O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 8 de 48

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O verão que mudou minha vida

Capítulo 8

Steven foi para o de hóspedes no lado dos adultos, e Jeremiah e Conrad ganharam cada um seu próprio quarto no meu lado da casa.

Desde o começo, eu e os meninos dividíamos o banheiro daquela parte. Minha mãe tinha um só para ela, e o da Susannah ficava na suíte. No nosso banheiro havia duas pias: Jeremiah e Conrad dividiam uma, e eu e Steven, a outra.

Quando éramos pequenos, os meninos nunca baixavam o assento do vaso — e, depois de grandes, também não. Era um lembrete constante de que eu não era um deles. Mas algumas coisinhas tinham mudado. Antes, eles quase sempre deixavam o banheiro todo molhado, fosse porque faziam guerra de água, fosse por desleixo. Depois que começaram a se barbear, enchiam a pia de pelos, e a bancada ficava tomada por desodorantes, cremes de barbear e colônias pós-barba.

Eles tinham mais colônias do que eu tinha perfumes — eu só usava um único vidrinho rosa de perfume francês que meu pai me dera no Natal quando eu tinha treze anos. A fragância era uma mistura de baunilha, açúcar queimado e limão. A namorada universitária dele que deve ter escolhido; papai não era bom com essas coisas. De qualquer forma, eu não deixava meu perfume no banheiro, junto com os produtos dos garotos. O vidrinho ficava na cômoda do meu quarto, mas eu nunca o usava. Nem sei por que o levava para a praia.

8

DEPOIS DO JANTAR, fiquei deitada no sofá lá de baixo, dividindo a sala com Conrad. Ele ficou sentado de frente para mim, dedilhando o violão, a cabeça baixa.

— Ouvi dizer que você está namorando — comentei. — E que é sério.

— Meu irmão é mesmo um fofoqueiro!

Mais ou menos um mês antes da viagem, Jeremiah tinha ligado para Steven. Os dois passaram um bom tempo ao telefone, e fiquei ouvindo a conversa por trás da porta. Steven não falava muito, mas parecia ser coisa séria. Entrei no quarto e perguntei sobre o que estavam falando, e Steven me acusou de espionagem, mas acabou contando que Conrad tinha arrumado uma namorada.

— E aí? Como ela é? — perguntei, sem encará-lo.

Tinha medo de que ele percebesse quanto eu me importava com aquilo.

Conrad pigarreou antes de dizer:

— Nós terminamos.

Quase engasguei. Meu coração pareceu parar de bater por um segundo.

— Então sua mãe estava falando sério quando disse que você é um destruidor de corações. — Era para ser uma piada, mas as palavras soaram, tanto na minha cabeça quanto no ar, como uma afirmação.

Conrad estremeceu antes de retrucar, a voz sem emoção:

— Ela me deu um fora.

Eu não conseguia imaginar como alguém podia terminar com ele.

Fiquei me perguntando como seria a tal menina. De repente formei a imagem de uma pessoa real e atraente na minha cabeça.

— Qual é o nome dela?

— Que diferença faz? — perguntou Conrad, ríspido. Então respondeu: — Aubrey. O nome dela é Aubrey.

— Por que ela terminou com você?

Eu não conseguia me segurar, estava muito curiosa. Quem era aquela garota? Imaginei uma menina loira, com o cabelo bem claro e olhos azul-turquesa, com cutículas perfeitas e unhas longas e ovais. Minhas unhas sempre foram curtinhas por causa do piano, e depois que parei de tocar as mantive assim, só pelo costume.

Conrad largou o violão e ficou encarando o nada, amuado.

— Ela disse que eu mudei.

— E mudou?

— Não sei. Acho que todo mundo muda. Você mudou.

— Mudei como?

Ele deu de ombros e pegou o violão de novo.

— É como eu disse, todo mundo muda.

* * *

Conrad tinha começado a tocar violão no ensino fundamental. Eu odiava quando ele tocava. Ele ficava sentado, dedilhando, meio distraído, não completamente presente no momento, cantarolando sozinho enquanto parecia estar em outro lugar. Enquanto nós assistíamos à TV ou jogávamos baralho, ele passava todo o tempo tocando. Ou ficava no quarto, praticando. Eu não sabia para que ele

praticava tanto, mas aquilo me irritava, porque o violão o roubava de nós.

Certa vez, ele tirou um dos fones de ouvido e estendeu para mim, enquanto continuava com o outro, e disse:

— Escuta isso. — Encostamos as cabeças. — Não é incrível?

Era Pearl Jam. Conrad estava todo feliz e encantado, como se ele mesmo tivesse descoberto a banda. Eu nunca tinha ouvido, mas, naquele momento, me pareceu a melhor música do mundo. Comprei o álbum Ten e escutei sem parar. Sempre que ouvia a faixa cinco,