O verão que mudou minha vida
Capítulo 33
JEREMIAH DISSE QUE eu poderia usar a piscina do clube, já que ele era salva-vidas. Nunca tinha entrado naquela piscina, que era enorme e chique, então aceitei o convite. O clube parecia um lugar misterioso.
No ano anterior, Conrad nos proibira de ir até lá, dizendo que ficaria constrangido com nossa presença.
Fui de bicicleta, no meio da tarde. Tudo no lugar era verde e exuberante, porque ao redor do clube havia um campo de golfe.
Encontrei uma garota na porta com uma prancheta. Disse que estava lá para ver Jeremiah, e ela me deixou entrar.
Avistei meu amigo antes de ele me ver. Ele estava sentado na cadeira alta, conversando com uma garota de cabelo escuro e biquíni branco. Estava rindo, e ela também. Jeremiah parecia muito importante sentado naquela cadeira. Eu nunca o vira trabalhando de verdade.
Fiquei com vergonha e comecei a andar bem devagar, os chinelos estalando no chão.
— Oi — cumprimentei, a poucos passos deles.
Jeremiah olhou para baixo, lá do alto da cadeira, e sorriu para mim.
— Você veio! — exclamou, com uma piscadela, protegendo os olhos com as mãos como se fossem uma viseira.
— Vim.
Balancei a bolsa de lona para a frente e para trás, como um pêndulo. A bolsa tinha meu nome bordado em letra cursiva, um presente da Susannah.
— Belly, essa é a Yolie. Yolie também é salva-vidas.
Yolie apertou minha mão. Achei mais uma saudação de quem trabalha no mundo dos negócios do que um cumprimento de quem está usando biquíni. A menina tinha um aperto de mão firme, agradável; minha mãe aprovaria.
— Oi, Belly! Ouvi muito sobre você.
— Sério?
Olhei para Jeremiah.
Ele sorriu.
— Sim. Contei pra ela que você ronca tão alto que dá pra ouvir do outro lado do corredor.
Dei um tapinha no pé dele.
— Cala a boca! — Então me virei para Yolie. — É um prazer.
A menina sorriu para mim. Tinha covinhas nas bochechas e um dentinho torto na parte de baixo.
— O prazer é todo meu. Jere, quer tirar sua hora de descanso?
— Daqui a pouco. Belly, vai lá estragar sua pele no sol.
Mostrei a língua para ele e estendi a toalha em uma cadeira não muito longe. A água da piscina era de um azul-turquesa perfeito, e havia duas pranchas de mergulho, uma alta e outra mais baixa. Vi um milhão de crianças brincando na água e decidi que também ia nadar, depois que ficasse com o corpo bem quente do sol. Eu me deitei de óculos escuros, com os olhos fechados, pronta para me bronzear e ouvir música.
Depois de um tempo, Jeremiah se aproximou e se sentou na ponta da minha espreguiçadeira, tomando um gole da minha garrafinha térmica com refresco.
— Ela é bonita — comentei.
— Quem? Yolie? — Ele deu de ombros. — Ela é legal. Uma das minhas muitas admiradoras.
— Rá!
— E você? Cam Cameron, hein? Cam, o vegetariano. Cam, o careta.
Tentei não sorrir.
— O que é que tem? Eu gosto dele.
— Ele parece meio idiota.
— É disso que eu gosto nele. Ele é... diferente.
Ele franziu um pouco a testa.
— Diferente de quem?
— Não sei.
Mas eu sabia. Eu sabia exatamente quem ele não era.
— Você quer dizer que ele não é um babaca que nem o Conrad?
Eu ri, e Jeremiah também.
— Isso, exatamente. Ele é legal.
— Só legal?
— Mais que legal.
— Então você não gosta mais dele? De verdade?
Ambos sabíamos de quem ele estava falando.