O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 13 de 48

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O verão que mudou minha vida

Capítulo 13

Para mim, minha mãe não tinha nada de misteriosa. Ela era minha mãe. Sempre sensata, sempre segura de si. Para mim, ela

era tão misteriosa quanto um copo de água. Minha mãe sabia o que queria e o que não queria — e o que não queria era continuar casada com meu pai. Eu não tinha certeza se ela não o amava mais ou se nunca tinha amado.

Quando íamos para a casa da vovó, minha mãe sempre fazia alguma viagem. Ia para lugares distantes, como a Hungria ou o Alasca. E sempre sozinha. Tirava fotos, mas eu nunca pedi para vê-las, e ela nunca tentou me mostrar.

13

QUANDO MINHA MÃE chegou, eu estava sentada na varanda, comendo torrada e lendo uma revista. Ela estava com aquela cara séria, a cara de quem quer falar alguma coisa — a mesma cara que fazia quando queria ter uma de suas conversas de mãe para filha. Eu detestava aquelas conversas tanto quanto detestava ficar menstruada.

— O que você vai fazer hoje? — perguntou, com um tom muito casual.

Enfiei o resto da torrada na boca.

— Acho que isto que já estou fazendo.

— Talvez você devesse começar a estudar para as provas de inglês — sugeriu ela, limpando umas migalhas do meu queixo.

— É, eu estava planejando estudar mesmo — respondi, embora não estivesse.

Minha mãe pigarreou. Então perguntou na lata:

— Conrad está usando drogas?

— Quê?

— Conrad está usando drogas?

— Não! E por que você está perguntando isso pra mim? Conrad não fala comigo. Pergunta pro Steven — respondi, chocada.

— Já perguntei. Ele não sabe. E ele não mentiria — completou ela, me encarando.

— Bom, eu também não.

Minha mãe suspirou.

— Eu sei. Beck está preocupada. Ele vem agindo de um jeito muito diferente. Largou o futebol…

— E eu larguei o balé — retruquei, revirando os olhos. — Mas nem por isso sou vista por aí fumando crack.

Minha mãe comprimiu os lábios.

— Promete que vai me contar se ouvir alguma coisa?

— Não sei… — respondi, só para provocar.

Eu não precisava prometer nada. Sabia que Conrad não estava usando drogas. Tomar uma cerveja era uma coisa, mas ele nunca passaria disso. Eu podia apostar minha vida.

— Belly, estou falando sério.

— Mãe, relaxa. Ele não está se drogando. Aliás, quando foi que você virou detetive? E quem é você pra falar qualquer coisa? —

brinquei, com uma cotovelada fraca e divertida.