugares Altos ficava escura, e ele se sentia m enos do que nada.

Se você quiser ser um hom em diferente, precisa ir para lugares novos e fazer outras coisas, com pessoas que não o conhecem . Se voltar aos m esm os cam inhos antigos, o que m ais poderá ser, além da m esm a pessoa de antes? É preciso ser realista. Ele havia brincado de ser um hom em diferente, m as tudo fora m entira. Do tipo m ais difícil de identificar. Do tipo que você conta a si m esm o. Ele era o Nove Sangrento. Esse era o fato e, por m ais que ele se contorcesse, se esprem esse e desej asse ser outra pessoa, não havia com o fugir. Logen queria se im portar.

Mas o Nove Sangrento não se im porta com nada.