O verão que mudou minha vida
Capítulo 26
— Ah, por favor. Claro que ele notaria você. Você é um amor. E
desabrochou neste verão. As pessoas não conseguem deixar de notar você.
— Sei… — retruquei, descrente, mas gostei do elogio.
Susannah era ótima em fazer as pessoas se sentirem especiais.
— É muito bom poder contar com você para conversar sobre esses assuntos.
— Eu também adoro nossos papos, querida. Mas você deveria conversar com sua mãe, sabe?
— Ela não se interessa por esse tipo de coisa. Ela só finge que se importa, mas na verdade não liga.
— Ah, Belly. Isso não é verdade. Ela se importa, sim. —
Susannah segurou meu rosto. — Sua mãe é sua maior fã. Depois
de mim, é claro. Ela se importa muito com você. Nunca a exclua da sua vida.
Eu não queria mais falar da minha mãe. Queria falar sobre Cam.
Então mudei de assunto:
— Você não vai acreditar no que ele me disse.
26
AGOSTO CHEGOU DE repente. Acho que o verão acaba mais rápido quando a gente passa com alguém. Para mim, esse alguém era Cam. Cam Cameron.
O Sr. Fisher sempre ia para a praia na primeira semana de agosto; levava coisas de que Susannah gostava, como croissants de amêndoa e chocolate com lavanda. E flores. Ele sempre levava flores, que Susannah amava. Ela dizia que precisava tanto de flores quanto de ar, que precisava delas para respirar. Tinha incontáveis vasos: altos, largos e de vidro, espalhados por toda a casa. E em todos os cômodos. Suas flores preferidas eram as peônias.
Colocava um vaso delas na mesa de cabeceira, para ser a primeira coisa que via ao acordar.
E conchas. Ela adorava conchas. Guardava-as em uma taça.
Quando voltava de uma caminhada na praia, sempre trazia uma porção delas. Ela as arrumava na mesa da cozinha e ficava admirando, falando coisas como “Esta aqui não parece uma orelha?”, ou “Olhe o tom lindo de rosa desta”. Então as ordenava da
maior para a menor. Era um de seus rituais, e eu adorava vê-la envolvida naquilo.
Naquela semana, perto da data em que o Sr. Fisher normalmente chegava, Susannah mencionou que ele não havia conseguido tirar folga no trabalho. Tinha acontecido alguma emergência no banco, e seríamos só nós cinco naquele fim de verão. Seria o primeiro ano sem o Sr. Fisher e sem o meu irmão.
Depois que Susannah foi dormir, Conrad me disse, em uma conversa franca:
— Eles estão se divorciando.
— Quem? — perguntei.
— Meus pais. É só questão de tempo.
Jeremiah o encarou.
— Cala a boca, Conrad.
Conrad deu de ombros.
— Por quê? Você sabe que é verdade. Belly não está surpresa, está?
Eu estava. Bem surpresa, na verdade.
— Eles pareciam se amar de verdade — comentei.
E pareciam mesmo, o que quer que isso significasse. Eu tinha visto um milhão de vezes: os olhares que trocavam à mesa do jantar, a animação da Susannah quando ele chegava à casa de praia. Eu achava que pessoas como eles não se divorciavam, só casais como os meus pais.
— Eles se amavam — retrucou Jeremiah. — Não sei direito o que aconteceu.
— Papai é um idiota. Foi isso que aconteceu — respondeu Conrad, se levantando e encerrando o assunto.
Ele falou de um jeito seco, indiferente, mas aquele comportamento era estranho para alguém que adorava tanto o pai.
Fiquei me perguntando se o Sr. Fisher tinha uma nova namorada, assim como meu pai. Se ele havia traído Susannah. Mas quem trairia Susannah? Era impossível.
— Não fala pra sua mãe que você sabe — pediu Jeremiah, de repente. — Mamãe não sabe que a gente sabe.
— Não vou falar.
Fiquei me perguntando como eles tinham descoberto. Meus pais se sentaram comigo e com Steven e nos contaram tudo, nos mínimos detalhes.
Quando Conrad saiu da sala, Jeremiah disse:
— Antes de virmos pra cá, papai já estava dormindo no quarto de hóspedes fazia semanas. E já tinha levado a maior parte das roupas dele. Eles devem achar que somos idiotas ou algo do tipo, pra não notarmos nada. — A voz dele falhou no fim da frase.